Frei Nazário de Lisboa

Fr. NAZARIO DE LISBOA, cujo apelido indica a patria que lhe deu .o berço, Monge Cisterciense em o Real Convento de Alcobaça insigne professor de letras humanas.

Escreveo

Ars Rhetoricae cum glossa. 4. M. S. Conservasse na Livraria de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Nicolau Agostinho

NICOLAO AGOSTINHO, natural de Pedrogaõ pequeno do Priorado do Crato distante duas legoas da Villa da Certãa, e naõ de Evora, como escreve o P. Francisco da Fonseca Evor. Glorios. pag. 413. Foraõ seus Progenitores, Manoel Freire, e Maria Arnaut. Sendo Presbytero de vida inculpavel o admitio para seu Capellaõ o Illustrissimo Senhor D. Theotonio de Bragança IV. Arcebispo de Evora, e depois foy Conego da Collegiada de Ourem, e Notario do Tribunal da Inquisiçaõ de Evora, de que tomou posse a 26 de Setembro de 1589. Falleceo piamente nesta Cidade a 18 de Novembro de 1622. Jaz enterrado na Igreja do Convento das Carmelitas Descalças. Delle se lembraõ Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 119. col. I. e Franckenau Bib. Hisp. Gen. Herald. p. 321.

Escreveo

Relaçaõ Summaria da Vida do Illustrissimo e Reverendissimo Senhor D. Theotonio de Bragança Arcebispo de Evora. Evora, por Francisco Simoens 1614. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Frei Nicolau Coelho do Amaral

Fr. NICOLAO COELHO DO AMARAL, natural de Lisboa, e Religioso da illustre Ordem da Santissima Trindade, cujo sagrado instituto professou no Convento patrio a 14 de Abril de 1544. O grande talento, de que benevolamente foy dotado pela natureza o capacitou para comprehender igualmente as sciencias amenas, e severas, sendo peritissimo nas lingoas Grega, e Latina, Poesia heroica, e Lyrica, nas Faculdades da Musica, e Mathematica de que teve por Mestre ao insigne Pedro Nunes, e della foy substituto algumas vezes na Universidade de Coimbra, e ultimamente na Theologia Escolastica, e Positiva dictando aquella na mesma Universidade, e esta em a de Valhadolid para onde se retirou queixoso do Cardeal D. Henrique. No Convento desta Cidade passou de caduco a eterno a 6 de Julho de 1568. O seu cadaver foy trasladado para o Collegio de Coimbra, do qual tinha sido primeiro Reitor, e na campa da sepultura se lhe abrio o seguinte epitafio, que está errado no anno da sua morte.

Hic jacet V. P. Magister Fr. Nicolaus Coelius Amaralius in Academiis Vallesolitana, & Conimbricesi Doctor Theologus, & in utraque Primarius, in illa speculativae Theologiae, in ista Scripturariae. Primus Redor hujus Collegii quod expensis Reginae D. Catherinae extruebat V. P. Fr. Rochus à Spiritu Sancto illius condiscipulus, & ejusdem Ordinis Provincialis, Comissarius Generalis, & Reformator. Duo volumina reliquit edita. Mortus est VI. Julii anno Domini MDLV.

Fazem honorifica memoria do seu Nome o Licenciado Jorge Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 3. p. 192. no Coment. de 11 de Mayo letr. C. Fr. Nicol. de Oliv. Grandez. De Lisboa. Tract. 2. cap. 1. Brito Mon. Lusit. Part. 1. liv. 1. cap. 13. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. M. n. 1. Altuna Chron. de la Ord. de la Trinid. liv. 4. cap. 4. p. 627. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom.2. p. 120. col. 1. Leitaõ Not. Chronol. Da Univ. de Coimb. p. 494. §. 1059. Carpi Chron. Ord. Sant. Trinit. p. 243. e 244. E Magna Bib. Eccles. Tom. I. pag. 370. col. 2. Compoz

Chronologia, seu ratio temporum maxime in Theologorum, atque bonarum litterarum studiosorum gratiam. Dedicada ao Senhor D. Antonio filho natural do Infante Dom Luiz. No fim tem huma epistola ao Leitor desculpando a orthografia,  de que usa. Sequuti nempe sumus Terentianum Maurum Terentium, Scaurum,Caprum, Priscianum, Gellium & in multis nostrum Resendium virum in omnium disciplinarum genere consumatissimum. Na ultima folha está o lugar da Impressaõ nesta fórma, Conimbricae apud Joannem Barrerium Typographum regium. MDLIIII. 4.

Monostichon de Primis Hispanorum Regilbus liber primus Nicolao Coelio Maralio authore: Tum ejusdem Auctoris oratio de Hominis suprema dignitate; atque ad Christum Servaorem nostrum deprecatio matutina. Conimbrigae MDLIIII.. A obra do Monostichon he dedicada a ElRey D. Joaõ III. Consta de Versos Hexametros a 25 Reys antigos de Hespanha. As outras duas obras que tambem saõ em versos Hexametros, saõ offerecidas a Infanta D. Maria irmãa delRey D. Joaõ III. No fim está.

Carmen Panegyricum de laudibus Divi Emmanuelis, atque ejus filii Divi Joannis III. Lusitanorum Regum. Conimbrica, apud Joannem Barrerium MDLIIII. 4.

Sermoens 3. Tom. 4. M. S.

Emprezas, e Triunfos militares de Lusitanos. 4. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Nicolau de Brito Botelho

NICOLAO DE BRITO BOTELHO Cavalleiro da Ordem de Christo, e moço fidalgo da Casa Real, naceo em a Cidade de Evora a 29 de Janeiro de 1683 sendo filho de Sebastiaõ de Brito Botelho Fidalgo da Casa Real, e de D. Francisca Tereza de Sepulveda de igual nobreza á de seu Consorte. Desde a adolecencia foy inclinado á investigaçaõ de antiguidades historicas, e crecendo com a idade esta aplicaçaõ recopilou em treze volumes álem de quarenta cadernos, que existem sem encadernaçaõ em poder de seu cunhado Joaõ de Brito Botelho, de quem se fez mençaõ no 2. Tomo desta Bibliotheca pag. 615. col. 2. todas as causas Civeis que se moveraõ nas Cidades de Evora, Béja, e Villa de Aviz; as doaçoens, e obrigaçoens dos Conventos extrahidas dos seus Cartorios, como tambem das Cameras, e Casas da Misericordia, instituições de morgados serie de descendencias, e outras noticias concernentes á illustraçaõ da Historia, e Genealogia Portugueza. Pella qualidade do seu foro, e ser descendente de Familia Senatoria da Cidade de Evora, foy Vereador, e servia de Juiz de fóra quando fez a sua publica entrada a 8 de Setembro de 1741 o Excellentissimo Arcebispo D. Fr. Miguel de Tavora, a quem congratulou á porta da Cidade chamada da Alagoa, com huma elegante Oraçaõ. Foy acerrimo defensor dos privilegios do Senado da sua patria, passando muitas vezes á sua despeza a tratar dos negocios em que era interessado. A o tempo que estava erigindo huma sumptuosa Capella dedicada á Conceiçaõ da Senhora em a Torre das Areas no Ervedal termo de Aviz morgado principal entre outros da sua Casa o assaltou na cabeça huma Erysipela maligna, que o privou da vida a ,6 de Setembro de 1743, quando contava 60 annos de idade. Foy sepultado com geral sentimento no ambito da Capella antiga, que estava incluida em a nova que fabricava. Casou em 18 de Dezembro de 1717 com sua Prima D. Filippa Margarida de Brito, e Goyos filha de Luiz Lobo da Gama, e D. Margarida Filippa de Brito, de quem naõ teve sucessaõ. Dos documentos que

tinha colhido o seu incansavel disvelo, escreveo o seguinte volume no anno de 1712.

Breves noticias das grandezas da Cidade de Evora, fundaçoens dos Conventos, e Igrejas, Irmandades, fórma de seu governo, e izençoens, liberdades, e privilegios de que goza. Illustrada com as noticias antigas, e modernas, e fórma das Instituiçoens dos Morgados, e Capellas que nella se erigiraõ, assim no modo de suceder, como das fazendas, que lhe saõ unidas, obrigaçoens de Missas, e outras pias obras, que pelos testadores foraõ deixadas. fol. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Nicolau Coelho de Landim

NICOLAO COELHO DE LANDIM, natural da Villa de Arrayolos em a Provincia Transtagana, e Cidadaõ de Evora. Instruido nos primeiros rudimentos frequentou a Universidade de Coimbra, onde se aplicou ao estudo da Jurisprudencia Cesarea em que sahio taõ eminente que muitos annos exercitou em Evora o Officio de Advogado de Causas Forenses com grande opiniaõ de sua literatura. Foy casado com D. Mariana de Vasconcellos de Valdevinos, de quem teve a Jozé Barreto de Valdevinos e Vasconcellos, Academico Supranumerario da Academia Real da Historia Portugueza, de quem se fez distincta memoria em seu lugar. Falleceo no anno de 1678, e jaz sepultado na Igreja do Convento de Nossa Senhora da Graça. Delle faz mençaõ o Padre Fonseca Evor. Glorios. p. 413. Compoz

Nova, & scientifica tractatio utrique foro perutilis, & necessaria in tres partes divisa 1 de Syndicatu Judicum, & aliorum Officialium Justitiae, & quo modo, & qualiter de illo agendam sit de jure & praxi: 2. de malefatoribus absentibus, & quomodo, & qualiter contra hos procedi possit de jure, & praxi, ubi etiam de bannitis, illorum statu, & conditione: 3. de .Salariis Officialium Justitiae & quomodo his salaria persolvi debeant de jure, & praxi. Ulyssipone apud Antonium Crasbeeck de Mello 1677. fol.

De Comunione Bonorum. 2. Tom. fol. O original prompto para a Impressaõ, conservava em seu poder o Desembargador Jozé dos Santos Palma.

Da Fundaçaõ do Convento do Salvador da Cidade de Evora, e de algumas Religiosas de singular virtude do mesmo Convento. onde se conserva. O P.

Francisco da Cruz Jesuita nas Memorias M. S. da Bib. Lusit. affirma que vira esta obra.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Frei Nicolau da Conceição

Fr. NICOLAO DA CONCEIÇAM. Naceo em Lisboa a 4 de Janeiro de 1667, sendo filho de Bartholameo de Faria, de quem se fez mençaõ em seu lugar, e D. Anna Maria de Sequeira. Estudou na Universidade de Coimbra Direito Civil, e provada a sua sciencia legal em o Desembargo do Paço, foy despachado para Juiz de fóra da Villa de Caminha a 23 de Mayo de 1690, mas como considerasse que este genero de vida era muito perigoso para conseguir a salvaçaõ, se recolheo ao Claustro dos Capuchos de Santo Antonio vestindo o habito Serafico no Convento de Ponte de Lima a 23 de Setembro de 1690, onde foy Guardiaõ do Convento de Lisboa. Sendo Visitador da Serafica Provincia da Soledade se agregou a ella fallecendo no hospicio da Cidade do Porto a 7 de Mayo de 1732, com 65 annos de idade, e 42 de Religiaõ. Publicou

Sermaõ de N. S. dos Anjos com o admiravel Jubileo da Porciuncula. Coimbra por Antonio Simoens, Impressor da Universidade. 1707. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]