Frei Fulgêncio Leitão

Fr. FULGENCIO LEITAM natural de Lisboa onde recebeo o habito de Erimita Augustiniano. Era Superior, em o Convento patrio no anno de 1626. E Mestre de Noviço em o de 1630. Igualmente professou a sagrada Theologia como a Jurisprudencia Canonica, e Civil. Passando a Italia viveo muitos annos, em o Convento de Santa Maria do Populo em Roma com o nome de Fr. Ioaõ Antonio Rivarolla onde pela sua grande literatura era consultado nas mayores dificuldades. Por cauza de hum livro de que falsamente o fizeraõ Author incorreo na indignaçaõ do Cardial Ioaõ Bautista Pallota Protector da Ordem dos Erimitas de S. Agostinho sendo obrigado a retirarse para Pariz ao anno de 1658. onde acometido de huma apoplexia acabou a vida quando excedia a idade de 70. annos. Foy muito zelozo da gloria da Patria, e acerrimo propugnador da justiça com que foy elevado ao trono de Portugal o Serenissimo D. Ioaõ o IV. de que saõ claros testemunhos as obras que doutamente escreveo sobre este argumento. Publicou com o nome de Fr. Ioaõ Antonio Rivarolla. 4.

La perfecta muger B. Rita de Cassia de la Orden de San Augustin. Discursos morales sobre su vida, y milagros en todos los estados que tuvo. Napoles por Francisco Savio. 1645. Com o nome de Ioaõ Baptista Morelli.

Reduccion, y restituycion del Reyno de Portugal a la serenissima Caza de Bragança en la real persona de D. Juan IV. Rey del dicho Reyno. Discurso moral, y politico. Turim por Juanetim Penotto. 1648. 4. Com o nome de Fernando de Molina, y Savedra.

Epistola apologetica a la Magestad Catholica de Felipe el Grande contra el parecer de cierto ministro consultado sobre la recuperacion de Portugal. Colonia Agripina. 1650. 4. Com o nome do Doutor Antonio de Bentancor

Anti-Diana, sive admonitio apologetica ad R. P. Antoninum Dianam circa suum Tractatum de potestate exauthorandi Reges decimae parti suarum Resolutionum nuper additum. Lugduni. 1653. Sem nome de Impressor. 8. Com o nome Jacobi a Castro bono Pedamontani utriusque Juris doctoris peritissimi.

Consilium super validitatem asserti Brevis Apostolici circa contractum inter partes Serenissimum Joannem IV. Regem Portugalliae exuna, & aliquos Vassalos, sive subditos (Lusitanice Homens de negocio) ejusdem Regni ex altera ut aliqui, volunt annullantis. In Castro bono 29. Aprilis. 1651. 4.

Prudentium Amicorum Princeps. Epistolae Apologeticae cujusdam asserti amici adversus Anonymum calamo urgentem apud Sedem Apostolicam pro Legato, nec non pro praesentationibus Ducis Brigantini ad Ecclesias Portugalliae admitendis apologetice etiam respondet. Ulyssipone. 1656. fol. Posto que diga ser impresso em Lisboa certamente he em Italia, como do caracter da letra se conhece.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Fulgêncio Freire

FULGENCIO FREYRE cuja patria, e Pays se ignoraõ Sendo Feitor de Baçaim que com igual zelo, que interesse administrara, abraçou o instituto da Companhia de JESUS no estado de Coadjutor Temporal do qual nunca quiz ainda instado pelos Superiores, subir ao Sacerdocio. Foy destinado por companheiro do Padre Gonçalo Rodrigues no anno de 1555. quando partio com o nosso Embaxador Diogo Dias mandado pelo Vicerey Pedro Mascarenhas ao Imperio da Etiopia onde com summo disvelo encheo as obrigaçoens de Operario Evangelico. Restituido a Goa voltou no anno de 1560. para Etiopia em cuja viagem encontrando quatro Gales de Turcos que capitaneava o Pirata Cafar, depois de receber outo feridas foy levado ao Cayro com outros Portuguezes onde remava no banco, e servia na Ribeira de Moca. Neste miseravel estado o acharaõ os Padres Gonçalo Rodrigues, e Ioaõ Baptista Eliano quando entraraõ no Imperio da Etiopia no anno de 1562. com a incumbencia cometida pela Santidade de Pio IV. de unir a Igreja Alexandrina com a Romana, e posto que cortado de tantas tribulaçoens tinha taõ vigoroso o espirito, que confirmava na Fé aos seus companheiros, e reduzia a muitos infieis ao suave jugo do Evangelho. Resgatado com outo Christaos por mil, e quinhentos cruzados que dera o nosso Embaxador residente em Roma partio por terra até esta Santa Cidade donde chegou a Lisboa no fatal anno de 1569. em que ardia fulminada de hum pestifero contagio assistindo aos feridos com taõ ardente charidade, que antepunha a saude alhea à propria vida. Esquecido de tantos trabalhos tolerados em obzequio da Fé, e ambicioso de outros mayores se embarcou outra vez para a India no anno de 1571. e querendo Deos remunerarlhe quanto tinha padecido pela exaltaçaõ do seu nome permitio que naufragasse a náo em que hia embarcado donde voou o seu espirito ao porto da Bemaventurança. Delle fazem illustre memoria Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 686. Hist. Societ. Part. 2. lib. 4. n. 320. e lib. 6. n 140. e Part. 3. lib. 7. n. 165. Guerreiro Adiçaõ á Relac. da Etiopia dos ann. de 1607 e 1608. Cap. 1. Godinho de reb. Abyssin. lib. 1. cap. 27. e lib. 2. cap. 18. Telles Chron. da Comp. de Jesus da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 6. cap. 8. n. 2. e na Hist. da Etiop. Alt. liv. 2. cap. 23. e cap. 32. Jarricus Thesaur. rer. Ind. Tom. 2. cap. 17. Costa Hist. de reb. in Orient. gestis á S. I. pag. 31. Souza Orient. Conq. Tom. 1. conq. 5. Divis. 2. §. 65. Faria Azia Portug. Tom. 2. Part. 2. cap. 15. n. 8. e 9. Couto De cad. da Ind. 7. liv. 8. cap. 8. Franco Imag. da virtud. em o Nov. de Coimbra. Tom. 1. liv. 3. cap. 35. n. 2. Barboza Mem. Hist. delRey D. Sebast. Part. 2. liv. 1. cap. 16. §. 122. Escreveo.

Carta escrita de Moca a 12. de Agosto de 1560. ao Patriarcha D. Joaõ Nunes Barreto em que lhe relata a sua chegada, e as tribulaçoens que padecia no Cativeiro. Sahio impressa com outras Venetia por Tramezzino. 1662. 8.

Carta escrita do Graõ Cayro a 5. de Outubro de 1562. ao Geral Diogo Laynes em que refere as miserias do Cativeiro. Conservava esta carta em seu poder o Padre Balthesar Telles como escreve na Hist. da Etiop. Alta. liv. 2. cap. 32.

Carta escrita ao Geral no fim de Novembro de 1569. Outra escrita do Cayro ao mesmo P. Geral a 23. de Fevereiro de 1564. Outras duas escritas do Cayro ao Provincial da India em Abril de 1562. e em 30. de Mayo de 1562. Todas estas se conservaõ no archivo da Caza professa de S. Roque desta Corte.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Fulgêncio Botelho

Fr. FULGENCIO BOTELHO natural da Provincia da Beyra Monge Cisterciense cujo habito professou no Convento de Santa Maria de Salzedas. Foy Abbade no Collegio de Coimbra em o anno de 1624. onde dictou diversos tratados Theologicos, e Escriturarios. Exercitou o lugar de Deputado da Inquiziçaõ de Coimbra de que tomou posse a 27. de Agosto de 1627., e no Collegio da mesma Cidade passou a milhor vida no anno de 1629. Escreveo doutamente.

Contra Judaeos. fol. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Frutuoso Pereira

Fr. FRUCTUOSO PEREYRA natural da Villa da Feira sinco legoas distante da Cidade do Porto, Cabeça de Condado, e descendente dos Condes deste Titulo, o qual querendo ser mais illustre por beneficio da Graça do que nacera por liberalidade da natureza recebeu a Cogulla Benedictina em o Convento da Cidade do Porto a 5. de Mayo de 1620. Foy muito douto nos preceitos da Gramatica Latina, Poesia heroica, e intelligencia das linguas Italiana Franceza, e Espanhola. Estudou Filosofia no Mosteiro de S. Miguel de Refoyos de Basto, e Theologia no Collegio de N. Senhora da Estrella desta Corte, e em huma, e outra Faculdade sahio egregiamente instruido. Falleceo no Mosteiro de S. Martinho do Couto a 20. De Ianeiro de 1660. Compoz.

Arte de Gramatica Latina novamente ordenada em Portuguez para menos trabalho dos que começaõ a aprender. Lisboa por Lourenço Craesbeeck 1636. 4. Sahio segunda vez com este titulo.

Arte de Gramatica Latina ordenada em Portuguez para mayor facilidade deste estudo. Lisboa por Lourenço de Anveres. 1643. 8. et ibi por Domingos Lopes Rosa. 1652. 8.

De B. Placidi, sociorumque ejus gestis libri duo. Começa.

Quis Placido fuerit sanguis quo duxerit aevum.

Ordine, qui juveni mores, quae funera dicam &c.

Vita S. Getrudis, & D. Mauri heroico carmine conscripta. M. S. Conservaõse estas duas obras Poeticas em poder do R. P. Fr. Marceliano da Ascensaõ Monge Benedictino Abbade que foy do Mosteiro de Santarem. Faz memoria honorifica do Author Fr. Gregorio Argaes Perla de Catalun. pag. 464. §. 156. Compuso el Arte de Gramatica que anda de baxo de su nombre con tan facil disposicion para los principiantes, que hiziera escurecer todas las de mas artes desta materia si nó huviera la oposicion de la embidia, y del interes.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Frutuoso da Madre de Deus

Fr. FRUCTUOSO DA MADRE DEOS chamado no seculo Fructuoso Sequeira natural de Monte Mor o Velho do Bispado de Coimbra, e filho de Gallor de Mendanha nobre ramo da Familia deste apellido, e de Maria de Sequeira. Como era dotado de estatura agigantada, forças buscas, e animo destemido mostrou em varias ocasioens que ninguem por mais valente que fosse, podia resistir à sua espada, porém illustrado de superior impulso empregou a sua valentia contra si mesmo buscando huma Religiaõ austera, e penitente, qual foy a dos Carmelitas Descalsos onde recebendo o habito no Convento de Nossa Senhora dos Remedios desta Corte 29. de Agosto de 1604. quando contava vinte e quatro annos de idade professou solemnemente a 8. do dito mez do anno seguinte. Para domar o seu robusto corpo se armou de rigurosas mortificaçoens com que brevemente o reduzio às leys do espirito, alcançando pelo exercicio de virtudes heroicas o respeito, e veneraçaõ dos seus domesticos. Foy Prior dos Conventos de Cascaes, Evora, e Vianna fazendo observar exactamente os preceitos do seu Instituto. Sendo convidado pelo Prior do Bussaco para assistir à Dedicaçaõ da Igreja desta Carmelitana Thebaida que se celebrou 3. de Mayo de 1639. com tanto fervor se afeiçoou à vida erimitica que nella passou o largo espaço de doze annos com grande admiraçaõ dos seus austeros habitadores dos quais era vigilante emulo assim em o continuo exercicio da Oraçaõ como das penitencias com que macerava a corpo. Impossibilitado por hum acidente de parlezia naõ continuou a assistencia do Dezerto donde passando para o Collegio de Coimbra observou até a morte contra o preceito dos Medicos a abstinencia de carne. Muitos dias antes do ultimo da sua vida revelou a alguns Religiosos que em Dorningo de Paschoa havia de morrer cujo vaticinio se vio verificado a 28. De Março de 1660 em que se celebrou esta triunfante, e gloriosa solemnidade quando contava 80. annos de idade e 56. de Religiaõ. Compoz.

Caderno dos santos custumes de que devem uzar os Ermitaens deste santo Dezerto do Bussaco no Convento, e nas Ermidas. Esta Obra se conserva M. S. em varios Treslados em Bussaco a qual serve de intruçaõ aos seus habitadores para tudo quanto nelle devem obrar; podedo gloriarse o Padre Fr. Fructuoso de ser o primeiro que reduzio a methodo este celestial Instituto, cujos preceitos moderou depois a prudencia de alguns Prelados por serem impracticaveis à fragilidade da natureza humana.

Tratado da Familia dos Mendanhas, de que elle descendia. Desta Obra faz memoria o Padre D. Antonio Caetano de Souza Apparat à Hist. Gen. da Caz. Real Portug. p. 109. §. 115. onde erradamente escreve que seu Author morrera a 20. de Abril de 1658. sendo a 28. de Março de 1660. como deixamos escrito por informaçaõ do Reverendo Padre Fr. Francisco de Santa Maria actual Chronista dos Carmelitas Descalços deste Reyno, a cuja deligencia devemos as noticias dos Authores desta Sagrada Reforma. Delle se lembra Fr. Ioaõ do Sacramento no 2. Tomo da Chronic. dos Carmel. Descalsos da Prov. de Portug. liv. 5. cap. 23. §. 533.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]