Leonardo Pereira

Leonardo Pereyra natural de Lisboa, e muito versado na metrificaçaõ da Poesia Vulgar publicando entre muitas obras metricas que tem composto.

Ao feliz sucesso com que Sua Magestade fez sua jornada suspendendo o Inverno o rigoroso impulso com que tinha começado atè se recolher a Corte com bom tempo. Consta de hum Soneto glozado. Nao tem anno da impressaõ sendo certamente em o de 1728. em o qual se celebraraõ no Caya os augustos despozorios  dos Principes do Brasil, e das Asturias para cujo efeito partio o nosso Serenissimo Monarcha ao lugar destinado para esta funçaõ.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Leonardo Pais

LEONARDO PAEZ nasceo na Aldea de Gandaulin junto da Cidade de Goa Capital do Estado Oriental Portuguez a 17. de Fevereiro de 1662. sendo filho de Bartholameu Paez, e Paula da Cunha. Foy Licenciado em os Sagrados Canones, e descendente (como elle escreve) dos Reys de Sirgarpor, Vigario da Igreja de S. Thomé da Cidade de Goa, Prothonotario Apostolico, e muito perito na Historia politica, e natural da Asia. Falleceo a 11. de Março de 1715. com 53. annos e 22. dias de idade. Jaz sepultado na Igreja de S. Braz com o seguinte epitafio. Sepultura do Licenciado Leonardo Paez Proto-notario Apostolico, Notario de Sua Santidade, e Vigario da Igreja de S. Thomé, e de seus Pays, e Irmaõs descendentes dos Reys de Sirgarpor. Compoz, Promptuario das Difiniçoens Indicas deduzidas de varios Chronistas da India, graves Authores, e das Historias Gentilicas, contem 6. Tratados. O 1. demostra as qualidades, e excellencias da India. Publica o 2. os seus Reys, Reynos, e divisaõ: as qualidades da gente declara o 3. O 4. Indica algumas noticias acerca do que se diz do Cheriperimale, e de outras antiguidades O 5. manifesta a vinda do Apostolos. S. Thome á India, e os prodigios, que nella obrou O 6. finalmente a do Apostolo, e Nuncio della S. Francisco Xavier. Lisboa por Antonio Pedrozo Galraõ 1713. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Padre Leonardo Nunes

P. LEONARDO NUNES filho de Simaõ Alvares, e Izabel Fernandes, nasceo na Villa de S. Vicente do Bispado da Guarda. Recebeo a roupeta da Companhia de JESUS em o Collegio de Coimbra a 6. de Fevereiro de 1548. e sahio de Lisboa em o primeiro do dito mez do anno seguinte na frota em que hia por Governador do Brasil Thomé de Sousa com o Padre Manoel Pires, e Diogo Jacome, e Vicente Rodrigues Irmaõs Leigos, dos quaes era Superior o apostolico varaõ o P. Manoel da Nobrega. Ao tempo que aportaraõ estes operarios Evangelicos se achava o Brasil reduzido a Babilonia de vicios vivendo os Christaõs como Gentios. Informado o Padre Nobrega que os moradores da Capitania de S. Vicente distante ao Sul da Bahia duzentas, e quarenta legoas necessitavaõ de directores para a vida eterna mandou ao Padre Leonardo Nunes o qual animado de ardente zelo colheo de taõ inculta terra copiosos frutos devendo-se á eficacia das suas vozes deixarem huns os concubinatos, frequentarem outros os Sacramentos, que por espaço de trinta, e quarenta annos naõ recebiaõ, e serem restituidos os Carijos à sua liberdade injustamente tyranizada pelos seus chamados Senhores. Naõ obrou menos o seu incansavel espirito na conversaõ dos Tamoyos domesticando a sua fereza como tambem atrahindo na Alagoa dos Patos cem legoas distante da Capitania de S. Vicente a innumeraveis barbaros que sómente na figura se distinguiaõ dos brutos, ao suave jugo do Evangelho. Intentando hum sacrilego despojalo da vida, ao descarregar o golpe lhe ficou suspenso o braço. Como fossem passados seis mezes da cultura Evangelica, e quizesse dar noticia dos seus progressos o Padre Nobrega a Santo Ignacio foy mandado a Roma o Padre Leonardo Nunes para que o informasse de tudo quanto tinha obrado em obsequio da Christandade. Embarcado em hum navio naufragou com outros muitos companheiros a 30. de Junho de 1554. cuja tragica morte foy universalmente sentida. Fazem delle honorifica memoria Cardozo Agiol. Lus. Tom. 3. pag. 882. e no Com. de 30. de Junho let. B. Orland. Hist. Societ. lib. 9. n. 73. e lib. 11. num. 61. Telles Chron. da Comp. de Jes. da Prov. de Portug. Part. 1. liv. 3. cap. 10. §. 2. e 4. Vasconfel. Chron. da Prov. do Brasil da Comp. de Jes. liv. 1. n. 24. 61. e 67. Guerreiro Coroa de Esforçad. Sold. Part. 3. cap. 2. Nadasi Ann. dier. mem. S. J. Part. 1. pag. 338. Franco Imag. da Virt. do Nov. de Coimb. Tom. 2. liv. 2. cap. II. e Ann. glor. S. J. in Lusit. pag. 367. Escreveo.

Carta escrita em a Capitania de S. Vicente a 20. de Junho de 1551. aos Padres da Provincia de Portugal. Sahio impressa com outras em a lingua Italiana. Venezia por Michaele Tramezzino 1559. 8.

Carta escrita da Capitania de S. Vicente a 24. de Agosto de 1551. M. S. Conserva-se com outras na Casa Professa de S. Roque de Lisboa, e de algumas copiou grande parte o Padre Antonio Franco no lugar acima allegado principalmente a p. 195.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

D. Leonardo de São José

D. LEONARDO DE S. JOZÉ chamado no século Leonardo Sarayva Coutinho, nasceo em Lisboa em o primeiro de Janeiro de 1619. e na tenra idade de quinze annos antepoz o silencio do claustro ao tumulto da Corte recebendo o habito Canonico Augustiniano em o Real Convento de S. Salvador de Grijo, distante duas legoas da Cidade do Porto em o primeiro de Janeiro de 1634. renacendo para Deos em o mesmo dia, que para o mundo tinha nascido. Aprendidas as Sciencias severas no Collegio de Coimbra em que fez o seu talento excellentes progressos, acompanhado de D. Jozé de Christo, e de D. Antonio de Christo ambos alumnos da sua Canonica Congregaçaõ, e igualmente doutos, e virtuosos se embarcou para Hybernia com o designio de reduzir á sua primitiva observancia a celebre Congregaçaõ de S. Patricio, que militava de baixo da Canonica Regra de Santo Agostinho; porem como achasse aquella Ilha inficionada com o veneno da heresia, passou a Pariz esperando ocasiaõ que descubrisse algum arbitrio com que se conseguisse o seu intento. Todo o tempo, que assistio nesta Corte foy hospede do Marquez de Niza Embaixador desta Coroa com o qual se restituhio a Lisboa onde exercitou nove annos o lugar de Procurador Geral da sua Congregaçaõ alcançando pela afabilidade do genio, e capacidade do talento os mais graves negocios com igual utilidade da Religiaõ, como credito da sua pessoa. Foy morador no Real Convento de S. Vicente de fóra o largo espaço de 35. annos adquirindo universal aceitaçaõ no exercicio do Pulpito pelo qual foy nomeado Pregador delRey. Entre a continua ocupaçaõ dos Sermoens cultivava as Musas com taõ inocente comercio, que nunca consta contaminar as suas Poesias com algum termo indecorozo. Foy insigne na practica das Ceremonias Ecclesiasticas, sendo sempre consultado como Oraculo pelos Mestres da Capella Real, e Cathedraes do Reyno. Nos ultimos trinta annos da vida exercitou o lugar de Capellaõ de N. Senhora do Pilar que se venera em huma magnifica Capella do sumptuoso Convento de S. Vicente de fora, e com tal excesso se dedicou ao obsequio de taõ soberana Princeza, que pedio ao Pontifice huma Bulla para naõ ser obrigado a votar nas eleiçoens, e muito menos aceitar algum ministerio na Religiaõ. Observou taõ rigoroza clausura que sómente a rompeo na ocasiaõ, que acompanhou a Imagem da Senhora do Pilar quando foy levada ao Palacio de Palhavãa onde jazia gravemente inferma a Serenissima Rainha D. Maria Francisca Izabel de Saboya. Todo o tempo, que lhe restava da Oraçaõ mental, e vocal em que era continuo, e fervoroso o consumia na composiçaõ de livros asceticos com que instruia as almas para o caminho da perfeiçaõ. Correspondeo a felicidade da morte a reforma da vida, pois certificado de estar proximo o tempo de pagar o indispensavel tributo de mortal, recebeo devotamente os Sacramentos, e com saudade dos seus domesticos espirou a 28 de Fevereiro de 1703. quando contava 84. annos de idade, e 69. de Religioso taõ livre das agonias daquella fatal hora que tomando a vela ao meyo dia, a conservou na maõ até as cinco para as seis horas da tarde em que falleceo. Compoz.

Assumpto glorioso do Certame Academico dos Generosos de Lisboa em louvor da Purissima Conceçaõ de nossa Senhora Protectora deste Reyno debaxo de cuja proteçaõ conseguiraõ os Portuguezes o felicissio sucesso da Vitoria do Canal. Lisboa por Domingos Carneiro 1663. 4. Consta de Outavas.

Meditaçoens de Santa Brigida com hum tratado para antes, e depois da Comunhaõ do Padre Francisco Bermudes de Castro da Companhia de Jejus. Coimbra por Manoel Dias 1664. 12.

Aplauzos Lusitanos da Victoria de Montes Claros que tiveraõ os Portugueses contra os Castelhanos em 17. de Junho de 1665. Lisboa por Domingos Carneiro 1665. 4.

Arte da Oraçaõ sem arte para saberem orar os que naõ sabem. Lisboa por Domingos Carneiro 1668. 16.

O Divino Pelicano para sustento das almas na frequencia do Augustissimo Sacramento da Eucharistia. Lisboa por Joaõ da Costa 1670. 8.

Rozeto Augustissimo plantado no Jardim florente da Sagrada, e Apostolica Ordem Canonica. Lisboa por Domingos Carneiro 1678. 8.

Cartilha nova para ensinar com clareza, e facilidade a Doutrina Christaã. Lisboa por Antonio Leyte 1692. 16. & ibi por Joaõ da Costa 1676. 24.

Divina Aurora N. Senhora do Pilar. Lisboa por Domingos Carneiro 1677. 12.

Guia de penitentes, e modo facil de fazer huma Confissaõ Geral. Lisboa por Joaõ da Costa 1680. 12. & ibi pelo mesmo 1675. 16. e Coimbra por Antonio Dias da Costa 1655. 12. & ibi por Francisco de Oliveira Impres. da Univ. 1731. 8.

Economicon Sacro dos Ritos, e ceremonias Ecclesiasticas. Lisboa por Manoel Lopes Ferreira. 1693. 4.

Aureola da Corte Santa Tratado I. Triduo dos Panegyricos, Sacros, e felices triunfos celebrados em o Real Mosteiro de S. Vicente de fóra de Lisboa da augusta Religiaõ dos Conegos Regulares do grande Patriarcha Santo Agostinho na solemne Beatificaçaõ do triunfante Martyr S. Pedro de Arbues em 17. de Setembro de 1672. Lisboa por Joaõ da Costa 1674. 4. No Trat. 2. Comprehende a vida, e Relaçaõ da gloriosa morte do B. Pedro de Arbues traduzida em Portuguez do Castelhano em que a escreveo o Inquisidor D. Diogo Garcia de Transmiera.

Contra si faz quem mal cuida. Comedia da qual he assumpto a morte de Dona Maria Telles. Sahio com o nome de Leonardo Sarayva Coutinho.

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]

Frei Leonardo da Conceição

Fr. LEONARDO DA CONCEYÇAM natural do Lugar de Poyares do Bispado de Coimbra, e alumno da Ordem Militar de Christo que professou no Real Convento de Thomar a 7. de Dezembro de 1636. Exercitou por muitos annos o ministerio de Mestre da lingua Latina no Seminario do dito Convento onde faleceo a 15. de Janeiro de 1687. compoz, Arte de Grammatica. 4. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]