Frei Francisco dos Reis

Fr. FRANCISCO DOS REYS natural da Cidade de Braga Monge da Ordem de S. Bento cuja cogulla vestio no Convento de Tibaens em o anno de 1607. Foy Abbade dos Conventos de Gafey, Porto, e Lisboa, Definidor, Visitador Geral, e ultimamente Geral da sua Monastica Congregaçaõ. Falleceo em o Convento de Lisboa em o primeiro de Agosto de 1664. Escreveo

Vida do Veneravel P. Fr. Thomaz do Socorro duas vezes Geral da Ordem de S. Bento. M. S. Desta obra como de seu Author faz mençaõ Cardoso Agiolog. Lusit. Tom. 3. pag. 539. no Coment. de 4. de Junho letr. H.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Francisco dos Reis

Fr. FRANCISCO DOS REYS naceo em Lisboa de Pays nobres, e opulentos. Ainda naõ contava doze annos de idade como estivesse suficientemente instruido com os preceitos da lingua Latina frequentou a Universidade de Coimbra estudando Direito Cesareo, onde alcançou distinto nome pela agudeza do talento com que penetrava as mayores dificuldades, porèm penetrado do desengano das vaidades mundanas antepoz ao applauso, que lhe resultava da sua sciencia o silencio do Claustro da reformada Provincia da Arrabida à qual foy admitido em o Convento de S. Jozè de Riba-Mar pelo Provincial Fr. Francisco de Santo Antonio. Tantos foraõ os progressos, que fez na observancia do seu Instituto, que foy eleito Presidente, e Mestre dos Noviços, de cuja vigilante cultura frutificaraõ muitos para beneficio da Religiaõ. Ainda que com repetidas disciplinas, e asperos cilicios macerava o corpo, eraõ continuas as baterias com que o inimigo commum queria render o seu espirito aos incentivos da carne de cujas sugestoens triunfava com os auxilios da Divina Graça. Muitas vezes foy visto alienado dos sentidos buscando extatico o centro das suas amorosas delicias. Attrahidas muitas almas da suavidade, que respiravaõ as suas virtudes o elegiaõ para director das suas conciencias entre os quaes se distinguiraõ D. Pedro de Lancastro, que depois foy Duque de Aveiro, e Inquisidor Geral, e a Excellentissima Senhora D. Anna Maria Manrique de Lara Duqueza de Torres Novas. Cinco vezes exercitou o lugar de Guardiaõ do Convento da Arrabida em cujo governo uzando sempre de prudente afabilidade fez observar exactamente a disciplina regular. Depois de tolerar com heroica paciencia huma infermidade pelo espaço de tres mezes em que todos os dias comungava das mãos de seu amado Discipulo, e Noviço Fr. Alvaro da Conceiçaõ entre devotos coloquios com Christo Crucificado espirou placidamente na Enfermaria de Setubal a 24. de Mayo de 1645. quando contava 75. annos de idade, e 60. de Religiaõ. Foy depositado na Parochial Igreja da Anunciada cujo corpo estava cuberto de flores, e na maõ tinha huma palma, que symbolizava o triunfo que alcançara do inimigo da pureza virginal onde exposto à veneraçaõ do povo, foy acclamado por Varaõ Santo, e o despojaraõ da mayor parte do habito como preciosas reliquias. Deste lugar foy levado ao Convento da Arrabida sendo o Excellentissimo Duque de Aveiro D. Pedro de Lancastro hum dos que conduziraõ o cadaver até à eminencia da Serra onde està situado o Convento. Compoz

Tratado das Excellencias, e praxe da Oraçaõ. Fallando Fr. Jozé de JESUS Maria na Chron. da Prov. da Arrab. Part. 2. liv. 1. cap. 28. desta obra diz que naõ logrando do beneficio da imprensa muitos sogeitos a tresladaraõ dezejosos de se aproveitarem da luz com que os illustravaõ na perfeiçaõ da vida espiritual, que procuravaõ seguir. Faz memoria deste Varaõ Jorge Cardoso Agiolog. Lusit. Tom. 3. pag. 391. e 398. no Coment. de 24. de Mayo letr. O.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco do Rego

FRANCISCO DO REGO natural da Aldeya de Naulà em a Ilha de Goa Cabeça do Imperio Oriental Portuguez, filho de Nicolào do Rego, e Angela Rodrigues. Das letras humanas passou a estudar as sagradas, sahindo profundamente douto em Theologia Escholastica, e Moral, e Licenciado em ambos os Direitos, merecendo pela sua grande litteratura ser Prothonotario Apostolico, Promotor fiscal do Ecclesiastico, e Procurador da Mitra Primacial de Goa em que foy provido pelo Illustrissimo Arcebispo D. Fr. Antonio Brandaõ. Naõ foy inferior o seu talento para o Pulpito, como tambem para a metrificaçaõ assim Latina, como Portugueza. Sendo Vigario Collado da Igreja de S. Braz passou para a de Santa Anna onde fundou o Templo, que hoje existe que he certamente dos mais sumptuosos, que tem a Cidade de Goa. Compoz

Tratado Apologetico contra varias calumnias impostas pela malevolencia contra a sua Naçaõ Bracmana. M. S. 4. Naõ chegou a imprimir esta obra impedido pela morte em o anno de 1686. quando contava 51. de idade. Comedias varias. M. S.

 

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Padre Francisco Rangel

P. FRANCISCO RANGEL natural da Cidade do Porto onde educado virtuosamente por seus Pays Marcos Lopes, e Monica Rangel elegeo abraçar o Instituto da Companhia de JESUS em o Noviciado de Lisboa a 10. de Janeiro de 1629. em cujo anno partio para a India, e depois de obrar muitas acçoens na cultura Evangelica passou a Macao a lograr o premio dellas a 28. de Fevereiro de 1660. Escreveo

Carta para o P. Provincial de Portugal escrita de Macassar a 14. de Abril de 1644. em que se refere o martyrio de cinco Religiosos, e se contaõ outros casos memoraveis. Lisboa por Domingos Lopes Roza. 1645. 4.

Fazem memoria desta Carta o Licenciado Jorge Cardoso Agiolog. Lusit. Tom. 2. pag. 152. letr. 1. e o moderno addicionador da Bib. Orient. de Antonio de Leaõ Tom. 1. Tit. 4. col. 81.

 

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D. Francisco Rebelo de Lima

D. FRANCISCO REBELLO DE LIMA filho de Manoel de Mendanha de Lima, e D. Dionizia Henriques naceo na Villa de Alenquer distante sete legoas de Lisboa, e na Parochia de N. Senhora da Triana recebeo a graça bautismal a 10. De Novembro de 1690. Quando contava a idade de desanove annos entrou na Religiaõ dos Clerigos Regulares de S. Caetano cujo sagrado Instituto professou a 15. De Março de 1710. onde depois de estudar as sciencias escholasticas se dedicou com mayor disvello, a que o inclinava o genio, ao ministerio do Pulpito de que tem publicado as seguintes produçoens.

Sermaõ de Nossa Senhora da Divina Providencia prègado na sua propria Igreja na segunda Dominga post Epiphaniam dia em que o Clero reza ao Santissimo Nome de JESUS em 20. de Janeiro de 1726. Lisboa na Patriarchal Officina da Musica 1727. 4.

Sermaõ da Quarta feira de Cinza prègado na Santa Igreja Patriarchal. Lisboa por Jozè Antonio da Sylva. 1729. 4.

Sermaõ da Payxaõ de N. Senhor JESUS Christo prègado na Casa de N. Senhora da Divina Providencia no anno de 1732. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonseca. 1736. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]