Frei João de Cristo

Fr. IOAÕ DE CHRISTO natural de Lisboa Monge Cisterciense cujo habito vestio no real Convento de Santa Maria de Alcobaça a 8 de Ianeiro de 1614. E professou solemnemente a 10 do dito mez do anno seguinte. Foy insigne tangedor de Orgaõ, e dos celebres professores de Musica do seu tempo como testimunhaõ as obras que deixou desta armonica Faculdade, sendo as principaes.

O Texto das Paixoens que se cantaõ em a Semana Santa composto a 4. vozes,

do qual se uza no Real Convento de Alcobaça.

Calendas do Natal, e de S. Bernardo.

Falleceo no Convento de Alcobaça a 30 de Iulho de 1654.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João Crisóstimo da Cruz

IOAÕ CHRISOSTIMO DA CRUZ Naceo em Villa-franca de Xira do Patriarchado de Lisboa a 27 de Janeiro de 1707. sendo filho de Manoel Francisco da Cruz, e Maria da Conceiçaõ. Aprendidos na patria os primeiros rudimentos se aplicou com disvelo a Arte da Musica cujos preceitos exercitou com felicidade assim practica, como especulativamente. Ordenado de Presbitero em o anno de 1731. mostrou pela integridade da vida, e modestia do semblante ser digno de taõ sublime estado. Querendo instruir com preceitos faceis a comprehensaõ aos amantes da Musica escreveo.

Methodo breve, e claro em que sem prolixidade, nem confusaõ se exprimem os necessarios principios para inteligencia da Arte da Musica. Com hum appendix dialogico, que servirà de Index da obra, e liçaõ dos Principiantes. Lisboa por Ignacio Rodrigues. 1743. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João das Chagas

F. IOAÕ DAS CHAGAS natural da Villa de Guimaraens filho de Manoel Vieyra, e Joanna ….. Na idade da adolescencia recebeo o serafico habito em a Provincia de Portugal onde pelo seu grande talento mereceo exercitar os lugares mais honorificoscomo foraõ Comissario da Corte, Ministro Provincial eleito no anno de 1720. e Comissario Geral da Terra Santa neste Reyno, e suas Conquistas pelo espaço de nove annos. Falleceo no Convento de S. Francisco desta Corte em o anno de 1727. Imprimio.

Verdadeira, e individual Relaçaõ do que se tem obrado em Constantinopla sobre a reedificaçaõ do Templo do Santo Sepulchro de Jesus Christo Senhor Nosso na Santa Cidade de Jeruzalem. Lisboa por Jozé Manescal. 1722. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

D. João das Chagas

D. IOAÕ DAS CHAGAS natural de Viana do Minho filho de Pays nobres quais eraõ Belchior Pinto, e Catherina Lobo. Vestio o habito Canonico Augustiniano no Convento de S. Salvador de Grijò a 10 de Dezembro de 1608. Aprendeo as sciencias escholasticas no Collegio de Santo Agostinho de Coimbra onde depois de jubilar na Sagrada Theologia recebeo o gráo de Doutor nesta Faculdade em a Academia Conimbricense no anno de 1633. Foy celebre Orador Evangelico, e muito versado na intelligencia da Sagrada Escritura, e Santos Padres. Falleceo em Coimbra a 25 de Abril de 1650. Delle se lembra D. Nicol. de S. Maria Chron. dos Coneg. Reg. liv. 10. cap. 29. n. 24. Compoz.

Tratado da perfeiçaõ religiosa sobre aquellas palavras do Genesis. cap. 12.  Egredere de terra tua, & de cognatione tua, & de domo Patris tui. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de Ceita

Fr. IOAÕ DE CEYTA natural de Lisboa, e hum dos famosos alumnos da Serafica Provincia dos Algarves onde floreceo igual na Poezia Latina, como profundidade Theologica, e Oratoria Ecclesiastica pela qual mereceo universaes aplausos, ou fosse pela multiplicidade de textos com que exornava os seus discursos, ou pela vehemente energia com que os reprezentava, e proferia. Havendo sido Guardiaõ do Collegio de Coimbra o elegeo por seu Confessor o exemplarissimo Prelado D. Jozé de Mello Arcebispo de Evora devendo à madureza dos seus Conselhos grande parte do acerto das suas acçoens pastoraes. Falleceo em o Convento de Setubal em o anno de 1633. quando cõtava 55 annos de idade. Varios authores lhe celebraõ o nome como saõ D. Francisco Manoel Cart. dos AA. Portug. em Cathedra pulpito, e letras famoso Ioan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. I. n. 31. Insignis Ecclesiastes. Pizarro Var. Illust. da Ind. cap. 5. Observac. 4. religioso grave; e na vid. de Ant. de Ojed. Observanc. 2. Grande predicador. Wadingo de Script. Ord. Min. 229. col. 2. vir eruditus. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 613. col. 2. ingenii doctrinaeque fama clarus, totoque oris, & corporis gestu veluti ad eloquentiae faciem consormatus… tam scholasticae, quàm expositivae Theologiae apprime gnarus. Marrac. Bib. Marian. Part. 1. pag. 809. Vir plane doctus, atque in divini Verbi praedicatione non ignobilis. Fr. Ioaõ do Sacram. Chron. dos Carm. Descals. da Prov. de Portug. Tom. 2. liv. 5. cap. 22. §. 525. Sogeito bem conhecido por seus escritos. Fr. Ioan. a D. Ant. Bib. Francisc. Tom. 2. pag. 233. col. 2. insignis Ecclesiastes. Iacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit. Estanc. 52.

Fray Iuan de Ceita deste coro grave

Aguila superior, que altiva lucha

Con los rayos del sol buela suave,

Y de Escoto agudezas solo escucha:

El solo con la pluma asi se alabe

Venerarle podrè con razon mucha,

Peró alabarle nò; que es desvario

Quando nó es tan capaz el genio mio

Compoz

Quadragena de Sermoens em louvor da Virgem Maria, e de Christo Senhor Nosso seu filho conforme os Evangelhos, que a Igreja canta em suas Festas pelo discurso do anno. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1619. fol.

Quadragena segunda, em que se contem os dous Santos Tempos do anno convem a saber Advento, e Quaresma com seus introitos com outo Sermoens do Santissimo Sacramento do Altar. Evora por Lourenço Crasbeeck 1625. fol. Este tomo foy traduzido na lingua Castelhana por Fr. Ioaõ de Navaes Monge Cisterciense, e sahio Valhadolid. 1626. e depois na mesma lingua por Fr. Fernando Camargo Erimita Augustiniano. Madrid por Juan Gonzales. 1629. 4.

Sermoens das Festas da Virgem Santissima, e de Christo Senhor Nosso com outo do Sacramento, e de alguns Santos, e outo de defuntos. Lisboa por Lourenço Crasbeeck. 1634. 4. Traduzido em Castelhano pelo Padre Camargo Augustiniano. Saragoça. 1635.

Sermoens para algumas Festas de Santos da nossa Ordem, Apostolos, Martyres, Santas, e dez do Sacramento. Lisboa por Lourenço Crasbeeck. 1635. 4.

Sermaõ da Fé pregado em o Acto que o Santo Tribunal de Evora fez em a mesma Cidade no anno de 1624. a 14. de Julho. Evora por Lourenço Crasbeeck. 1624. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]