Frei Francisco da Trindade

Fr. FRANCISCO DA TRINDADE natural do Couto de Semide da Comarca de Coimbra filho do Doutor Antonio Botelho de Macedo, e D. Anna Maria de Brito. Aprendidas as primeiras letras na patria recebeo o penitente habito de S. Francisco no Real Convento de Lisboa em 20. de Abril de 1725. onde o seu grande engenho fez taõ agigantados progressos nas sciencias severas que mereceo depois de ter lido hum curso de Artes em o Convento de Guimaraens regentar a Cadeira de Prima de Theologia Moral por espaço de tres annos em o Real Convento de Mafra sustentando quatro Conclusoens publicas com naõ pequeno credito da sua litteratura, e recitando a Oraçaõ de Sapiencia no principio desta leitura em que mostrou como era egregiamente instruido na lingua Latina, e nos preceitos da Oratoria. Restituido à sua Provincia leu a Cadeira de Vespora no Convento de Santarem donde foy eleito Guardiaõ do Convento de S. Francisco da Cidade a 25. de Mayo de 1743. Tem composto.

De Sacramentis in genere. M. S.

Directorium Morale. M. S.

De Diluvio Universali. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Francisco da Trindade

Fr. FRANCISCO DA TRINDADE natural da Cidade de Lisboa onde recebendo o Habito de S. Domingos partio para a India, e no Convento de Goa depois de professo leo Artes, e Theologia em cuja Faculdade tomou o grào de Presentado. Sendo Parocho em os Rios de Sena converteo a muitos Gentios, e entre elles bautizou a dous filhos do Emperador de Monomotapa dos quaes era hum o herdeiro da Coroa Imperial devendo-se à eficacia das suas vozes animadas de zelo apostolico, que naõ somente deixassem a cegueira do Paganismo, mas que desprezassem as pompas do seculo professando o Sagrado instituto da Ordem dos Prègadores. Governava neste tempo o Estado da India o Conde da Ericeira D. Luiz de Menezes a quem ordenou a Magestade delRey D. Joaõ o V. trouxese para este Reyno em sua companhia ao Principe de Monomotapa com aquelle decoro que era divido à sua pessoa, mas como o VisoRey arribou infaustamente à Ilha de Mascarenhas no anno de 1722. onde foy despoiado pelos Piratas, entre as Pessoas que saltaraõ em terra foy o Principe que brevemente falleceo de huma grave infermidade. Restituido Fr. Francisco a Portugal assistio em o Convento de S. Domingos desta Corte sendo Prègador do Serenissimo Infante D. Francisco onde falleceo a 2 7. de Mayo de 1730. Quando foy Parocho dos Rios de Sena compoz na lingua deste Paiz.

Cathecismo, ou Confessionario necessario para uzo dos naturaes do Estado de Monomotapa. M. S. Deita obra como de seu author faz mençaõ Fr. Pedro Monteiro Claustr. Domin. Tom. 3. pag. 219.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. Francisco da Trindade

D. FRANCISCO DA TRINDADE natural da Villa de Fonte Arcada titulo de Vil condado situada em a Provincia da Beyra, filho de Antonio Ferreira, e Vitoria Antunes, Conego Regular de Santo Agostinho cujo habito recebeo no Real Convento da Santa Cruz de Coimbra a 27. de Setembro de 1616. Dictou Theologia em o seu Collegio de Coimbra em cuja Universidade foy admitido ao numero dos Doutores Theologos sendo taõ grande Letrado, como excellente Prègador. Morreo em Coimbra a 13. de Junho de 1654. Publicou.

Sermaõ prègado no Real Convento de Santa Cruz quando primeiro que a Sé, Mosteiros, e Collegios deu a Deos graças por dar a este Reyno o invictissimo Rey D. Joaõ o IV. Nosso Senhor em 12. de Dezembro de 1640. Lisboa por Manoel da Silva. 1642. 4. Tinha prompto para a impressaõ.

Commentaria in Jonam Prophetam. fol. M. S.

Desta obra escreve D. Nicolao de Santa Maria Chron. dos Coneg. Regul. liv.10. cap. 27. §. 25.  estar composta com muita erudiçaõ; e delicados conceitos.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Trigueiro Góis

FRANCISCO TRIGUEIROS GOES filho de Manoel Fernandes de Castro, e Mariana de Goes nasceo em Lisboa onde instruido com as primeiras letras passou à Universidade de Coimbra, e applicando-se ao estudo da Jurisprudencia Cesarea recebeo com applauzo dos Cathedraticos o grao de Bacharel naquella Faculdade. Restituido à patria exercitou o Officio de Advogado de Causas Forenses com grande fama da sua sciencia juridica para a qual concorria a penetrante viveza, e feliz memoria de que era ornado. Teve suficiente noticia das letras humanas, e da Historia Sagrada, e profana. Falleceo na Patria a 29. de Junho de 1732. Jaz sepultado no Convento de Nossa Senhora da Boa Hora dos Agostinhos Descalsos. Compoz.

Allegaçaõ de Direito a favor do Prior, e mais Beneficiados da Parochial Igreja de S. Nicolao do Patriarchado de Lisboa Occidental, e do Real Padroado da Rainha Nossa Senhora em que se impugna o Decreto que os Padres da Congregaçaõ do Oratorio conseguiraõ naõ sendo ouvidos o Prior, Beneficiados, e outros legitimos contradictores para obrigar a que se lhe vendessem varias propriedades de Casas da Rua nova do Almada districto da mesma Freguesia para extenderem o sitio que habitaõ. Lisboa na Officina da Musica. 1730. fol.

Ecco Juridico contra as vozes das reflexoens, que formaõ os Reverendos Padres da Congregaçaõ do Oratorio desta Cidade de Lisboa Occidental oppostas à Allegaçaõ de direito, que se deu à luz a favor do Prior, e Beneficiados da Igreja Parochial de S. Nicolao do Padroado da Rainha Nossa Senhora dividido em 3. Partes. Na primeira responde à intitulada noticia fiel de todo o facto que se involve nesta questaõ. Na 2. contradiz aos 12. fundamentos que se expendem por parte da Congregaçaõ. Na 3. desvanece todas as reflexoens contrarias á sobredita Allegaçaõ a qual de novo vay impressa no fim desta obra. Lisboa na mesma Officina 1731. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]