D. Gaspar Maldonado Espoleta

D. GASPAR MALDONADO DE ESPOLETA natural de Lisboa moço fidalgo da Caza Real Senhor do Morgado, e Coutada da Vidigueira, Commendador da Commenda de Santa Maria da Nave da Ordem de Christo, Vedor da Chancellaria mór do Reyno, filho de D. Miguel Maldonado Commendador de S. Maria da Nave, e Vedor da Chancellaria mór do Reyno, e de sua mulher D. Margarida Soares de Espoleta filha de D. Diogo Soares de Espoleta Cavalleiro da Ordem da Monteza. Foy muito estudioso da Historia secular, particularmente de huma das suas mais nobres partes qual he a Genealogia em que escreveo muitos livros com igual verdade, que indagaçaõ, sendo os principaes.

Nobreza de Espanha 1. Parte. Contem a historia dos seus Reys começando de D. Pelayo com as memorias dos Ricos homens, e grandes da Corte; sucessaõ de cada hum delles até os nossos tempos com a noticia das Armas, Apellidos, e Solares, origens dos governos politicos, e dos Titulos em que entraõ os Reys das Asturias, Leaõ, Portugal Galliza, e Castella repartida em varios livros. M. S.

Nobreza de Espanha. 2. Parte. Comprehende os Reys de Aragaõ, Valença, Catalunha, Navarra, Ilhas de Sardenha, Malhorca, Minorca começando de D. Inigo Arista pelo Rey de Navarra, dos Condes de Aragaõ, e Barcellona, seus Ricos homens, e descendentes com suas Armas, e Titulos. M. S.

Nobreza Politica de Espanha. Consta dos Titulos, e Foros da Nobreza. M. S.

Seta de ouro. Discurso para hum Principe com esta honorifica insignia premiar aos Benemeritos. M. S.

Notas ao Nobiliario do Conde D. Pedro Conde de Barcellos. M. S.

Destas obras como do Author fazem memoria Joaõ Franco Barreto. Bib. Portug. M. S. e o Padre D. Antonio Caet. de Souza Apparat. a Hist. Gen. da Caz. Real Portug. 123. §. 136.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

António Inácio Coelho de Morais

ANTONIO IGNACIO COELHO DE MORAES, Bacharel formado em Canones pela Univ. de Coimbra, Professor no Lycêo Nacional da mesma cidade. – N. em Cotivelos, comarca da Guarda, a 14 de Março de 1805.

766) Compendio da Grammatica da Lingua Grega, para uso das escholas do Reino. Coimbra, na Imp. da Universidade 1834. 8.o gr. de XII‑250 pag. – Esta obra foi approvada pelo Conselho Superior de Instrucção Publica para o ensino da referida lingua nas Aulas dos Lycêos.

Por morte do insigne philologo José Vicente Gomes de Moura foi encarregado de continuar e aperfeiçoar o Diccionario Greco‑latino, que aquelle deixara incompleto. Consta que concluira este importantissimo trabalho, e que a obra vai ser brevemente impressa por conta da Typographia da Universidade, segundo me informa o R.do Pereira Coutinho.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]

António Homem Peres Ferreira

ANTONIO HOMEM PERES FERREIRA. – Sob o nome de «ANTONIO HOMEM» descreve o pseudo Catalogo da Academia a pag. 14 a obra seguinte:

765) (C) Resposta de um Gentil‑homem hespanhol retirado da côrte, a um Ministro do Conselho d’Estado de Madrid, traduzida do francez. Amsterdam 1697. 8.º.

Não poude ainda alcançar esta obra, que é rara; mas sei que as indicações apontadas são exactas, porque assim m’o asseverou o sr. F. X. Bertrand, que ha pouco mais de um anno teve na sua loja um exemplar.

Quanto porém ao nome do auctor, não passa de mero pseudonymo com que se acobertou José Freire Montarroio Mascarenhas, que traduziu e deu á luz a referida obra. E tanto assim é, que o mencionado Catalogo a pag. 87, tractando dos escriptos de Montarroio, inclue novamente a predita obra sob o seu nome, dizendo que elle a publicara com aquelle supposto, ou affectado. É porém de notar que ahi se erra a data da impressão, pondo‑se esta em 1693, e o formato do livro, dizendo‑se ser em 12.º, erros que já vieram de Barbosa, cujo logar o Catalogo aqui copiou. Concluo que o compilador do Catalogo ao transcrever o artigo relativo a Montarroio não teve o livro presente, fiou‑se no que via em Barbosa; e quando effectivamente alcançou ver algum exemplar da obra, desconheceu o nome verdadeiro do seu traductor e publicador.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]

António Homem

ANTONIO HOMEM, Doutor em Canones, Lente na Universidade de Coimbra, Conego Doutoral na Sé da mesma cidade, d’onde era natural; conhecido pela antonomasia de Prœceptor infelix. Por accordão dos Inquisidores de Coimbra foi declarado e convencido como herege, apostata, dogmatista, contumaz e negativo, e n’essa conformidade condemnado nas penas de direito, deposto e privado das ordens, e relaxado á Justiça secular, morrendo qeimado na Ribeira, junto á casa de Jorge Secco, a 5 de Maio de 1624. – A sentença da sua condemnação, que é documento mui curioso a diversos respeitos, correu por muitos annos manuscripta, e d’ella conservo uma antiga copia: porém acha‑se hoje impressa no jornal O Antiquario Conimbricense n.os 3 e 4.

As postillas que dictou na Universidade, todas escriptas em latim, não consta que se imprimissem; e a obra ms. que Barbosa lhe attribue, sobre os privilegios dos Templarios e de algumas cidades do Reino, pereceu naturalmente por effeito do incendio que se seguiu ao terremoto de 1755, com os mais livros da livraria do Conde de Vimieiro, onde se diz existia.

Francisco Freire de Mello na sua Representação ás Côrtes contra a Inquisição, impressa em 1821, a pag 18, falando d’este Lente, ajunta ao seu nome o appellido de «Leitão». Não sei que fundamento para isso tivesse, pois que tanto na referida sentença, como na Bibl. Lusit. é elle nomeado pura e simplesmente Antonio Homem, sem mais accrescimo.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]

António Henriques da Silveira

ANTONIO HENRIQUES DA SILVEIRA, Doutor e Lente jubilado na faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, Desembargador honorario do Paço, Socio da Acad. R. das Sc. de Lisboa etc. – Foi natural, ao que parece, d’Extremoz, e faleceu, segundo creio, entre os annos de 1807 e 1812. – E.

764) Memoria sobre a agricultura e população da provincia do Alemtejo. Inserta no tomo I das Memorias Economicas da Acad. R. das Sc.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]