Troilo de Vasconcelos da Cunha

TROILLO DE VASCONCELLOS DA CUNHA. Fidalgo da Casa Real naceo na Ilha do Funchal no anno de 1654, a tempo que seu Pay Bartholameu de Vasconcellos da Cunha Mestre de Campo de Olivença, e Capitaõ mór das Naos da India, era Governador da dita Ilha. Aplicou-se ao estudo das letras humanas, e Poezia vulgar em que sahio egregiamente versado. Foy Secretario da Junta dos Tres Estados do Reino em que mostrou talento, e desinteresse. Casou com D. Monica da Sylva Coutinho, de quem teve a Bartholameu de Vasconcellos da Cunha moço Fidalgo da Casa Real que se desposou com D. Filippa de Menezes, filha natural de D. Henrique de Menezes, filho de D. Jozé de Menezes e Tavora Governador da Torre Velha, e Védor das Serenissimas Rainhas D. Maria Sofia, e D. Mariana de Austria e de D. Brites Francisca de Mendoça, filha de Henrique de Sousa Tavares I. Marquez de Arronches: ao Padre Bartholameu de Vasconcellos da Companhia de Jesus Confessor do Eminentissimo Senhor Patriarca de Lisboa, do qual se fez mençaõ em seu lugar: a Fr. Rodrigo de Vasconcellos da Ordem da Santissima Trindade, e a D. Antonia, e D. Guiomar de Vasconcellos religiosas no Convento de Santa Clara de Lisboa. Falleceo nesta Cidade a 4 de Agosto de 1729, quando contava 75 annos de idade.

Compoz.

Espelho do invisivel, em que se expoem a Deos Hum, e Trino no Trono da eternidade, as divinas Idías de Christo, e a Virgem, o Ceo, e a Terra. Lisboa por Jozé Lopes Ferreira. 1714. 4. He Poema Heroico.

Justino Lusitano, on Tradução de Justino da lingoa Latina para a Portugueza em que seu Author descreve as Historias do mundo recopilando nos 44 livros que vaõ neste, outros tantos volumes, em que as escreveo Trogo Pompeyo.  Lisboa por Antonio Manescal Impressor do Santo Officio 1726. fol.

Desta obra faz mençaõ o addicionador da Bib. Orient. de Antonio de Leaõ Tom. 1. col. 217.

Nos Acroamas Panegyricos com que a Cathedral de Coimbra aplaudio a reliquia de S. Thomaz de Villa-Nova, a p. 88. está hum Soneto seu que começa. De aquel Sacro Pastor, que dignamente &c.

Fazem do seu nome mençaõ honorifica Antonio Carvalho da Costa Corog. Portug. P. 555. D. Antonio Caetano de Sousa Histor. Gen. da Casa Real Portug. Tom. 11. pag. 230., e Henrique Henriques de Noronha Mem. Sec. e Eceles. do Funchal. Tit. cap. 3.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Frei Valentim de Alpoim

Fr. VALENTIM DE ALPOEM, natural de Lisboa, e na Parochia. Real de S. Juliaõ recebeo a primeira graça a 23 de Setembro de 1623. Teve por Pays a Valentim de Alpoem, e Angela da Costa. Instruido nos preceitos da Gramatica Latina vestio o habito da Ordem Terceira da Penitencia de S. Francisco no Convento da Villa de Vianna do Arcebispado de Evora, onde professou a 24 de Setembro de 1645. Depois de ter exercitado o Officio de Orador Evangelico o elegeo por seu Confessor o Vice-Rey da India, donde voltando no anno de 1671 foy Reitor do Collegio de Santa Catherina em Santarem. Teve vasta instrução da Historia Ecclesiastica, e Secular, e profunda intelligencia da Mathematica, e Astrologia. Falleceo no Convento patrio a 7 de Janeiro de 1696, quando contava 73 annos de idade, e 52 de Religioso. Compoz

Scyphus Nestoris, seu summa Astrologiae praticae, ex probatissimorum Authorum judiciis sumpta, & collecta. fol. 3. M. S. No fim estaõ os Tratados

seguintes.

Ars navegandi communis.

Computus Ecclesiasticus.

Ars conficiendi horologia tam Horizontalia, quam Verticalia, declinantiaque.

Addicionou a Chronica de Eusebio Cesariense deste o anno de 1581 ate o de 1665, que conclue com a memoravel batalha de Montes Claros, onde as Armas Portuguezas triunfaraõ das Castelhanas, e lhe poz o seguinte titulo

Eusebii liber de temporibus, seu Chronicon universale omnia memoratu dignissima continens à nativitate Abrahae usque ad Praesens cum Romanorum pontificum, Imperatorum, ac Regum serie, & Regum Lusitaniae descriptione. Item regnorum initia, Schismata, Concilia, Ecclesiasticas Constitutiones Religionum exordia, Santos, & Fidei Catholicae propagationem discernens à Christi nativitate. fol. M. S. Conservaõ-se estas obras na Livraria do Convento de N. S. de JESUS de Lisboa. Do Author dellas faz mençaõ Fr. Joaõ á D. Antonio Bib. Franc. Tom. 3. p. 132. col.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

 

Frei Valentim do Cadaval

Fr. VALENTIM DO CADAVAL, natural da Villa, que he titulo de Ducado situada no Bispado de Coimbra que tomou por apelido. Foy Monge Cisterciense professo no Real Convento de Alcobaça, onde dictou por muitos annos Theologia Escolastica, assim especulativa como Moral, compondo os seguintes Tratados.

De Atributis.

De Creatione rerum.

De Peccatis.

De Incarnatione.

De Virtutibus

De Sacramentis.

De Fine Mundi.

Conservaõ-se M. S. na Livraria do Real Convento de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

 

Padre Valentim Carvalho

P. VALENTIM CARVALHO, natural de Lisboa, e alumno da Companhia de Jesus, cuja roupeta vestio em o Noviciado de Evora a 4 de Dezembro de 1576, quando contava 17 annos de idade. Depois de ensinar no Collegio patrio de Santo Antaõ letras humanas pelo espaço de sete annos, e tres Filosofia deixando o aplauso que podia alcançar pela sua litteratura, se embarcou para o Japaõ no anno de 1594 com o Bispo Dom Luiz de Cerqueira. Dictou Theologia em Macáo, onde foy Reitor oito annos, e seis Provincial do Japaõ, e Governador do Bispado por morte do Bispo D. Luiz de Cerqueira. Falleceo em Goa no anno de 1631. Delle se lembraõ Bib. Societ. p. 778. col. 2. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. V. n. 1. Franco Imag. da Virt. do Nov. de Evor. p. 881. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 258. col. 1. Fonseca Evor. Glorios. p 438. e o addicionador da Bib. Orient. de Antonio de Leaõ Tom. 1. col. 106.

Escreveo

Carta ao P. Geral em que dá conta do que sucedeo á Christandade do Japaõ desde Outubro de 1600 até Fevereiro de 1601. Sahio vertida em Italiano. Roma por Ludovico Zanetti 1603. 8. Em Latim pelo P. Joaõ Hayo Jesuita. Antuerpiae apud Viduam & haeredes Joannis Belleri 1604. 12. & Moguntiae apud Balthezarem Lippium 1603. 12. cum allis a p. 42. usque ad 100. e em Francez pelo Padre Francisco Solier. Pariz ches Claude Chapellet 1604. 8. desde pag. III. ate 192.

Annua da China de 1601 escrita em Macáo sendo neste tempo Reitor do Collegio até 1602. Traduzida em Italiano. Roma per Ludovico Zaneti 1603. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Valentim Fernandes

VALENTIM FERNANDES, Escudeiro da Casa da Rainha D. Leonor terceira mulher delRey D. Manoel, e muito perito na lingoa Latina, e Italiana traduzindo em a materna.

Relaçaõ da viagem que no anno de 1269 fez Marco Polo Veneciano á India, Japaõ China, e Oriente, aonde andou atè o anno de 1295. Lisboa 1502. fol. Da obra, e do Author faz mençaõ Antonio de Leaõ Bib. Ind. Tit. 1. e o seu addicionador Tom. 1. pag. 18. col. 1. Sahio traduzida em Castelhano pelo Mestre Rodrigo Arcediago de Reyna em a Cathedral de Sevilha. Legronho por Miguel de Eguia a 13 de Junio de 1529. fol.

Traduzio da lingoa Latina em a materna por ordem delRey D. Manoel.

Relaçaõ da viagem que Nicolao Conti Veneciano fez ao Oriente escrita por mandado do Papa Eugenio IV. por M. Pogio Florentino. Sahio em Lisboa dedicada pelo tradutor a ElRey D. Manoel a quem diz na Dedicatoria que álem de obedecer a S. Magestade traduzio aquella Viagem para que se leya a de Marco Polo, e de ambas se instruiraõ os seus Vassallos em as terras do Oriente, quaes sejaõ habitadas de Mouros, e quaes de idolatras, e das grandes utilidades que poderá colher das especiarias, pedras preciosas, ouro, e prata que produzem aquelles Paizes. Joaõ Bautista Ramusio traduzio esta Relaçaõ em Italiano, e a publicou no 1. Tom. das suas Navegaçoens, e Viagens a p. 338. Venetia nella Stamparia dè Giunti 1563. fol.

Reportorio dos Tempos dedicado a D. Antonio Carneiro Secretario delRey D. Joaõ III. Lisboa por Germaõ Galhard 1557.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Padre Valentim Mendes

  1. VALENTIM MENDES. Naceo na Villa da Cachoeira situada no reconcavo da Cidade da Bahia de todos os Santos Capital da America Portuguezaem o anno de 1689, sendo filho do Sargento mór Antonio Mendes Falcaõ, e Antonia da Sylva. Teve a primeira educaçaõ no Seminario de Bellem fundado pelo V. P. Alexandre de Gusmaõ Jesuita, donde no Collegio da Bahia abraçou o mesmo instituto a 21 de Novembro de 1703, quando contava 14 annos de idade. Dictou letras humanas assim na Bahia, como no Collegio da Paraiba em Pernambuco, e Filosofia no Collegio do Rio de Janeiro, e ultimamente Theologia Especulativa, e Moral no Collegio da Bahia, em cujo Bispado he Examinador Synodal. Do talento que teve para o Pulpito saõ testemunhas as obras seguintes

Sermaõ na festividade das onze mil Virgens Padroeiras da America celebrada no Collegio dos Religiosos da Companhia de Jesus da Bahia metropoli do Brasil no dia 21 do mez de Outubro de 1632. Lisboa por Manoel Fernandes da Costa 1734. 4.

Sermaõ do Principe dos Patriarcas Santo Elias voltando a sua Imagem do Real Collegio da Companhia de Jesus da Cidade da Bahia, onde assistio oito mezes, e treze dias por occasiaõ de huma seca extraordinaria para o seu magnifico Convento do Carmello a 18 de Julho de 1735. ibi pelo dito Impressor 1735. 4.

Sermaõ do glorioso Patriarcha Santo Ignacio Fundador da Companhia de Jesus, prégado no Collegio da Bahia a 31 de Julho de 1735. Lisboa por Pedro Ferreira 1737. 4.

Sermaõ de Nossa Senhora da Paz. Lisboa por Manoel Fernandes da Costa 1738. 4.

Sermaõ de Nossa Senhora das Portas do Ceo, e todo o Bem, e collocaçaõ da sua Imagem na Igreja de S. Pedro da Bahia em 15 de Agosto de 1737. ibi pelo dito Impressor 1738. 4.

Sermaõ de lagrimas na triste Soledade da Mãy de Deos prégado na Igreja da Sè da Bahia a 4 de Abril de 1738. ibi pelo dito Impressor 1739. 4.

Sermaõ na Festividade das onze mil Virgens Padroeiras da America, prègado no Real Collegio da Bahia em o anno de 1738. ibi por Antonio Isidoro da Fonseca 1740.4.

Sermaõ do glorioso Patriarca S. Ignacio Fundador da Companhia de Jesus, prégado no Real Collegio da Bahia no anno de 1746. Lisboa por Antonio da Sylva 1747. 4.

Dous Sonetos em aplauso do Desembargador Ignacio Dias Madeira tomando posse de Ouvidor Geral do Crime em a Cidade da Bahia. Lisboa por Miguel Manescal da Costa 1742. 4. Sahiraõ com outras obras Poeticas a este assumpto.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]