João Marinho

IOAÕ MARINHO natural de Lisboa igualmente versado na liçaõ da Historia secular, e sagrada como instruido em as maximas da politica. Publicou com o suposto nome de Lucindo Lusitano.

El Principe encubierto manifestado en quatro discursos politicos. Lisboa por Domingos Lopes Rosa. 1642 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. João de Santa Maria

D. IOAÕ DE SANTA MARIA natural da Villa de Terena em a Provincia Transtagana Conego Regular de Santo Agostinho, e taõ observante do seu instituto pelo espaço de quarenta annos, como perito na Arte da Musica, sendo Mestre da Capella do Real Convento de S. Vicente de fora dos muros de Lisboa. Falleceo com manifestos sinaes de predestinado em o Convento de S. Salvador de Grijò a 12 de Março de 1654. em cujo dia faz delle honorifica mençaõ o Licenciado Iorge Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 2. p. 149. E no Comment. de 12 de Março letr. L. Compoz.

Tres livros de Contraponto. Oferecidos ao Serenissimo Rey D. Ioaõ o IV. antes da sua feliz Aclamaçaõ que excessivamente os estimou assim pela eminencia da obra, como pela virtude do Author.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Frei João de Santa Maria

Fr. IOAÕ DE SANTA MARIA natural da Cidade de Evora, Erimita de Santo Agostinho cujo habito professou no Convento de Villaviçosa no anno de 1520. e no seguinte com faculdade do Provincial Fr. Antonio de Chellas foy estudar Theologia em a Universidade de Pariz onde naõ somente floreceo o seu agudo engenho nesta grande Faculdade, mas em as letras humanas Rhetorica, e Poetica em cuja Arte foy insigne compondo no breve espaço de quinze dias por insinuaçaõ do Prior do Convento de Pariz.

Aurelii Patris Augustini Ecclesiae Doctoris celeberrimi, ac erimitici Ordinis primipillaris ducis, Ecclesiae quondam hipponensis Antistitis Regula ex soluta, ac pedestri oratione a Fratre Joanne Mariano Portugallensi Erimita ad heroicae dignitatis fastigium evocata. Tem no fim as seguintes palavras. Impressum fuit hoc opus Parisii expensis honesti viri Bernardi Aubri apud quem prostrat in via, qua itur ad Beatum Iacobum sub insigni mortarii aurei industria, arteque probi viri Antonii Bonnemere è regione Gymnasii decretorum sub divo Martino commorantis. Anno à nato domino sesquimillessimo Vicesimo quarto. 4. Desta obra Vimos hum exemplar, que se conserva na Bibliotheca Real. Começa.

Dogmata sub numeris animus fert stringere primis

Melliflui quondam Tuscus, quae matre sepulta

Congreditur canis qua fluctibus aequora Tibris.

Em aplauzo desta obra faz huma elegante Ode Safica Fr. Remigio Moyton Erimita Augustiniano a qual acaba.

Prodiit terris et Homerus alter

Mysticis jungens graciles camaenas

Sensibus nectit sacra dicta Patris Carmine grandi

Pedro Fernandes insigne Filologo seu patricio, e assistente em Paris na Carta Latina, que escreveo a Fr. Francisco de Evora Erimita Augustiniano, que sahio impressa ao principio da obra assima nomeada faz o seguinte elogio a Fr. Ioaõ de Santa Maria. Cujus namque doctrina, et humanitas, & in poesi dexteritas, religionis, ve observatio in tantam unumquemque adegit admirationem, ut eum plerique omnes demirari haud facile definant, posteaque aut huc se se contulit operam protinus litteris politioribus poesi praesertim, et solutae orationi navare decrevit in queis dies aliquot versatus, illico, &poetice, et oratorie declamare, litterasque palam profiteri auspicatus est: qui ita utramque implet mineruam, ut quae, illi genuina, quae insiticia fit minus facile queat discerni; deinde non multo post se se Dialectices cavillationibus, aut si mavis grifos emancipavit, quibus omnibus tantum valet, ut magis quispiam mortalium valere haudquamque posset M. S.

Delle fazem memoria Ioan. Soar. de Brit. Theatr. Lusit. Litter. lit. 1. n. 50. Purif. de Vir. Illustrib. Ord. Erimit. D. Aug. lib. 2. cap. 14. Franco Bib. Portug. M. S. e Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 560. col. 1.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

Frei João de Santa Margarida

Fr. IOAÕ DE SANTA MARGARIDA Naceo em Lisboa, e na Parochia de S. Ioaõ da Praça foy bautizado a 8 de Dezembro de 1691. Deixando a companhia de seus Pays Jozé Pestana da Sylveira, e Thereza de Jesus da Sylveira recebeo o habito de Agostinho Descalso em o Real Convento de Nossa Senhora da Conceiçaõ do Monte Olivete situado fora dos muros de Lisboa a 3 de Novembro de 1708. Havendo dictado Filosofia, e Theologia, nos Conventos de Lisboa, e Santarem leyo Theologia Moral aos Clerigos das Villas de Almada, e Caparica por provisaõ do Eminetissimo Cardial Patriarcha de Lisboa expedida a 10 de Iulho de 1729. Foy Prior dos Cõventos de Nossa Senhora da Assumpçaõ da Soureda, e de Nossa Senhora da Piedade de Santarem. He Qualificador do Santo Officio, e muito exercitado em o ministerio do pulpito de que tem publicado.

Sermaõ Panegyrico do Maximo dos Doutores, Assombro dos penitentes, e Norma dos Monges, primeiro Padre de Palestina, Pay, e Fundador de toda a Religiaõ Hyeronymiana o grande S. Jeronimo pregado no Real Convento da Pena. Lisboa por Pedro Ferreira Impressor da Serenissima Raynha. 1734 4.

Sermaõ da Canonizaçaõ de S. Joaõ Francisco Regis pregado em o segundo dia do solemne Triduo com que os Religiosos da Companhia de JESUS do Collegio de Santarem aplaudiraõ a nova Canonizaçaõ do mesmo Santo em 10 de Fevereiro de 1738. Lisboa na Officina da Musica, e da Sagrada Religiaõ de Malta. 1739 4.

Sermoes varios politicos panegyricos, e moraes pregados em diversas solemnidades. Parte primeira. Lisboa por Jozé da Natividade da Sylva. 1744 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de Mansilha Pereira

Fr. IOAÕ DE MANSILHA PEREYRA natural do lugar de Santa Martha em o Conselho de Penaguiaõ do Bispado do Porto onde teve por Pays a Francisco Pereira Pinto, e D. Feliciana Manfilha Ozorio das principaes familias da Provincia de Tras os montes. Na idade da adolescencia recebeo o habito da illustre Ordem dos Pregadores onde fez taes progressos a sua aguda comprehensaõ em o estudo das sciencias severas, que mereceo ser laureado Doutor Theologo em a Universidade de Coimbra a 26 de Fevereiro de 1739. Sendo venerado o seu talento pela profundidade Theologica, naõ he menos aplaudido pela eloquencia Oratoria de que deu hum claro argumento na obra feguinte.

Oratio habita in Ecclesia S. Dominici Ulyssiponensis die 4. Ianuarii. 1742.

Sahio nos Obsequios; aplauzos, e triumfos com que foy recebido em Portugal o Excellentissimo, e Reverendissimo Senhor D. Fr. Iozé Maria da Fonceca, e Evora dignissimo Bispo do Porto. Lisboa na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real. 1742 4. a pag. 261.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]