Um novo PEN Clube Português

O PEN Clube Português recuperou, com a direcção eleita em Fevereiro de 2019, a sua matriz. Integrado no PEN Internacional – «a maior e a mais importante organização mundial de escritores empenhada na defesa da liberdade de expressão, bem como de direitos e valores humanistas», como se lê na Carta fundadora –, propõe-se celebrar a criação literária dos seus membros, em intercâmbio com os 145 centros PEN e intervindo nos quatro comités da instituição: Mulheres Escritoras, Tradução e Direitos Linguísticos, Escritores para a Paz, Escritores na Prisão. (mais…)

Não há quem nos defenda (de nós)

Atento como era, o professor, historiador e filósofo, Michel Foucault teria publicado hoje as suas aulas  no colégio de França, as de 1976, não com o título É Preciso Defender a Sociedade, como aliás o fez e com grande êxito, mas com uma atualização. É provável que intitulasse a reunião daqueles seus pensamentos sob um título novo e mais contemporâneo de todos nós: É preciso Defender a Sociedade de si mesma.

Já nessa altura, nos anos 70 do séc. XX., Foucault preocupava-se com aquilo a que chamava o bio-poder, força de poder exercida sobre a vida e os vivos, capaz de reprimir populações inteiras e negar-lhes a sua parcela de mundo e de futuro. (mais…)

Nos 23 anos da morte de David Mourão-Ferreira

David Mourão-Ferreira deixou expresso, no fragmento CVIII da segunda parte de , o seguinte desejo: «Gostaria de morrer de repente: / a meio de uma frase que nesse instante / estivesse a ler; ou a escrever.»

A terceira Parca – Atropos – a que tem por mister cortar o fio da vida, não atendeu o desejo do poeta, que lhe havia prestado a sua última homenagem no final da Obra Poética (1948- 1988) :  “ Só comigo me encontro enquanto me concentro / nas ancas de Afrodite ou nos olhos das Parcas / Mas sei que sou assim desde há imenso tempo / mal fora iniciada a secreta viagem.” (mais…)

NA MORTE DE AGUSTINA BESSA-LUÍS

Agustina Bessa-Luís (15 de Outubro de 1922), que lembramos na sua jamais temida morte (3 de Junho de 2019), mostrou como as mulheres da região Norte lutam contra os valores patriarcais, se define a arrogância de burgueses endinheirados, enquanto reflecte sobre o poder (O comum dos mortais, 1998) e não evita um olhar conservador sobre a emancipação feminina (Jóia de família, 2001). Gerações de estudantes conheceram-na em A Sibila (1954), mas, entre as dezenas de títulos desde 1948, salientaríamos O mosteiro (1980), em que se coroa a sua «agressividade de imaginação», incomum no meio português. (mais…)

Nada se compara com o meu cantinho

Ganhei o (estranho) hábito de me sentar em cantinhos bem iluminados. É fundamental que sejam bem iluminados, esses cantinhos, e a razão para essa exigência é muito simples: regra geral faço-me acompanhar de livros, artigos de revistas, fotocópias e apesar de ler bem sem óculos, a luz devida tem de acompanhar-nos.

A esse hábito acresce a sua motivação: é em cantinhos iluminados que as ideias se revelam e da escuridão – zona habitada pela profundidade – pode muito bem nascer a luz, como a sabedoria popular há muito dita.

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Há tanta ideia por pensar (quinta parte)

Uma pequena homenagem a Vergílio Ferreira

 

Volte-se então a essa simplicidade que opõe o mal ao bem. Os deuses aos demoníacos, os indiferentes aos imbecis que são piores do que os indiferentes. Ambos são de grande utilidade. Dão-nos a sentir, por vezes ao espelho, que estamos mais perto de nós do que queremos.

Os deuses precisam desesperadamente de nós.

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