Nos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A maior aniquilação pode ser desencadeada numa grande cultura – é o que justifica a queda de grandes edificações culturais de outrora, persas, gregos, romanos, outros que se reduziram a uma insignificância do que tinham sido, pelo simples erro de se autodestruírem.

Pensei nisto à saída do Museu do Oriente onde participei, com alegria, numa festa muito especial: a evocação do dia 10 de Dezembro, Dia dos Direitos Humanos, sessão comemorativa do 70º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Reuniu este acontecimento um punhado de gente boa, com princípios e ideias inflexíveis de equidade e proximidade entre os seres humanos; houve espetáculo e oradores, e foi com um especial carinho que ouvi o Presidente Jorge Sampaio e com muita saudade assisti à evocação-homenagem a António Arnaut, o Homem que levou a ideia dos Direitos Humanos ao coração de um dos mais preciosos direitos que nunca nos devia ser negado: a saúde – que hoje é cada vez mais um negócio e uma segregação, que se revela entre ricos e pobres, beneficiando de modo aviltante os primeiros e esquecendo miseravelmente, como sempre, os segundos.

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Álvaro de Campos e uns versos: manuais escolares entre a censura e a incúria?

A recente polémica sobre os versos 81 e 82 da Ode Triunfal não tem razão de ser. Trata-se de um caso típico de erros e usurpações que se inscrevem na péssima tradição dos manuais escolares que,  independentemente da chancela editorial, truncam ou alteram textos, catalogam ou deslocam para períodos literários errados certos autores e obras. Num manual do ano 2002, Ramos Rosa, por exemplo, aparecia numa tábua de autores do século XX como poeta central da “Poesia Experimental”. O caso da Ode Triunfal apenas confirma o menoscabo a que a poesia, em particular, está votada na leccionação do Português. Por isso se espantaram (nos casos mais autênticos) os alunos ao ouvir a ode de Campos, e por isso se indignaram (nos casos mais hipócritas) aqueles que falam em censura. Seja como for, duas respostas próprias de quem, no fundo, desconhecia o texto. E aqui é que está o ponto.

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Apontamentos

É compreensível – não sendo, mesmo assim, provável – que seja tudo o que passou, em nós, nas nossas vidas singulares e coletivas, que seja tudo aquilo a que chamamos passado (um tempo de lugares variados), o extenso formato do imprevisível.

É por isso que descobertas históricas nos espantam. Por isso, ideias que julgávamos não formuláveis aparecem em registos violentos. Por isso, a acidez do homem que fez tantos momentos vergonhosos ficou em marcas que ainda hoje tememos.

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D. António Alves Martins, transmontano e bispo de Viseu

D. António Alves Martins, transmontano e bispo de Viseu

Este transmontano, filho de camponeses, nascido em Granja de Alijó, em 1808, e morto em 1882, após 20 anos de bispado em Viseu, dava um romance. Foi combatente pela liberdade, exilado para fugir a D. Miguel e desembarcando com D. Pedro na praia de Pampelido, Mindelo, no batalhão académico de Garrett, Herculano ou Guilherme Centazzi; doutorou-se em Teologia por Coimbra, interrompendo os estudos entre 1828 e 1837, face aos transes políticos da época, em que teve a vida ameaçada pelos esbirros do Absolutismo; foi professor e deputado em seis legislaturas, entre 1842 e 1860, já cónego da Patriarcal de Lisboa e enfermeiro-mor no Hospital de São José (1861-1864), entretanto nomeado bispo viseense (1862) e, por inerência, Par do Reino.

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Palavras

Palavras

“Está comprovado que o vocabulário médio de um falante do português diminuiu drasticamente ao longo das últimas décadas. Temos cerca de 110 000 palavras dicionarizadas, sem falar nas locuções, e o português básico está reduzido a menos de 1000 vocábulos.” (mais…)