Félix José da Costa

FELIX JOZÉ DA COSTA  naceo em Lisboa a 20 de Novembro de 1701, sendo filho de Joaõ da Costa de Brito, e Catherina Luzia Freire de Andrade. A natureza o dotou de engenho penetrante para brevemente comprehender os preceitos da Grammatica, Tropos da Rhetorica, primores da Poesia, argucias da Filosofia, e mysterios da Theologia. Naõ teve menor talento para examinar as difficuldades do Direito Cesareo, a que se applicou na Universidade de Coimbra, onde com admiraçaõ de todos os Cathedraticos defendeo Conclusoens aos Titulos De Jure Codicilloru, et Cod. de Crimine expilatae haereditatis, cujos pontos estavaõ fabricados com engenhoso artificio de figuras Musicas, e Mathematicas, e diversos Acrosticos, que claramente indicavaõ a noticia que tinha destas Faculdades. Depois de fazer Formatura em Jurisprudencia Civil no anno de 1727. passados dez annos foy approvado pelo Dezembargo do Paço para administrar os lugares merecidos à sua sciencia legal. Publicou as seguintes obras

Crise à Carta Critica que fez certo Anonymo Castelhano sobre o Soneto Ramos cortou reaes com a soluçaõ aos reparos criticos, e com a exposiçaõ do Soneto. Lisboa por Pedro Ferreira Impressor da Serenissima Rainha N. Senhora. 1737. 4.

O Imineo dos Menezes, e Castros novo Poema da Voda do VI. Conde da Ericeira o Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor D. Francisco Rafael Xavier de Menezes, com a Illustrissima, e Excellentissima Senhora D. Maria Josefa da Graça e Noronha, filho dos Illustrissimos, e Excellentissimos Marquezes do Louriçal, e filha dos Illustrissimos, e Excellentissimos Marquezes de Cascaes. ibi pelo dito Impressor. 1740. 4. Consta de cento e trinta Outavas.

Nova Statua ex Epigrammatum salibus libellus 1. Ulyssip. Typis Petri Ferrerij August. Reg. Typog. 1741. 4.

Ostentaçaõ pelo grande talento das Damas contra seus emulos. Lisboa pelo dito Impressor. 1741. 4.

Outeiro de Apollo, e das Musas em aplauso do Reverendissimo Padre Mestre Doutor Fr. Salvador Correa de Sá, Leitor jubilado em Theologia, Consultor do Santo Officio, e da Bulla da Santa Cruzada, e Examinador das Tres Ordens Militares. Sendo eleito Geral dos Preclarissimos Monges de S. Jeronymo em 16. de Abril de 1742. Lisboa por Jozè da Sylva da Natividade. 1742. 4. Consta de diversas Glosas.

Obras M. S.

Elogios Latinos em competencia dos que compoz o P. Luiz Giuglaris da Companhia de JESUS.

Epigrammata Sacra. Tem por Titulo Divino sub Sole novum insolitumque Poema. O Verbo Divino, ou Redempçaõ do homem. Poema Heroico.

Nova Statua Epigrammatum libellus 2.

Desafio Poetico com todos os mayores Poetas. A primeira parte tem já as licenças para a impressaõ.

Biblia Sacra interpretada desde o primeiro Capitulo em obsequio da Conceiçaõ de Nossa Senhora. Consta de muitos volumes.

Musica revelada do Contraponto à composiçaõ, que comprehende varias Sonatas de Cravo, Viola, Rebeca, e varios Minuetes, e Cantatas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Félix de Jesus

Fr. FELIX DE JESUS. Naceo em Lisboa, e no Convento de N. Senhora da Graça recebeo o Habito de Eremita Augustiniano, com o qual partio para a India com a Missaõ que a Provincia mandava em o anno de 1605. Depois de professar no Convento de Goa, e estudar as Letras Sagradas, e Profanas se dedicou com grande disvello a investigar as noticias da sua Ordem, em cuja laboriosa occupaçaõ depois de consumir muitos annos morreo no Convento de Goa no anno de 1640. Escreveo

Chronica da Origem, e progressos da Congregaçaõ da India dos Eremitas de Santo Agostinho desde o anno de 1572. atè o de 1637. em que comprehende os successos do mesmo Estado. fol. M. S. Conserva-se na Livraria do Convento da Graça desta Corte. Delle faz mençaõ Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. F. n. 1. Afirmando que ignorava o que tinha composto, e Fr. Ant. à Purificat. de Vir. Illustrib. Ord. D. Aug. lib. 3. cap. 6.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Félix do Espírito Santo

Fr. FELIX DO ESPIRITO chamado no seculo Manoel Pitta Calheiros naceo na Cidade do Porto sendo filho de Joaõ de Almeida Pitta, e Izabel Soares. Applicou-se na Universidade de Coimbra à faculdade do Direito Civil, em que tomou o gráo de Bacharel, e podendo pela viveza do engenho, e felicidade da memoria seguir as Cadeiras, preferio ao applauso, que lhe podia resultar das suas letras, abraçar o austero instituto de Agostinho Descalço recebendo o Habito no Convento de N. Senhora da Conceiçaõ do Monte Olivete situado fóra dos muros de Lisboa a 14. de Julho de 1680. e professou a 28. de Agosto do anno seguinte. Foy Religioso muito observante, e naturalmente inclinado à Poesia, que sempre dedicou a Assumptos Sagrados, como o publicaõ as obras seguintes, que em seu poder conserva o Reverendo Padre Mestre Fr. Estacio da Trindade de quem jà se fez mençaõ em seu lugar, com intento de as fazer publicas pela impressaõ.

Auto ao Nacimento de Christo. Interlocutores os quatro Elementos. Auto da Circumcisaõ. Interlocutores o Padre Eterno, Homem, Anjo, Demonio.

Auto dos Tres Reys Magos. Interlocutores estes Tres Principes, e Herodes.

Auto da Fugida do Egipto. Interlocutores N. Senhora, S. Jozè, duas Siganas, e dous Soldados.

Auto das Lagrimas do Menino Deos.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Félix de Azevedo da Cunha

FELIX DE AZEVEDO DA CUNHA Capitaõ do Terço da Armada Real naõ menos versado nos preceitos da Milicia, que da Poetica, publicou

Patrocinio empenhado pelos clamores de hum prezo dirigido ao Senhor Luiz Cezar de Menezes Governador, e Capitaõ General do Estado do Brasil. Lisboa por Valentim da Costa Deslandes Impressor d’El Rey 1706. 4. Consta de deseseis Outavas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Feliciano de Oliva e Sousa

FELICIANO DE OLIVA E SOUSA natural do lugar do Tojal situado em o Conselho de Satam distante tres legoas para o Nacente da Episcopal Cidade de Vizeu onde teve por pays a Feliciano de Oliva, e Catherina de Souza igualmente virtuosos, e opulentos. Tendo aprendido as letras humanas se applicou ao estudo do Direito Pontificio em a Universidade de Coimbra, em que recebeo o gráo de Doutor com grande applauzo dos Cathedraticos. A integridade dos costumes acompanhada da profundidade das letras o fizeraõ digno de ser Visitador, e Vigario Geral do Bispado de Elvas, donde passou a ser Auditor, e Vigario Geral da Curia Bracharense no tempo que governava esta Augusta Metropole o Illustrissimo D. Aleixo de Menezes. O mesmo ministerio exercitou no Bispado de Vizeu, quando possuia esta Mitra D. Fr. Joaõ de Portugal, e ultimamente foy Governador do mesmo Bispado por morte de seu Prelado D. Fr. Bernardino de Sena tendo a mesma occupaçaõ em o Bispado de Lamego. Querendo consagrar a Deos a fazenda, que possuia, se resolveo fundar hum Convento na sua patria para Religiosas Dominicas, e vencidas diversas difficuldades que se levantaraõ contra taõ santo intento alcançada faculdade Real em 15. de Mayo de 1638. e a Pontihcia a 27. de Mayo de 1640. se começou a habitar o Convento dedicado a N. Senhora de Oliva, em cuja Capella mór descansaõ as suas cinzas. Deixou para ornato do Templo grande copia de peças de prata, e de preciosos ornamentos satisfazendo-se unicamente em memoria de ser seu Fundador com os Suffragios annuaes da primeira Missa do Natal, a da Festa do Espirito Santo, e da Annunciaçaõ da Virgem Maria, pela sua alma. Joaõ Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. F. n. 5. o intitula Practica jurisprudentiae nominatisimus; vir doctus, & pius. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 278. col. 2. docte quidem post innumeros disputavit de Ecclesiasticae, & saecularis potestatum viribus, concursuque. D. Franc. Manoel na Carta dos AA. Portug. escrita ao Doutor Manoel Themudo da Fonseca. Struvio Bib. Jur. select. pag. 336. Carvalho Corog. Portug. Tom. 2. Trat. 5. cap. 21. Fr. Lucas de Santa Catherina Hist. de S. Doming. da Prov. de Portug. Part. 4. liv. 2. cap. 35. Compoz

Tractatus de Foro Ecclesiae materiam utriusque potestatis spiritualis scilicet, & temporalis principaliter respiciens, in quo utriusque fori Ecclesastici, & saecularis plures quaestiones, quae, quotidie incidunt in praxim, disputantur, ac resolutionem accipiunt in tres partes divisus. Prima pars. Conimbricae apud Emmanuelem Carvalho. 1649. fol.

Pars secunda. ibi per eundem Typog. 1650. fol. No fim desta Parte promete a Terceira, a qual sahio com as duas precedentes. Coloniae Allobrogum apud Leonardum de Chovet. 1678. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]