Margarida Espantada, de Rodrigo Guedes de Carvalho

Todos nós já assistimos, provavelmente, às consequências que a depressão pode ter em quem nos é próximo. Possivelmente até já a conheceram por dentro, na própria pele, ou de perto, com familiares ou amigos. Eu sei que passei dias a observar alguém que se sentava em silêncio na sala e ficava a fitar a televisão, umas vezes sem som, outras desligada. E ficava assim todo o dia, levantando-se quase de tarde e rondando a casa durante a noite. Para adormecer a dor era preciso adormecer a mente. E para muitas pessoas, a depressão é apenas uma “mania”, uma moda, um ócio de gente desocupada… Até que calha acontecer-lhes. Mas a verdade é que pode inclusive matar, como aconteceu há bem pouco tempo com o suicídio de mais uma figura pública.

Depois de Jogos de Raiva O Pianista de Hotel, o novo romance de Rodrigo Guedes de Carvalho, Margarida Espantada, publicado pela Dom Quixote, é descrito pelo autor como uma história sobre família, mas também sobre «violência doméstica e doença mental. É um efeito dominó sobre a dor.»

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