Ernesto Rodrigues, UM PASSADO IMPREVISÍVEL, Gradiva, 2018

Depois do romance Uma Bondade Perfeita, que lhe valeu o Prémio PEN Clube Português – Novelística, Ernesto Rodrigues publica um volume de memórias, Um passado imprevisível. Em três partes, o escritor,
ensaísta e prof. universitário, atual diretor do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa, recorda lugares, personagens e acontecimentos que marcaram a sua vida. Dois fios sobressaem: os anos passados junto ao Danúbio, em Budapeste, onde foi leitor de Português, e uma visita a Moçambique. “Voltar aos lugares onde fomos felizes torna-nos lentos”, escreve a páginas tantas Ernesto Rodrigues. “Sobretudo, quando perdemos vozes. Não podemos recompor os passos do corredor, a saudação de um rosto que amámos – como seria agora, se o reencontrássemos? -, a gentileza de um funcionário. ”

 

[[texto publicado no Jornal de Letras, Artes e Ideias, de 24 de Outubro de 2018]

De um outro existencialismo e de um mundo de sombras

É simples: não há história sequencial. Cada novo texto revê o anterior. Cada noite a da véspera. Assim, tudo, para ele era borrão, excepto o último.

Ernesto Rodrigues, Um Passado Imprevisível

 

Da vasta obra de Ernesto Rodrigues, que inclui ensaio, poesia e ficção, retenho com especial interesse os seus romances Passos Perdidos (2014) e Uma Bondade Perfeita (2016), este que viria a vencer o Prémio Pen Clube Português no ano seguinte. Acabo agora de ler a sua mais recente peça de ficção, Um Passado Imprevisível, cujo título já contém em si essa ironia de nunca nos conhecermos por completo, muito menos os outros e os relacionamentos mais marcantes das suas e nossas vidas. (mais…)

Nenhum homem é uma ilha

Por este mundo acima é um livro  peculiar de uma autora que, como tantos outros nomes que inundam os escaparates das livrarias, é também jornalista. No entanto, a sua escrita é de uma sensibilidade apurada e toca temas de forma alegórica enquanto outros insistem em mastigar e deglutir a mensagem por inteiro. Patrícia Reis nasceu em 1970, estudou História de Arte e Comunicação, tendo passado por diversos órgãos de comunicação, como o ExpressoMarie Claire e, mais recentemente, dirige a revista Egoísta. No final do ano passado lançou dois livros, o romance Contracorpo, e uma entrevista em jeito de conversa com Simone de Oliveira, intitulada Força de viver. É ainda autora juvenil, tendo escrito uma interessante coleção que apresenta, através do Micas, diversos museus e instituições culturais. (mais…)

A promessa de um instante

A noite das mulheres cantoras, o último romance de Lídia Jorge, foi publicado depois de um interregno de quatro anos, tendo sido atribuídos à autora o Prémio da Latinidade, de Escritora Galega Universal, e o Doutoramento Honoris Causa, pela Universidade do Algarve. A sua escrita reflecte acerca de diversos aspectos sociais, sempre centrada nos problemas da actualidade, sem perder o burilar lento e ritmado de uma linguagem poética, por oposição à arte que se consome fugazmente e não deixa sequelas.

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“A Febre das Almas Sensíveis”, de Isabel Rio Novo

“A Febre das Almas Sensíveis”, de Isabel Rio Novo

Não posso, antes de escrever sobre o livro, deixar de recordar uma amiga que me dizia que nunca, em várias tentativas, conseguiu persistir na leitura de A Montanha Mágica, pois a partir da página 100, e consoante a descrição do ambiente no sanatório se torna mais vívida, esta minha amiga é acometida por insistentes ataques de tosse numa qualquer reacção psicossomática que acabou por criar aversão ao livro.

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“Gungunhana”, Ungulani Ba Ka Khosa

“Gungunhana”, Ungulani Ba Ka Khosa

Ungulani Ba Ka Khosa é dos escritores moçambicanos mais reconhecidos da sua geração. Francisco Esaú Cossa nasceu a 1 de Agosto de 1957 em Inhaminga, na província de Sofala, membro da tribo étnica Tsonga e falante da língua Tsonga, e adoptou como “pseudónimo” o seu nome Tsonga. Formado em Direito e em Ensino de História e Geografia, exerce actualmente as funções de director do Instituto Nacional do Livro e do Disco. É membro e secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos.

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