Gaspar de Barros Velho

GASPAR DE BARROS VELHO. A profunda sciencia dos Sagrados Canones em que tinha recebido o grao de Licenciado em a Universidade de Coimbra, como a integridade dos custumes o constituhiraõ digno de que o Illustrissimo Arcebispo de Evora D. Theotonio de Bragança verdadeiro exemplar de Prelados o nomeasse naõ sómente seu Vigario Geral, mas Penitenciario em a Cathedral de Evora, e como quizesse que este lugar tivesse a preeminencia de Dignidade foy determinado pela Congregaçaõ dos Emminentissimos Cardiaes naõ ser mais que hum Conego Prebendado, de cujo lugar por naõ vagar Prebenda alguma em que fosse provido esteve esperando até 6. de Abril de 1610. em que tomou posse por Vacatura do Conego Jeronimo de Almeyda. Falleceo em Evora no primeiro de Julho de 1614. com 59. annos de idade, e jaz sepultado na Cathedral. Compoz.

De percussoribus Clericorum, & aliarum personarum Ecclesiasticarum tribus libris distinctum. fol. M. S. Constava de 65. cadernos de sinco folhas cada hu como afirma o Licenciado Francisco Galvaõ Maldonado nas Mem. pera a Bib. Portug. por lho mostrar seu author em 14. de Abril de 1608.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Gaspar Barreto

Fr. GASPAR BARRETO filho natural de Jeronimo Barreto Cavalleiro da Ordem militar de S. Joaõ de Malta, e descendente da familia dos Barretos Senhores de Freriz, e Penagate naceo na Cidade do Porto a 3 de Mayo de 1661. Recebeo a  cogulla do Principe dos Patriarchas no Convento de S. Martinho de Tibaens Cabeça da monastica Congregaçaõ Benedictina a 3. de Fevereiro de 1678. onde pelo grande progresso que fez nas letras foy laureado Doutor na Universidade de Coimbra, Reytor do Collegio da Estrella, Abbade do Convento de Lisboa no anno de 1707. E do Collegio de Coimbra em 1719. Procurador Geral nesta Corte, e na Cidade de Braga. Pela profunda noticia, e vasta liçaõ que tinha da Historia Sagrada, e profana foy eleyto Chronista da Serenissima Caza de Bragança, e Academico suprenumerario da Academia Real da Historia Portugueza. Cultivou as Musas com felicidade, naõ sendo menos perito no estudo da Genealogia, e plauzivel na conversaçaõ sempre discreta, e jovial. Morreo no Convento de Tibaens a 9 de Fevereiro de 1727. com 66 annos de idade, e 49. de Religiaõ. Delle faz memoria entre os milhores Genealogicos o P. D. Antonio Caetano de Souza Apparat. á Hist. Geneal. da Caz. Real Portug. pag. 156. §. 187. e nas advert. e adiçoens á mesma Historia pag. 8. no fim do Tom. 8. Compoz.

Vida de D. Jayme Duque de Bragança fol. M. S.

Portugal Renacido. Poema de 12 cantos em 4. de que he argumento a Aclamaçaõ do Serenissimo Rey D. Joaõ IV. M. S.

Espenero Portuguez. 3. Tom. fol. M. S. Este titulo allude à obra intitulada Theatrum Nobilitatis Europae composto por Filippe Jacobo Spenero. Consta de 18. Vol. de folha, dos quais sinco perfeitamente acabados conserva D. Joaõ de Menezes Senhor da Caza da Barca com quem o author tinha parentesco.

Genealogia da Familia dos Barretos Senhores de Freiriz, e Penegate com a Genealogia das familias com quem se aparentaraõ até os Chefes delles com as armas de que uzaõ. Conserva-se em poder do P. Fr. Marcelliano da Ascensaõ Monge de S. Bento. fol.

Arvores Genealogicas que chegaõ ao numero de 306. as quais conserva o referido Monge.

Diccionario de Nomes latinos exquisitos que se naõ achaõ na Prosodia do Padre Bento Pereira. fol. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Gaspar Barreiros

GASPAR BARREYROS Naceo em a Cidade de Viseu onde teve por Pays a Ruy Barreiros de Sexas, e Maria de Barros irmaã do insigne Historiador Joaõ de Barros de igual nobreza à de seu consorte. Sendo provido em hum Canonicato da Cathedral da sua patria na idade de nove annos, era tal o dezejo que tinha de fazer progressos nas sciencias, que desprezando os emolumentos do benefecio igualmente honorifico, que rendoso, passou à Universidade de Salamanca onde sahio eminentemente instruido nos preceitos da Rhetorica, observaçoens da Mathematica, e dificuldades da sagrada Theologia, e Direito Pontificio. Ornado de tantos dotes scientificos o admitio por seu criado o Infante D. Henrique fazendo o Fidalgo da sua Caza em que assistio pelo espaço de vinte e sinco annos com tanta madureza de juizo, e integridade de vida que conciliou as estimaçoens da Raynha D. Catherina mulher de D. Joaõ o III. e das Infantas D. Maria, e D. Izabel, como tambem a amizade dos mais celebres varoens daquella idade entre os quais se distinguiaõ Andre de Resende, e Jorge Coelho hum Orador, e outro Poeta insigne. Sendo criado Cardeal o Infante D. Henrique pela santidade de Paulo III. a 16. De Dezembro de 1545. o mandou em o anno seguinte por seu Embaxador gratificar ao Summo Pontifice a dignidade Cardinalisia a que fora assumpto. Por alguns annos residio na Curia com o lugar de Agente dos negocios desta Coroa onde contrahio grande familiaridade com os Cardiaes Pedro Bembo, e Jacobo Sadoleto eminentes assim em a dignidade como na eloquencia venerando felismente unidas na sua pessoa a vasta instruçaõ, e profunda noticia das sciencias amenas, e severas. Restituido a Portugal obteve por liberalidade Pontificia hum Canonicato em a Cathedral de Evora de que tomou posse a 6. de Abril de 1549. onde rectamente administrou o Officio de Inquisidor contra a heretica pravidade. Penetrado das vozes do apostolico espirito de S. Francisco de Borja Comissario Geral da Sagrada Companhia de Jesus em ambas as Espanhas, que à instancia do Cardial D. Henrique pregou as Domingas da Quaresma em a Cathedral de Evora, renunciou o Canonicato em seu irmaõ Lopo de Barros, que assistia com seu Tio o Illustrissimo Bispo de Leiria D. Fr. Braz de Barros, do qual tomou posse a 12. de Outubro de 1560. e acompanhando aquelle Santo Varaõ até a Cidade do Porto se resolveo a abraçar o instituto que elle professava. Para efeito de taõ virtuoso intento depois de fazer o seu Testamento no mez de Junho de 1561. partio com o Santo Borja para Roma onde chegou a 7 de Setembro do referido anno. No principio de Outubro recebeo a roupeta de Jesuita onde somente permaneceo sete mezes lembrado de ter feito voto de ser religioso de S. Francisco. Recorrendo à Santidade de Pio IV. lhe ordenou que para cumprimento do voto se alistasse na Familia Serafica em qualquer Provincia, ou Convento que elegesse, e professase antes de acabar o anno da aprovaçaõ como elle pedisse. Com este apostolico indulto recebeo o penitente habito do Serafim humano em o Convento de Ara Caeli em huma 5 feira 30 de Abril de 1562., e professou solemnemente quando contava 18. dias de Noviço a 17 de Mayo que era Dominga de Pentecostes mudando o nome que tinha no seculo em o de Fr. Francisco da Madre de Deos. Informado o Pontifice da grande sciencia que tinha da Cosmografia lhe ordenou revisse, e emendasse os defeitos dos Mappas que estavaõ pintados em huma sumptuoza Sala, que mandara edificar em que se reprezentava a Cosmografia do Universo conforme as Taboas de Ptolomeu. Naõ assistio em a Provincia Romana mais que dous annos incompletos, porque sendo incorporado em a de Portugal pelo Ministro Geral Fr. Angelo de Sambuca a 25 de Abril de 1564. se restituhio a este Reyno por insinuaçoens do Cardeal D. Henrique, e delRey D. Sebastiaõ. Depois de dictar Theologia Moral em o Convento de Alanquer, e Santarem foy obrigado por cauza de graves molestias passar para Vizeo onde esperava por beneficio dos ares patrios alivio às suas queixas porèm naõ experimentando a dezejada saude, morou alguns annos em o Convento de Lamego, e ultimamente em Ferreirim donde foy chamado em o anno de 1574. para continuar as Decadas da India, que deixara incompletas seu Tio materno o grande Joaõ de Barros porèm atenuado de annos, e achaques naõ pode satisfazer ao preceito real. Retirado ao Convento de S. Francisco de Orgens distante meya legoa da sua patria faleceo piamente a 6 de Agosto de 1574. O seu nome exaltaõ diversos escritores como saõ Miraeus de Script. Eccles. Saecul. 16. cap. 9. omnis antiquitatis, atque etiam Geographiae insigniter peritus. Cunha Hist. Eccles. de Brag. Part. 1. cap. 42. n. 2. doutissimo e Part. 2. cap. 80. n. 7. Pessoa bem conhecida por sua muita erudiçaõ: Fr. Daniel à Virg. Mar. Specul. Carmelit. Part. 3. de viris illustrib. lib. 3. n. 3174. eruditis libris notissimus. Marinh. Fundac. de Lisboa lib. 2. cap. 22. Nas partes da Rhetorica mostra seu vivo engenho, e grande erudiçaõ Scoto Hisp. Biblioth. pag. 477. latine, & omnis antiquitatis egregie doctus, praecipue Geographiae. D. Franc. Manoel. Cart. Dos AA. Portug. ao Doutor Themudo eminentissimo no estudo das Antiguidades, e nas Epanaf. de Var. Hist., pag. 213. eminentissimo antiquario. Severim Disc. var. fol. 36. Vers. concorria nelle muitas letras, e engenho. Franckenau Bib. Hisp. Geneal. Herald. pag. 157. vir historiae, antiquitatumque patriarum peritissimus. Morales Hist. Gen. de Espan. liv.10. cap. 31. Chamando-lhe erradamente Fernando, hombre de gran noticia de Antiguidad y de deligencia notable en averiguala. Joan. Soar. De Brit. Theatr. Lusit. Litter. lit. G. n. 13. vir in antiquitatibus versatissimus. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 398. col. 2. virum eruditionis non vulgaris. Fr. Fernando da Soled. Hist. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 5. cap. 18. n. 122. Varaõ insigne. O moderno addicionador da Bib. Geograf. de Ant. de Leaõ Tom. 3. Tit. unic. col. 1324. muy docto. Fr. Joan. a D. Ant. Bib. Francisc. Tom. 1. pag. 403. col. 2. Compoz.

Chorographia de alguns lugares que estaõ em hum caminho que fez Gaspar Barreiros o anno de M.D.XXXXVI. começando na Cidade de Badajos te à de Milam em Italia. Coimbra por Joaõ Alvres impressor da Universidade 1561. 4. Esta obra foy composta à instancia de seu Tio materno o insigne Joaõ de Barros querendo instruirse da situaçaõ de algumas terras por onde caminhara Gaspar Barreiros para a composiçaõ da Geografia, que meditava publicar. Foy impressa por deligencia do Doutor Lopo de Barros do Dezembargo delRey, e Conego da Sé de Evora irmaõ do author, e a dedicou ao Cardial D. Henrique. Famosa Geografia lhe chama D. Franc. Man. na Cart. 62. da Cent. 3. Das suas Cartas Familiares. Desta obra fez author Fr. Pedro Monteiro Claustr. Dom. Tom. 3. pag. 221. a Fr. Gaspar de Barros com manifesta equivocaçaõ assim no appellido do Escritor como no titulo da obra escrevendo Barros por Barreiros, e Itinerario de Beja sendo de Badajos, o qual nunca professou o instituto da Ordem dos Pregadores.

Commentarius de Ophyra Regione apud divinam scripturam commemorata unde Salomoni Judaeorum Regi inclyto ingens auri, argenti, gemmarum, eboris aliarumque rerum copia apportabatur. Este Tratado que intitula celeberrimo o Licenciado Jorge Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 727. no Coment. de 27 de Abril letr. A. Sahio primeiramente Conimbricae apud Joannem Alvarum Typ. Reg. 1561. 4. Dedicado pelo Author a ElRey D. Joaõ o III. V. Kal. Decemb. que he a 27. de Novembro do anno M. D. L. Como este Monarcha morresse antes de sahir impressa esta obra a dedicou novamente a seu Neto ElRey D. Sebastiaõ em Evora VI. Kal. Maii que saõ 26 de Abril. M.D.LX. Sahio reimpressa com os Commentarios. Augustini Canisii de Locis Sacrae Scripturae, et Quinquagena Antonii Nebrissensis. Antuerpiae apud haeredes Joannis Belleri 1600. 8. e no livro intitulado Novus Orbis, idest. Navigationes primae in Americam. Roterodami per Joannem Leonardum Berevvout. 1616. 8. Et Amstelodami apud Joannem Janssonium 1623. 8. e no livro Isaaci Pontani Discussiones historicae. Hardervici apud Nicolaum Wieringem 1637. 8. e no Tom. 6. Critic. Sacr. Francof. apud Balthesarem Christrophorum Wustii 1696. fol. Desde pag. 459. até 480. Desta obra fazem mençaõ Carol. Jozeph Imbonati Bib. Lat. Heb. pag. 362. n. 1112. e Jacob. Le Long. Bib. Sacr. pag. mihi 626. col. 1.

Censuras sóbre quatro livros intitulados em M. Porcio Catam de Originibus; em Beroso Chaldaeo; em Manethon Aegyptio, e em Q. Fabio Pictor Romano. Coimbra por Ioaõ Alvares Impressor da Universidade 1561. 4. Dedicado ao muito Reverendo Padre Fr. Marcos de Bethania Mestre em Santa Theologia da Serafica Ordem dos Menores em Evora a 8 de Abril de 1557. Este he Fr. Marcos de Lisboa Chronista da Ordem Serafica que depois foy assumpto a Bispo do Porto. Estas Censuras tinha seu author principiado a escrever na lingua Latina, e somente a que fez sobre Berozo publicou neste idioma, e a dedicou ao Cardial Antonio Amulio do Titulo de S. Marcello em 24. de Julho de 1563. como já dissemos. Sahio com este titulo.

Censura in quemdam authorem, qui sub falsa Berosi Chaldaei inscriptione circumfertur.  omae. sem anno da impressaõ. 4. e Edelbergae Typis Commelianis. 1598. 8.

Todas estas quatro censuras verteo em Latim Andre Scoto, e se publicaraõ nasua Hisp. Biblioth. desde pag. 386. até 442.

Carta escrita de Roma a 12. de Novembro de 1547. a ElRey D. Joaõ o III. Sahio na Hist. Eccles. de Braga do Illustrissimo Cunha Part. 2. cap. 81.

Vita D. Francisci. Desta obra faz mençaõ na Dedicatoria a Fr. Marcos de Lisboa dizendo. E se nesta parte o achar taõbem defensor, como espero, e tenho por muy certo,  que terá, lançarey tambem entam à sua conta a pubricaçam da vida do glorioso, e Serafico Padre Sanct. Frãcisco, que em Latim à muitos annos tenho começada, e muy cedo espero acabar. Desta obra se lembraõ o mesmo Fr. Marcos de Lisboa no Prologo da 2. Parte da Chron. de S. Francisco, e D. Franc. Man. Na Cart. 1. da Cent. 2. das Cartas Familiar. onde o intitula diligentissimo.

Verdadeira Nobreza, ou Linhagens antigas de Portugal M. S. Desta obra faz elle memoria na sua Corographia fol 68. e della se lembraõ Gaspar Estaço Antiguid. de Portug. cap. 53. pag. 193. e 200. Ambrozio de Morales Hist. Ger. De Espan. liv. 10. cap. 31. Andre de Resende Epist. ad Barthol. Cabbed. fol. 33. E Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 3. pag. 72. no Coment. de 4 de Mayo let. B. Foy composta por ordem do Cardial D. Henrique, e a conservava em seu poder Manoel de Azevedo de Barros sobrinho do author como escreve o insigne antiquario Manoel Severim de Faria Not. de Portug. Disc. 3. §. 18. Joaõ Pinto Ribeiro Cart. Da Nobrez. de Portug. e seus privilegios pag. 9. afirma que por infelicidade deste Reyno naõ sahio á luz sendo a couza mais douta que nesta materia se escreveo.

Geografia da antigua Lusitania. M. S. Obra certamente muito laboriosa a qual ficou imperfeita sendo a ultima terra que descreve a Villa de Tentugal que seguia ser Concordia, e discrepava, muitas vezes das opinioens do grande Resende com boas conjecturas. Conservase na Livraria do Excellentissimo Conde de Vimieiro.

Annotaçoens a Ptolomeo. Desta obra o faz author Fr. Fernando da Soled. Hist. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 5. liv. 1. cap. 18. n. 126.

Descripçaõ do Egypto. M. S.

Carta consolatoria escrita em Roma a 4. de Dezembro de 1563. á Infanta D. Maria a cerca da morte do Infante D. Duarte seu irmaõ.

Carta escrita em Santarem a 26 de Julho de 1567. a Damiaõ de Goes sobre a Ascendencia da Familia dos Manoes. O P. D. Antonio Caetano de Souza Appar. Á Hist. Gen. da Caz. Real Portug. pag. 36. §. 12. afirma que a lera, e era digna de seu author, como taõ bem conservar em seu poder hum Nobiliario do mesmo Barreiros copiado por Antonio de Aureu, e Castellobranco.

Observaçoens Cosmograficas de muitos lugares maritimos de Espanha com todos seus campos, e promontorios. M. S.

Homilia sobre as palavras do Evangelho Angelus Domini apparuit in somnis Jozeph. M. S.

Egloga pastoril em louvor da Infanta D. Maria.

 

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Gaspar da Ascensão

Fr. GASPAR DA ASCENSAM alumno da Ordem Dominicana, e insigne Theologo como o intitulaõ Echard Script. Ord. Praed. Tom. 2. pag. 437. col. 2. E Monteiro Claustr. Domin. Tom. 3. pag. 221. Na Armada expedida no anno de 1624. para restaurar a Bahia de todos os Santos partio sendo Confessor de D. Affonso de Noronha Conselheiro de Estado, que com outros Fidalgos foy o glorioso instrumento da recuperaçaõ daquella Capital da America ao dominio Portuguez. Celebrouse com festivas demonstraçoens na Cathedral da Bahia taõ famoso triumfo a 5. de Mayo de 1625. sendo eleito para Orador desta plausivel solemnidade Fr. Gaspar dando (como delle escreve o Padre Bartholomeu Guerreiro

Jornad. dos Vassal. da Cor. de Portug. cap. 38.) a todos singular satisfaçaõ de suas letras, religiaõ, e talento obrigando a reconhecer a grande merce divina, e que podiaõ esperar vitorias de outras emprezas, sojeiçaõ dos inimigos, e gloria das Coroas de Portugal. Para que fosse patente a todo o mundo a eloquencia desta Oraçaõ Evangelica sahio à luz publica com este titulo.

Sermaõ na Sé da Bahia de todos os Santos na Cidade do Salvador na primeira Missa, que se disse quando se deraõ as primeiras graças publicas entrada a Cidade pela vitoria alcançada dos Olandeses a 5. de Mayo de 1625. Lisboa por Giraldo da Vinha. 4. sem anno da impressaõ.

Da obra, e do author se lembraõ Ioan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. G. n. e o moderno addicionador da Bib. Occid. de Ant. de Leaõ Tom. 2. Tit. 24. col. 858.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Gaspar de Santo António

GASPAR DE S. ANTONIO Natural de Lisboa Conego Secular da Congregaçaõ do Evangelista onde pela sua grande prudencia foy Reytor dos Conventos de Arrayolos, Evora, e Lisboa, e Vizitador Geral. Teve bom talento para o pulpito em cujo ministerio alcançou aplauzo. Falleceo no Convento de Santo Eloy de Lisboa a 3. de Agosto de 1710. Traduzio da lingua Italiana em a Castelhana nas quais era muito intelligente, a seguinte obra, que sahio posthuma.

La dichosa peregrina segundo Apocalypse de Dios, Embaxatriz del Cielo Santa Brigida de Suecia, Princeza de Nericia. Lisboa por Antonio Pedrozo Galraõ. 1714. 4.

 

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