Zacuto Lusitano

Zacuto Lusitano, famoso Filosofo, e celebre Medico naceo no anno de 1575 em a Cidade de Lisboa, a qual intitula lib. 4. Hist. 46. Quaest. 42. dulcissimam. Na primeira idade deu claros argumentos da agudeza do engenho, e felicidade da comprehensaõ para se instruir assim nas letras humanas, como nas faculdades de Filosofia, e Medicina, nas quaes fez taõ agigantados progressos em as Universidades de Coimbra, e Salamanca, que antes de ter completos dezanove annos de idade recebeo a borla doutoral na faculdade da Medicina em a Universidade de Siguença. Voltando á patria exercitou a Medicina pelo largo espaço de trinta annos, devendolhe igual cuidado os pobres, e humildes, que os grandes, e poderosos, usando felizmente de hum methodo com que triunfava das enfermidades mais rebeldes, por cujos motivos mereceo geral estimaçaõ. Como era oculto professor dos ritos de Sinagoga receando que fosse punido pelo rectissimo Tribunal do Santo Officio, fugio clandestinamente para Amsterdaõ, onde se circumcidou no anno de 1625, quando contava 50 de idade. Nesta Cidade passou o restante da vida ocupado no exercicio da Medicina pratica, e na composiçaõ dos seus doutos livros até fallecer em o primeiro de Janeiro de 1642 com 67 annos de idade deixando do seu nome abominavel memoria pela apostasia, assim como o mereceo illustre pelas suas obras Medicas, das quaes saõ Panegyristas muitos, e celebres Escritores, como saõ Daniel Beckero Lente de Prima da Universidade Regiomontana intitulando o Magnus Medicorum Princeps. Bento de Castro, Medicae scholae splendor, & gloria. Othaõ Keurnio Mestre da Anatomia em a Universidade de Leiden. Medicorum nostri aevi celeberrimus. Balthazar de Azeredo, Lente de Prima da Universidade de Coimbra. Medicinae Phaenix. Joaõ Antonio Segismundo Lente de Prima da Universidade Cracovia. Fulgor saeculi nostri, & optimarum disciplinarum magnus, gravisque Magister. Christovaõ da Veiga. Medicae Artis Athlas fortissimus… inter peritissimos nostrae aetatis duces coriphaeos primipilus, sanitatis columna. Francisco Modragon Cathedratico de Vespera em Salamanca Phebeae facultatis micantissimus radius. Antonio Remington Physico mór delRey de Inglaterra colendissimum Medicorum decus, vir multijagae lectionis suae omnigenae. Manoel Richardo. Summae Medicinae antistes, & fortissimus dux. Joaõ Isaac Pontano Historiador delRey de Dinamarca. Clarissimus, atque excellentissimus vir, Medicinae doctor celeberrimus. Venderlinden Manud. ad Med. Vir aprime doctus, & in bonorum Auctorum lectione versatissimus. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 256. col. 1. Medicce artis operas adeo strenue, ac feliciter spatio triginta annorum indigentibus exhibuit, ut eloquentiae simul, & judicii, multiplicisque, ac nusquam cessantis doctrinae laudem indefessa studiorum contentione perceperit. Bartol. Bib. Rabin. Tom. 2. p. 808. morbos, qui aliis videbantur incurabiles ipse mira felicitate, & facilitate curavit. O Doutor Vega Medico em Hamburgo lhe fez o seguinte epigramma

Miraris! mirare magis Zacutus acutus

Paucis in chartis dogmata rara refert.

Magna illi ingenii vis est, sapientia mira

Aeternum medica nomen in arte feret.

O seu Retrato se vè animado nas suas obras com esta inscripçaõ

En Zacutum Lusitaniae fulgidum sydus plagae,

Principum chori medentum, saeculi miraculum.

Compoz

De Praxi medica admiranda libri tres in quibus exempla monstruosa, rara, nova, mirabilia circa abditas morborum causas, signa, eventus, atque curationes exhibita deligentissime propugnantur. Amstelodami apud Henricum Laurentium. 1634. 8.

De Medicocum Principum historia libri sex in quibus medecinales omnes Medicorum Principum historiae utili, & compendioso ordine dispositae proponuntur paraphrasi, & commentariis ennarrantur, disputationibus, dubiis & Auctoris peculiaribus observationibus illustrantur; liber primus. Amstelodami apud Joannem Federicum Stam 1629. 8. ibi apud Henricum Laurent. 1637. 8. & Lugduni apud Antonium Huguetan, & Marcum Antonium Revaud. 1649. 8.

De Medicorum Principum historia liber secundus in quo medicinales omnes Medicorum Principum Historiae de vitalium, & naturalium partium affectibus proponuntur, narrantur; quaestionibus dubiis, & observationibus illustrantur. Opus varia, & utili doctrina refertum in eo Principum placita à Neotericorum calumniis vindicantur. Amsterlodami apud Henr. Laurent. 1636. 8.

De Medicorum Principum historia liber tertius, ibi de uteri, & genitalium, & inferiorum partium affectibus historiae describuntur, & compendiose explanantur. ibi apud eumdem Typog. 1637. 8.

De Medicorum Principum historia liber quartus ubi de febrium essentia, diferentiis causis, signis prognosi & curatione historiae explanantur. ibi per eumdem Typog. 1637. 8.

De Medicorum Principum historia lib. 5. in quo de venenis, morbis venenosis, & antidotis historiae graphice explanantur. ibi apud eumd. Typ. 1638. 8.

De Medicorum Principum Historia lib. 6. in quo medicinales omnes Med. Princip. Historiae proponutur qui in superioribus libris certam sibi sedem non determinarunt. ibi apud eumdem Typog. 1638. 8.

De Medicorum Principum historia lib. 7. in quo proponitur curatio omnium morborum internorum. ibi apud eumd. Typ. 1641. 8. Addita est Pharmacopea, & introductio ad Praxim ejusdem. De Medicorum Principum historia liber 8. in quo proponitur curatio morborum, qui partes naturales, & vitales in festant. Ibi apud eumdem Typog. 1641. 8.

De Medicorum Principum historia lib. 9. in quo proponitur curatio muliebrium morborum. ibi apud eumd. Typog. 1624. 8.

De Medicorum Principum historia, liber 10. in quo proponitur curatio morborum, qui vasa, & corpus opprimunt. ibi apud eumd. Typog. 1642. 8.

Todas estas obras sahiraõ em dous volumes de folha. Lugduni apud Joannem Antonium Huguetan, & Marcum Antonium Raveud 1649. & ibi per eosdem Typog. 1657. fol.

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De Chirurgicorum Principum historia.

De Regimine Principum.

De Juniorum Medicorum in Theoria, praxi erroribus.

De Medica doctrina selecta.

Hyppocratis, & Galeni Epitome.

Epistola ad Joannem Beverovicium calculos non gigni in substantia, sed in cavitatibus renumn. Fernelii hallucinatio. Diffcilis calculorum curatio remedia praestantissima. Lugd. Batav. apud Elzevirios 1638. 12. Sahio no Tract. de Calculis Joannis Beverovicii.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Frei Zozimo de Alvor

Fr. Zozimo de Alvor, apelido que tomou desta Villa, situada no Reino do Algarve, e hoje titulo de Condado por nella ter sahido á luz do mundo. Foy Monge Cisterciense. e muito perito nos sagrados Canones, e Theologia Moral. Escreveo

De Benificiis Ecelesiasticis. fol. M. S. Conserva-se na Livraria do Real Convento de Alcobaça, cabeça da Familia Cisterciense neste Reino.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Leonel da Costa

LEONEL DA COSTA nasceo em a notavel Villa de Santarem no anno de 1570. Foraõ seus Progenitores Domingos da Costa, e Catherina Vaz. Ainda que professou a vida militar nunca interrompeo o comercio com as Musas que sempre experimentou benevolas para todo o genero de metrificaçaõ. Teve profunda intelligencia das linguas Grega, e Latina, como vasta liçaõ dos Poetas. Conciliou as estimaçoens de todos que participavaõ da sua conversaçaõ igualmente judiciosa, e jovial. Casou com Francisca Rodrigues da Serra sua parenta a 8. de Mayo de 1594. Falleceo na sua patria a 28. de Janeiro de 1647. quando contava 77. annos de idade. Jaz sepultado na Parochial Igreja de S. Juliaõ junto da Capella de N. Senhora da Piedade da parte do Evangelho em sepultura raza, onde descançaõ os corpos de seus pays com o seguinte epitafio

Carnis resurrectionem expectantia hic jam pulvis quiescunt ossa Dominici Ácosta ac ejus charissimae, & vitae integerrimae confortis Catherinae Vasiae, amborum que filij Leonelli Ácosta, at que Franciscae Rodericae Serranae ejus unicae uxoris, & haeredum.

Fazem delle memoria Joan. Soar. de Brito Teatr. Lusit. Lite. Lit. L. n. 10. D. Franc. Man. Cart. dos AA. Portug. ao Doutor Themudo, e Vasconsellos Hist. De Sant. Edific. Part. 2. pag. 254. Compoz.

Eclogas de Virgilio, e Georgicas traduzidas em Verso solto Portuguez, e commentadas nos lugares dificultozos. Lisboa por Giraldo da Vinha 1624. fol. A esta obra faz a seguinte Censura o Mestre Fr. Thomaz de S. Domingos da Ordem dos Pregadores Qualificador do Santo Officio Ao qual naõ quero por nome de traduçaõ somente, mas eu lhe chamo nova composiçaõ, e livro novo, porque como he em Verso, e taõ dificultozo, como os peritos na Arte da Poetica podem ver, bem se collige da sua dificuldade ainda quanto á materia, porque he muito dificultozo aplicar a fraze Grega, e Latina á nossa materna lingua Portugueza, no que o Author se mostra naõ só bom Latino, mas bom Grego, cousa taõ nova em nossos tempos. O Commento do livro está cheyo de varias humanidades, e muitas curiosidades que ainda, que fabulosas, naõ será o tempo, que se nellas gastar ocioso, porque álem de sua elegante, e subtil liçaõ tem muito aparelho para o nosso engenho se exercitar nas divinas verdades &c.

Conversaõ miraculosa da felice Egypciaca penitente Santa Maria sua vida, e morte. Lisboa por Giraldo da Vinha 1627. 8. & ibi por Pedro Vancibecerspel 1674. 8. Consta de Redondilhas.

Comedias de Terencio Aphricano traduzidas de Latim em Verso solto Portuguez com a ordem, e construçaõ do Latim á margem, palavra por palavra. 4.  M. S. O original conserva meu irmaõ D. Jozé Barboza Clerigo Regular, e Chronista da Serenissima Casa de Bragança.

Obras do Padre Fr. Jeronymo Savanarola de Ferra da Ordem dos Prégadores, traduzidas da Lingua Latina em a Portugueza. fol. M. S. Conserva-se em poder de Rodrigo Xavier Pereira de Faria patricio do Author a cuja erudiçaõ deve a Bibliotheca Lusitana selectas noticias.

Ordens da Cavallaria compostas e offerecidas por Federico Grisano Neapolitano ao Cardeal Hipolito de Este de Ferrara traduzido de Italiano em Portuguez por Leonel da Costa onde se ensina a mandar, e conhecer os cavallos, e dedicado a D. Joaõ Mascarenhas. fol. M. S. Conserva-se na Livraria do  Illustrissimo e Excellentissimo Conde de Castellomelhor.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Frei Leonardo de Viseu

Fr. LEONARDO DE VIZEU cujo apelido tomou por sua patria que lhe deu o berço. Professou o instituto Serafico na Provincia Capucha da Piedade onde se distinguio dos seus domesticos na intelligencia da Sagrada Escritura, e liçaõ dos Santos Padres. Compoz.

Firmeza da Fè, e confusaõ do Judaismo fol. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Padre Leonardo de Sousa

P. LEONARDO DE SOUZA nasceo em Lisboa a 12 de Setembro de 1705 sendo natural de Lisboa, e filho de Manoel de Souza Pereira, e Luiza Maria. Recebeo a roupeta de S. Filippe Neri em a Congregaçaõ da Cidade de Vizeu a 14 de Julho de 1726. e em taõ virtuosa palestra aprendeo o exercicio das Sciencias, e das virtudes. Compoz.

Epitome Carmelitano Historico, e ascetico para universal noticia dos Veneraveis Irmaõs Terceiros, e para especial memoria de algumas prerogativas, graças, e beneficios, privilegios, e maravilhas que em toda a Carmelitana Ordem se admiraõ. Lisboa 1739. 8. sem nome do Impressor.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]