Frei João da Mata

Fr. IOAÕ DA MATTA natural de Lisboa, e bautizado na Parochia de Nossa Senhora da Pena a 25 de Fevereiro de 1716. teve por Pays a Ioaõ Machado, e Maria Ferreira. Quando contava a tenra idade de nove annos foy admitido ao habito da Terceira Ordem da Penitencia em o Convento de Nossa Senhora de Jesus pela suavidade da voz, e destreza da Musica de que era ornado. Feita a profissaõ solemne a 2 de Fevereiro de 1734. como tivesse capaz talento para as sciencias severas estudou Filosofia no Convento de Vianna defendendo com aplauzo Conclusoens publicas, e Theologia em o Collegio de Coimbra, que interrompeo por cauza de hum fluxo de sangue, que brevemente o privou da vida a 3 de Junho de 1738. quando tinha 24 annos de idade. Entre as composiçoens Musicas, que deixou mereceraõ mayor estimaçaõ os seguintes Motetes a 4. vozes.

Ave Rosa sine Spinis.

Ó Beatorum sedes.

Ó Patriarcha pauperum.

Missa de diversas vozes para se cantar quando celebrasse a primeira Missa por

ter já recebido as Ordens de Presbitero.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de São Matias

Fr. IOAÕ DE S. MATHIAS natural de Lisboa alumno da Serafica Provincia de S. Thomè da India Oriental onde pela religiosa observancia do seu instituto foy o outavo Provincial desta Provincia, e dos mais infatigaveis Operarios daquellas taõ dilatadas vinhas. Para agregar as almas de innumeraveis gentios ao rebanho do divino Pastor aprendeo a lingua dos Bramenes em que foy peritissimo compondo, e traduzindo nella para instruçaõ dos Neofitos muitos livros como escrevem Fr. Miguel da Purif. Relac. Defens. Dos filhos da Ind. Trat. 1. cap. 2. n. 10. e Fr. Jacint. de Deos Verg. de plant. e Flor. pag. 10. sendo os principaes.

Symbolo da Fé composto pelo Cardial Bellarmino cuja proza verteo em dous mil versos para com mayor facilidade se decorarem.

Vida de Christo. Escrita na lingua Bracmana, que intitulou Puritana. Desta obra faz mençaõ Fr. Ioaõ de Deos Theatr. das Igrej. de Portug.

  

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. João Mascarenhas de Lencastre

D. IOAÕ MASCARENHAS DE LENCASTRE Terceiro Conde de Santa Cruz Commendador de Mertola, Alcayde mór de Monte mór o Novo, e de Alcacer do Sal, Senhor de Laure, Vedor da Caza do Serenissimo Rey D. Ioaõ o IV. e Mordomo mòr das Serenissimas Raynhas D. Luiza Francisca de Gusmaõ, e D. Maria Francisca Izabel de Saboya naceo em Lisboa sendo filho de D. Fernaõ Martins Mascarenhas quarto do nome Commendador de Mertola na Ordem de S. Tiago Senhor de Laure, e Estepa, Alcayde mòr de Monte mòr o Novo, e de Alcacer do Sal, e de D. Maria de Lencastre filha de D. Diniz de Lencastre Commendador mòr da Ordem de Christo, e Alcayde mòr de Obidos, e Soure, Embaxador a França, Castella, e Roma, e de D. Izabel Henriques filha de D. Francisco Coutinho III. Conde de Redondo Vicerey do Estado da India. Competiraõ os dotes do espirito com os esplendores do nacimento fazendo-se ainda mais venerado pelas virtudes adqueridas, que pelos brazoens herdados. Entre as artes, que cultivou com estudo, e exercitou com felicidade lhe deveo mayor affecto a Poezia para a qual benefica a natureza o instruio desde os primeiros annos merecendo o sublime enthusiasmo da sua Musa, que fosse convidado entre os mais insignes alumnos do Parnasso pelo Author do Templo da Memor. liv. 4. Estanc. 177. para celebrar o augusto Hymineo dos Serenissimos Duques de Bragança D. Ioaõ com a Senhora D. Luiza Francisca de Gusmaõ.

Cantay deste Hymineo ó generoso

  1. Ioaõ Mascarenhas de Alencastro,

Que por mil Climas passará famoso

Mais ainda além do barbaro Coastro.

Repeti de Bragança o nome invicto

Até que fique numa Estrella escrito.

E no liv. 3. Estanc. 166. e 167.

O sangue de Bragança multiplica

Grandezas dignas de caracter de ouro

Na caza para quem Mertola rica

Abre da Deosa Ceres o thezouro.

Na caza donde Portugal agora

A hum Quinto Neto de Fernando adora.

 

Cujo nome o clarim da fama suave

De clima em clima leva pelo vento;

E naõ só por altivo insigne, e grave

Soa no campo azul do Firmamento:

Mas aqui vive em tarjas de Alabastro

E he Dom Ioaõ Mascarenhas de Alencastro.

Da sua fecunda, e discreta veya deixou multiplicadas produçoens das quais se podiaõ formar volumes, e unicamente sahio impressa huma Cançaõ em aplauzo de Manoel de Galhegos author do Templo da Memoria assima allegado, Lisboa por Lourenço Craesbeeck. 1635 4. Começa.

Cantay Cisne do Tejo soberano.

Falleceo em Lisboa a 15 de Fevereiro de 1668. Foy cazado com D. Brites Mascarenhas filha herdeira de D. Martinho Mascarenhas II. Conde de Santa Cruz Conselheiro de Estado, e Presidente do Dezembargo do Paço da qual teve a D. Francisco Mascarenhas, que falleceo na Armada, que foy ao Brazil; D. Martinho Mascarenhas 4. Conde de Santa Cruz; D. Pedro Mascarenhas; D. Francisco Mascarenhas Alcayde mòr de Trancoso, e Commendador de Almourol, que cazou com D. Ioanna Coutinho; D. Ioanna de Vilhena, que se despozou com D. Vasco Mascarenhas primeiro Conde de Obidos; e D. Maria Magdalena de Lencastre mulher de Vasco Fernandes Cesar de Menezes filho herdeiro de Luiz Cesar de Menezes Alferes mòr de Portugal. Passou D. Joaõ Mascarenhas a segundas vodas com D. Maria de Tavora Viuva de D. Antonio Mascarenhas da Costa primeiro Conde de Palma filha de Luiz Alvares de Tavora Conde de S. Ioaõ da qual naõ teve descendencia.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

D. João de Mascarenhas

D. IOAÕ DE MASCARENHAS. Terceiro Conde do Sabugal, Senhor de Lanhoso, Meirinho mòr do Reyno naceo em Lisboa onde foraõ seus Progenitores D. Francisco Mascarenhas Commendador de Alpedrinha na Ordem de Christo, Gentilhomem da Camara do Emperador Mathias, Governador, e Capitaõ General da Praça de Macáo em a China, e D. Margarida de Vilhena sua sobrinha filha de seu Irmaõ D. Ioaõ Mascarenhas Senhor de Palma, e de D. Maria da Costa. Foy Commendador de S. Christina de Afife, Santa Maria do Espinhal, e Santa Maria da Graça de Castello novo da Ordem de Christo, e Conselheiro de Guerra. Militou pelo espaço de outo annos nas Campanhas de Flandes onde deixou de seu heroico valor gloriosas memorias assim na recuperaçaõ da Praça de Aiere, e tomada de la Bassee, como na vitoria do Honcourt, e batalha de Recroy. Para defender a sua patria invadida pelas armas Castelhanas passou no anno de 1645. a França donde voltando foy Tenente General, Governador, e General da Cavallaria da Provincia do Alentejo. Teve graça natural, e summa promptidaõ nas repostas que eraõ estimadas como sentenciosos apothegmas. Cazou com D. Brites de Menezes Condessa proprietaria do Sabugal Viuva de seu Tio, e primo com irmaõ de D. Nuno Mascarenhas Senhor de Palma, e filho herdeiro de D. Francisco de Castellobranco segundo Conde do Sabugal, e Meirinho mòr, de quem unicamente teve D. Margarida de Vilhena, que cazou duas vezes, a primeira com Diogo Lopes de Souza. 4. Conde de Miranda seu segundo Primo; e a segunda com D. Luiz Peregrino de Atayde nono Conde da Atouguia, e de ambos estes despozorios houve esclarecida descendencia. Foy naturalmente inclinado à Poezia vulgar, e das linguas mais polidas da Europa teve bastante intelligencia. Traduzio do Conde Galeazzo Gualdo.

Manejo da Cavallaria. Cuja obra se imprimio com particulares Notas do Traductor como afirma o P. Souza Hist. Gen. da Caz. Real Portug. Tom. 5. liv. 6. p. 346.

Obras varias em proza, e Verso. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João Martins da Costa

IOAÕ MARTINS DA COSTA natural de Lisboa professor de Iurisprudencia Cesarea, e Patrono de Causas Forenses na sua patria, e da Caza da Suplicaçaõ do qual fazem memoria Ioan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. 1. n. 52. D. Francisco Manoel Carta dos AA. Portug. ao Doutor Themudo. Portugal de Donat. Regiis. Part. 1. n. 283. e Barbosa Comment. ad Ord. Reg.

Compoz.

Tratado da forma de Libellos, e das allegaçoens judiciaes, e do processo do juizo secular, e Ecclesiastico, e dos contratos com suas grossas; reformado de novo com as addiçoens, e annotaçoens copiosas das ordenaçoens novas do Reyno, Leys de Castella, e modernos, e outras formas de libellos, petiçoens, e allegaçoens judiciaes com a conferencia dos Titulos das Ordenaçoens antigas com as novas, e processo do Tribunal da Legacia, e das Revistas. Lisboa por Pedro Craesbeeck. 1608 fol. et ibi pelo dito Impressor 1621 fol. & ibi por Francisco de Souza. 1680 fol. Coimbra por Iozé Antunes da Sylva Impressor da Universidade 1711. fol. He addiçaõ à Forma de Libellos composta pelo Doutor Gregorio Martins Caminha de quem se fez memoria em seu lugar.

Domus Suplicationis Curiae Lusitanae Stylique Supremi Senatùs Consulta. Ulyssipone apud Gerardum à Vinea 1622 4. & ibi apud Emmanuelem Lopes Ferreira 1692 fol. Nesta segunda ediçaõ sahio com a Practica Delegationum Criminalium vulgo. Alçadas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]