Francisco de Valhadolid

FRANCISCO DE VALHADOLID natural da Cidade do Funchal capital da Ilha da Madeira onde teve por Mestres da Musica ao Conego Manoel Fernandes, e em Lisboa a Joaõ Alvres Frovo Bibliothecario da Bibliotheca Real da Musica, e Conego de Quarta Pretenda em a Cathedral de Lisboa de quem em seu lugar se fará mençaõ, e com a disciplina de taõ insignes professores daquella armonica faculdade sahio egregiamente instruido, de tal modo que foy Mestre do Seminario Archiepiscopal de Lisboa, e ultimamente na Parochia dos Santos Martires Verissimo, Maxima, e Iulia, onde fallecendo a 16. de Julho de 1700. jaz sepultado. Preparava para a impressaõ hum livro em que comprehendia os Mysterios da Musica assim practica, como especulativa, que impedido pela morte, naõ acabou. Compoz.

Missa a 6. vozes. Outra a 8. outra a 14. Outra a 16.

Missa de Defuntos. a 4.

Psalmos de Vesporas, e Completas. a 8.

Psalmos de Noa. a 4.

Lamentaçaõ da 4. feyra de Trevas a 4.

Lamentaçaõ de 5. feyra mayor. a 4.

Responsorios das tres Matinas da Semana Santa. a 4.

Misereres a diversas vozes.

Ladainha de N. Senhora a 8. e 12. vozes.

Varios Motetes a 3. 4. 7. e 8. vozes.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Velasco de Gouveia

FRANCISCO VALASCO DE GOUVEA natural de Lisboa, e filho segundo do Doutor Alvaro Valasco celebre Jurisconsulto de quem se fez larga memoria em seu lugar, e D. Brites de Gouvea. A penetrante comprehensaõ que teve para as letras amenas foy infallivel final dos progressos que havia fazer em as severas sendo a Academia Conimbricense otheatro onde brilhou o seu agudo engenho nas especulaçoens do Direito Pontificio em que se naõ excedeo, certamente competio com seu grande Pay nas Interpretaçoens que fez ao Cesareo. Admetido ao numero dos Doutores subio a regentar huma Cathedrilha de Canones a 30. de Março de 1607. donde passou à Cadeira de Sexto a 28. de Novembro de 1614 do Decreto a 13. de Março de 1623. de Vespora a 17. de Outubro de 1625. em que jubilou no anno de 1633. Da especulaçaõ da Jurisprudencia passou à Practica em os lugares de Dezembargador da Casa da Supplicaçaõ a 27. de Fevereiro de 1649. e dos Aggravos a 10. De Novembro de 1650. onde regulou as suas Decisoens mais pelos dictames da Justiça, que pelas delicadezas do discurso. Impelido do zelo da Patria armou a sua penna contra os seus mais robustos antegonistas defendendo com solidos fundamentos estabelecidos sobre as bazes de hum, e outro Direito a Justiça com que Portugal aclamou por seu Soberano ao Serenissimo D. Joaõ o IV. e detestando a horrorosa perfidia com que Alemanha alliada com Castella concorreraõ para a prizaõ do Infante D. Duarte. Foy Arcediago de Villa-Nova de Cerveira em a Cathedral de Braga com jurisdiçaõ de visitar sessenta e outo Igrejas Parochiaes dodito Arcebispado. Falleceo de hum accidente apopletico em a sua Patria quando excedia a idade de 79 annos. Nicolao Monteiro Vox Turtur. in Prooem Art. I. o intitula Praeceptor communis super aethera notus. Fr. Franc. à D. Aug. Propug. Lusit. Gallic. pag. 207. hujus aevi Litterarium Oraculum. Ant. Figueira Duraõ na Dedicatoria que lhe fez do seu Poema Ignatiados entre outros louvores lhe diz nostri saeculi Jurisconsultum emminentissimum, Lusitaniae decus, Ulyssiponis non leve ornamentum, cujus scientiam pene incredibilem Juris Caesarii, & Pontificii Professores admirantur. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. Lit. F. n. 83. In  Conimbricensi Academia publicus, ac emeritus professor nominatissimus. D. Franc. Manoel de Mello Cart. dos AA. Portug. escrita ao Doutor Themudo. Na sua Justificaçaõ de Portugal obra ao Mundo taõ agradavel como penosa a nossos inimigos, que em vaõ trabalhaõ por escurecella. Compoz.

Justa Aclamaçaõ do Serenisimo Rey de Portugal D. Joaõ o IV. Tratado Analytico dividido em tres partes ordenado, e divulgado em nome do mesmo Reyno em Justificaçaõ a sua Acçaõ. Lisboa por Lourenço de Anveres. 1644. fol. Esta obra sahio por elle mesmo vertida em Latim com o titulo seguinte.

Joannes IV. Serenissimus Portugalliae Rex juste consalutatus ab eodem Regno suo. Tractatus Analyticus in tres divisus partes, compositus, & vulgatus Regni nomine pro justitia actionis suae summo Pontifici Ecclesiae Catholicae, Regibus, Populisque liberus Christiani orbis dicatus. Ulyssipone apud Laurentium de Anveres. 1645. fol.

Perfidia de Alemania, y de Castilla en la prision, entrega, acusacion, y processo de Serenissimo Infante D. Duarte: fidelidad de los Portuguezes en la aclamacion de su legitimo Rey el muy alto, e muy poderoso D. Juan IV. Deste nombre Nuestro Señor Padre de la Patria, Restaurador de la libertad contra los pertensos derechos de la Corona Castellana. Responde-se a lo que errada, fatua, y escandalosamente quizo escrevir D. Nicolas Fernandes de Castro Senador de Milan, y en Salamanca Cathedratico de la Cathedra pequena del Codigo. Lisboa na Officina Crasbeeckiana 1652. fol.

Rezoens em final offerecidas por parte de Francisco Vaz de Gouvea Lente da Cadeira de Sexto na Universidade de Coimbra contra o Doutor Francisco Leitaõ na causa do ferimento que lhe foy feita em Coimbra. Lisboa por Jorge Rodrigues. 1618. fol.

Allegaçaõ de Direito pelo Duque de Torres Novas D. Raimundo contra o  Marquez de Porto Seguro seu Tio sobre a sucessaõ do Estado, Casa de Aveiro por falecimento da Senhora Duqueza D. Juliana. Lisboa por Jorge Rodrigues. 1637. fol.

Allegaçaõ na qual se mostra por Direito, por Breves dos Summos Pontifices, Alvaras dos Senhores Reys, por sentenças em Juizo contencioso, por consultas da Meza da Consciencia, pela Regra, Estatutos, e difiniçoens da Ordem, e por juramento, como o dinheiro dos tres quartos da Ordem de Christo se naõ póde gastar mais que nas obras, e fabrica do Convento de Thomar, e suas cazas. Sahio impressa no livro Memorial do Geral da Ordem de Christo, e Religiosos della à Magestade delRey D. Joaõ o IV. Lisboa 1648. fol.

Parecer sobre a Thesouraria mór da Sé de Lisboa. Impresso no Tom. 3 das Decisoens do Doutor Manoel da Fonseca Themudo. Decis. 334.

Carta Laudatoria em aplauzo das Decisoens do dito Themudo escrita no anno de 1643. a qual sahio no primeiro Tomo das Decisoens deste Author.

As mais celebres Postillas, que dictou na Universidade foraõ as seguintes.

Ad Text. de Fidei jussoribus. Principiada no anno de 1611. e acabada em 1613.

Ad Tit. et Tex.. in Clement. unic. de Restitutione in integrum. Começada em 1613.

Ad Text. de Officio, & Potestate Judicis Delegati lib. 6. em o anno de 1615 .

Ad Text. de Alienatione Judicii mutandi causa facti. Começada a 4. de Março de 1620.

In Decretales de Solutionibus.

In Sext. Decretal. Regula Is qui in Jus 46.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Colóquio: Figurações de Amílcar Cabral – memória, política e cultura | 22 fev 2019

O projeto MEMOIRS tem o prazer de a/o convidar para o colóquio Figurações de Amílcar Cabral – memória, política e cultura.

O colóquio reúne investigadores de projetos que, a partir de diferentes olhares, estudam e lidam com a figura política, cultural e artística de Amílcar Cabral. Ao longo deste dia, a partir de um ponto de vista interdisciplinar e multiforme, a biografia, o pensamento, a ação política, as imagens e as heranças de Amílcar Cabral, tanto do ponto de vista artístico como político estarão em discussão em mesas redondas temáticas, seguidas de debate. Um debate final reunirá todos os intervenientes.

 No próximo dia 22 fevereiro, pelas 9h30, na Sala 1 do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-Alta).

Contamos com a sua presença.

Organização

MEMOIRS – Filhos de Império e Pós-memórias Europeias, CES, Universidade de Coimbra (ERC Consolidator Grant 648624)

CROME – Memórias cruzadas, políticas do silêncio: as guerras coloniais e de libertação em tempos pós-coloniais, CES, Universidade de Coimbra (ERC Starting Grant 715593)

Amílcar Cabral, da História Política às Políticas da Memória, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (FCT PTDC/EPH-HIS/6964/2014)

ECHOES – Historicizar Memórias da Guerra Colonial, CES, Universidade de Coimbra (FCT IF/ 00757/ 2013/ CP1164/ CT004)

 

 

III Jornadas de História, Filosofia Hermética e Património Simbólico | 16 de Fevereiro

III Jornadas de História, Filosofia Hermética e Património Simbólico
Apresentações e conferências de investigadores sobre o espólio hermetista, gnóstico e rosacruz de Fernando Pessoa, durante o sábado, dia 16 de fevereiro, no espaço da Galeria Municipal Verney.

Nesta terceira edição das Jornadas de História, Filosofia Hermética e Património Simbólico, estará em foco a importância das heranças do Hermetismo, do pensamento gnóstico, da filosofia alquímica na obra pessoana, especialmente naquilo que tem vindo a ser trazido à luz do dia do imenso espólio de produção literária e filosófica.

Porque Fernando Pessoa se definia como “cristão gnóstico”? Porque dedicou tantos poemas à alquimia rosacruz, e à compreensão hermética e neoplatónica da vida? Porque veio a público em defesa da maçonaria? Nestas Jornadas iremos conhecer o trabalho dos investigadores na área do pensamento pessoano.

Organização: Linha de Investigação em Gnose e Esoterismo Ocidental, da área de Ciência das Religiões da Un. Lusófona.

Informação e Inscrições AQUIhttp://www.cm-oeiras.pt/…/Paginas/jornadas-historia-19.aspx…

 
Programa
11h00 Abertura dos trabalhos

11h15  Fernando Pessoa, o Quinto Império e a Portugalidade, Annabela Rita (Instituto Fernando Pessoa)

12h00 Pausa café
12h15 Fernando Pessoa: Hermetismo, Gnose e Alquimia, por Rui Lomelino Freitas
13h00 Pausa para almoço
15h00  Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos – José Manuel Anes
16h00 Pausa café
16h15  O caminho gnóstico e espiritual de Fernando Pessoa   – Pedro Teixeira da Mota

17h30  Encerramento

Francisco Baía Teixeira

FRANCISCO VAHIA TEIXEIRA natural de Braga filho de Francisco Rodrigues Ferreira, e Maria Vahia Teixeira, e Irmaõ do insigne Fr. Jeronymo Vahia Monge de S. Bento de quem em seu lugar se fará larga memoria. Foy hum dos famosos professores da Jurisprudencia Cesarea que admirou a Universidade de Coimbra, onde sendo admitido a Collegial de S. Pedro a 10. de Abril de 1638. E laureado com a borla doutoral naquella Faculdade da qual explicou com profunda subtileza os mais dificultozos Textos, sendo Lente de Instituta a 7. de Outubro de 1637. dos Tres livros do Codigo a 12. de Mayo de 1642. do Digesto Velho a 29. De Janeiro de 1654. e da Cadeira de Prima a 31. de Mayo de 1659. onde jubilou no anno de 1664. Foy Dezembargador da Casa da Suplicaçaõ de que tomou posse a 17. de Fevereiro de 1650. e dos Aggravos por seu Procurador o Dezembargador Joaõ Leite a 31. de Mayo de 1 649. donde passou ao Dezembargo do Paço. Delle faz memoria o Doutor Manoel Pereira da Silva Leal Cathalog. dos Cathalog. Do Colleg. de S. Pedro. n. 85. As principaes Postillas que dictou no tempo do seu Magisterio dignas da impressaõ saõ as seguintes.

Commentaria ad Tit. ff. de Testamentis.

ad Tit. ff. de Usu capionibus.

ad L. 1. ff. de donationibus inter virum & uxorem.

ad L. unic. ex delictis defunctorum in quantum haeredes.

ad Tit. Cod. de Jure Fisci lib. 10.

ad Tit. Cod. de inoffciosis dotibus.

ad Tit. ff. de Servitutibus.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]