ENTREVISTA

O prodigioso retorno de Lídia Jorge

Estuário, de Lídia Jorge, foi publicado no dia 23 de Abril. No seu mais recente romance, a autora, nascida em Boliqueime em 1946, escreve, como sempre, sobre o que sobeja do real, focando-se agora no declínio de uma família e de um negócio familiar, de uma diáspora de filhos que com a crise conflui para a casa do pai. Ao fim de 38 anos de escrita (O Dia dos Prodígios, o seu romance de estreia, foi publicado em 1980), a autora distinguida com os mais diversos prémios nacionais, e conhecida e estudada internacionalmente, continua a agraciar-nos com uma escrita encantatória, lírica, que reflecte sobre o próprio processo de escrita, e imbuída
de uma visão crítica, pois em simultâneo analisa o futuro da Humanidade e o estado do mundo. Este é o décimo segundo romance e pode representar uma nova fase na obra da escritora.

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Annabela Rita: Eça de Queiroz, o cronista esquecido

Quando se fala de Eça de Queirós nunca se ignora a sua fase de cronista, como As Farpas, por exemplo. A investigadora Annabela Rita considera que esta faceta do autor foi em muito relegada ao esquecimento e o ensaio que publicou pretende eliminar a lacuna. Uma entrevista a propósito do seu mais recente livro “Eça de Queirós Cronista”.

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António Carlos Cortez: Uma poética da linguagem

Reuniu, na antologia A Dor Concreta, duas décadas de poesia, num esforço de síntese de dezena e meia de obras publicadas desde 1999. E a atribuição a esse volume do Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, cuja cerimónia de entrega decorreu no passado dia 15, na Câmara Municipal de Amarante, reforçou a ideia de fim de ciclo. Entrevista com um poeta, também professor e crítico, colaborador do JL, em busca de novos caminhos para a sua poesia

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Manuel Frias Martins | Herberto Helder, profeta da futuridade

Três décadas depois, eis uma nova edição de Herberto Helder. Um silêncio de bronze, de Manuel Frias Martins, uma edição da Nova Vega, título de referência nos estudos sobre a obra do poeta. Nos textos nele reunidos, o ensaísta, professor aposentado da Faculdade de Letras de Lisboa, chama a atenção para a importância fulcral do livro Cobra, retirado das edições da poesia completa, aquele que, em seu entender, “melhor contribui para a identificação do perfil literário português que a pouco e pouco se foi tornando dominante a partir dos anos sessenta do século XX” e que, com Photomaton & Vox, é revelador, como diz ao JL, da “poética herbertiana mais em profundidade” .

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Hélia Correia: a escrita como abrigo

O mais recente livro de Hélia Correia, Um Bailarino na Batalha, publicado pela Relógio d’Água, em Setembro de 2018, é um poema em forma de narrativa, conforme à prosa poética a que a autora nos tem habituado, e com a respiração de um poema épico. O leitor sente-se perdido, tacteando um horizonte de referência, quer no espaço quer no tempo, enquanto tenta situar a narrativa no género da ficção científica, ou da fábula, ou de um mito do princípio dos tempos, mas a história deste povo que atravessa o deserto em busca de uma Europa foge a qualquer classificação. Este grupo pode ser confundido com os migrantes que chegam em vagas provindos de África ou do Médio Oriente, tanto no tempo presente como outrora. Nessa travessia em busca de uma esperança as mulheres e os homens vão-se transformando. E num livro que nos fala de guerra mas também de amor e de sabedoria, o leitor é embalado pela coreografia desenhada nos movimentos das personagens e seduzido pelo ritmo da escrita de um poema que se vai desenrolando como uma serpente a rastrear as areias do tempo.

Hélia Correia é uma autora que aparece muito pouco mas foi possível conversar com ela em Sintra, no início deste ano.

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