Vasco Martins de Lucena

VASCO MARTINS DE LUCENA, de quem fazia muita estimaçaõ o Infante D. Pedro, filho delRey D. Joaõ I. pela profunda intelligencia que tinha das letras sagradas, e profanas. Por insinuaçaõ deste Principe traduzio para instruçaõ de D. Affonso V. quando era menino.

Instruçaõ de Principes. M. S.

O Original escrito em pergaminho conservava em seu poder D. Vicente Nogueira, de quem brevemente se fará mençaõ.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Vasco Martins Segurado

VASCO MARTINS SEGURADO, natural da Cidade de Elvas, Freire Conventual da Militar Ordem de S. Bento de Aviz, e Prior da Igreja de Santo André de Contreiras. Foy muito perito em Direito Canonico, e Theologia moral. Compoz

Apologia sobre os Direitos parochiaes da quarta funeral em hum letigio, que teve sobre lhe pertencer, e de huma sua orelha que foy a sepultar no Convento de S. Francisco de Estremoz. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Vasco Mouzinho de Quevedo e Castelo Branco

VASCO MOUSINHO DE QUEVEDO E CASTELLO-BRANCO. Naceo na Villa de Setubal, sendo filho de Francisco Mousinho. Na Universidade de Coimbra se aplicou ao estudo da Jurisprudencia Canonica, e Civil, e em ambas sahio eminente. Soube com perfeiçaõ as lingoas Espanhola, e Italiana. Na Poezia assim vulgar, como Latina mereceo distinctos aplausos competindo o enthusiasmo com a elegancia da metrificaçaõ. Entre os celebres Poetas da Lusitania o collocou Jacinto Cordeiro Estanc. 12. Dizendo

Vasco Mousiño con valiente ensayo

Del muerto Alphonso aplaude los pendones,

Que fue del Arte fulminante rayo,

Camoens segundo en muchas opiniones:

Quexoso en su alabança me desmayo;

Marcial lo dixo en muchas ocasiones;

Repetilo por el, que en tantas penas

Marones sobran, faltan los Mecenas.

Semelhantes elogios lhe dedicaõ Macedo Lusit. Liber. Prooem. I. §. 2. n. 23. Faria Europ. Portug. Tom. 3. Part. 4. cap. 9. n. 27. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 260. col. 1. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. V. n. 8. P. Antonio dos Reys Enthus. Poet. n. 39. Compoz

Discurso sobre a vida, e morte de Santa Isabel Rainha de Portugal, e outras varias Rimas. Lisboa por Manoel de Lyra 1596. 4. Consta de hum Poema de 6 Cantos. Depois seguem-se varios Sonetos, Rythmos, Emblemas, e Romances a diversos assumptos.

Affonso Africano. Poema Heroico. Consta de 12 Cantos, onde celebra as Conquistas de Arzilla, e Tangere feitas por ElRey D. Affonso V. Lisboa por Antonio Alvares 1611. 12. O juizo que fez deste Poema o grande Manoel de Faria e Sousa no Coment. das Lusiad. de Camoens. Cant. 2. Estanc. 103. he o seguinte. Esta obra, que despues della en este genero nò conocemos otra en orden, imitacion, facilidad, y muestras de juicio.

Triunfo del Monarca Filippe III. en la felicissima entrada de Lisboa. ibi por Jorge Rodrigues 1619. 4. Consta de 6 Cantos em 8. rima.

Elegia em louvor de Pedro Barbosa de Luna, estampada em o Tratado de Judiciis de seu Tio o insigne Pedro Barbosa. Começa.

Gratulor immenso tantis quod proficis orbi

Divitiis patriae gloria, honore tibi. Sahio impressa ao principio daquelle Tratado.

Dialogos de varia doutrina. fol. M. S. Conservavaõ-se na Livraria do Illustrissimo D. Rodrigo da Cunha como consta do Index della impresso no Porto por Joaõ Rodrigues 1627. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Padre Vasco Pires

P. VASCO PIRES, natural da Cidade de Elvas na Provincia Transtagana filho de Vasco de Alcantara, e Margarida Pires, entrou na Companhia de Jesus quando contava quatorze annos em o Noviciado de Coimbra a 15 de Agosto de 1560 para ser exemplar de virtudes heroicas. Estudadas as sciencias severas foy Mestre das lingoas Grega, e Hebraica, porém vendo os Superiores a exaçaõ com que observava os preceitos do instituto, o nomearaõ Mestre dos Noviços que exercitou pelo espaço de doze annos, de cuja virtuosa cultura brotaraõ aquellas novas plantas em multiplicados frutos para beneficio da Religiaõ. A austera mortificaçaõ do corpo competia cõ a vigilante cautella dos sentidos fallando pouco, e orando muito até que cumulado de merecimentos partio da vida caduca a gozar a eterna a remuneraçaõ delles a 21 de Setembro de 1590, em a Casa professa de Lisboa, quando contava 44 annos de idade, e 30 de Religiaõ. Delle fazem illustre memoria Bib. Societ. pag. 776. col. 1. Franco Imag. da Virt. do Colleg. de Coimb. Tom. 1. liv. 3. cap. 17. até 26. Hist. Societ. Jesu. Part. 5. lib. 10. n. 153. Taner. Societ. Asiatic. p. 361. Compoz

Liçaõ espiritual do Nacimento de Christo N. S. para a Noite do Natal. Roma por Diogo Varesi 1675. 4. Começa. Chegada a Virgem Senhora; &c. No principio está o Retrato do seu Author com os Noviços de que foy Mestre muitos annos, aos quaes lhe está mostrando o Presepio, onde se adora a Christo nacido, e tem por baixo esta inscripçaõ. P. Vascus Pires Lusitanus è Societate Jesu eximiis virtutibus venerabilis; diu praefuit Novitiis quibus peculiarem cultum erga Christi Infantis Natalem in Lusitania primus instillavit, & per totam Provintiam propagavit. Beatissimam Virginem amore flagrantissimo prosecutus ab illa vicissim magnis favoribus est cumulatus. Desiderio sane impatienti Deum videndi succensus ad ipsum migravit Ulyssipone 21 Septembris 1590 anno aetatis 44 Societ. 30. Profes. 13. Ejus corpus sexenium post integrum cum vestibus repertum est. Sahio segunda vez impressa a Liçaõ espiritual no Compendio da Paixaõ de Christo, tirado das Meditaçoens do Ven. Fr. Luiz de Granada. Lisboa por Joaõ Galraõ 1676. 12.

Duas Cartas. Escrita a primeira do Porto a 10 de Fevereiro de 1590 ao Reitor de Coimbra, e a segunda de Gasconha ao dito Reitor. Sahiraõ impressas na Vida que do P. Vasco Pires compoz o P. Franco no lugar assima citado a pag. 593. e 595.

Exercicios da Vida Christã divididos por horas. M. S. 8. Conserva-se na Livraria do Convento de Aviz dos Freires da Ordem militar de S. Bento.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Vasco de Sousa

VASCO DE SOUSA. Naceo na Villa de Aveiro do Bispo de Coimbra em o 1 de Novembro de 1584. Foraõ seus claros Progenitores D. Henrique de Sousa, e D. Mecia de Vilhena primeiros Condes de Miranda do Corvo. Na idade de 18 annos foy admitido a Porcionista do Real Collegio de S. Paulo de Coimbra a 9 de Setembro de 1602, onde aplicado á sagrada Faculdade de Theologia fez nella admiraveis progressos. Depois de ser Conego das Cathedraes de Braga, e Evora, foy Magistral em a de Coimbra provido a 5 de Janeiro de 1615, onde subio a Reitor da Universidade desta Cidade por provizaõ de Filippe III. passada a 13 de Janeiro de 1618, cujo lugar administrou poucos mezes fallecendo intempestivamente a 25 de Junho do dito anno quando contava a florente idade de 34 annos. Fazem delle honorifica memoria Manoel de Sousa Moreira Theatr. Gen. da Cas. de Sousa. p. 792. D. Jozé Barbosa Mem. Hist. do Colleg. Real de S. Paulo. p. 278. e no Archiat. Lusit. p. 89.

Vasicus erit gentis Sousanae clara propago

Invida sed rapiet tenerà Libitina juventa

Duraque praecidet generosa ex arbore ramum.

Compoz

Sermaõ na Cidade do Porto no Collegio de S. Lourenço da Companhia de Jesus na festa do B. Ignacio seu Patriarca, e Fundador aos 31 de Julho de 1614. Coimbra por Diogo Gomes de Loureiro 1614. 4.

Em aplauso deste Sermaõ lhe fez hum elegante epigramma o Padre Affonso Mendes Mestre de Theologia no Collegio de Coimbra que depois foy Patriarca da Etiopia, o qual se póde ler nas Mem. Hist. de S. Paulo. a p. 278.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]