Apresentação do livro Sob uma Bandeira [Obra Poética], Joaquim Namorado | sábado, 17 de Outubro | 16h00

No próximo dia 17 de Outubro, pelas 16h00, decorrerá no Museu do Neo-Realismo a apresentação do livro Sob uma Bandeira [Obra Poética], Joaquim Namorado.

Promovida pela Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, a sessão terá apresentação de Fernando Pinto do Amaral e conta com a presença de António Mota Redol, em representação da APMNR.

Editada pela MODOLER, com o apoio da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, esta obra reúne o grosso da obra poética que Joaquim Namorado publicou ao longo da vida e alguns inéditos. Resulta de um volume de textos existente no espólio do autor, com a designação Sob Uma Bandeira, organizado pelo próprio e doado ao Museu do Neo-Realismo.

Entrada livre. Lugares limitados de acordo com as normas da DGS. É obrigatório o uso de máscara de protecção.

 

Academia das Ciências homenageia Amália

Para assinalar o primeiro centenário de nascimento de Amália Rodrigues, a Academia das Ciências de Lisboa decidiu dedicar-lhe, dada a importância da efeméride, uma homenagem em sessão especial.

Considerada uma das maiores cantoras mundiais do século XX (ela foi muito mais do que uma fadista), tornou-se um símbolo ímpar da cultura e da identidade portuguesas – o que permitiria ao fado ser considerado património imaterial da humanidade.

“Camões deu-nos a língua, Pessoa o pensamento, Amália a voz”, sintetizava Natália Correia que a considerava, com autores como David Mourão-Ferreira e Miguel Torga, uma das nossas relevantes poetas.

Cumprindo os objectivos culturais que a norteiam, a Academia das Ciência de Lisboa promove, assim, uma sessão solene em honra de Amália Rodrigues, a partir das 15 horas do dia 13 de Outubro de 2020, aberta ao público (com máscara e por inscrição) e transmitida através da internet (zoom) para vários países de língua portuguesa.

A sessão será conduzida pelo Presidente da Classe de Letras, Jorge Barbosa Gaspar, e serão oradores os académicos Guilherme d’Oliveira Martins, Manuel Alegre, António Valdemar e Fernando Dacosta, e os convidados Professor Doutor Rui Vieira Nery e Frederico Santiago, autor de trabalhos de descoberta, recuperação e edição de gravações inéditas da artista.

Frederico Santiago proporcionará, no final, a audição de alguns desses inéditos, e Manuel Alegre revelará o ensaio de uma gravação (não editada) de Amália com versos seus.

Objects, Plants, and Animals – The Naturalization of Women in Eça de Queirós’s Os Maias (1888)*, lecture by Prof. Diana Simões | 1 de Outubro

The UMass Dartmouth Department of Portuguese (BA, MA, PhD)

presents a public lecture

 

Objects, Plants, and Animals – The Naturalization of Women 

in Eça de Queirós’s Os Maias (1888)* 

Diana Simões, University of Massachusetts Lowell

Thursday, October 1st, 2020, 5:30pm (Boston time) 

on Zoom @ https://umassd.zoom.us/j/95893419045 

Prof. Simões’s lecture will be delivered in Portuguese

In the Q & A period, questions may be posed in English or in Portuguese.

AbstractThe naturalization of women in Os Maias (1888) relies on the juxtaposition of the female characters to plants, animals, and objects, thus placing them outside of the bounds of human subjectivity, a process Julia Kristeva conceptualizes as the abjection. The dehumanization of women through the partial lens of the male narrator is central to the sustenance of patriarchal power, requiring a critical feminist approach. Using the notion of “unreliable narrator,” coined by Wayne C. Booth, this study of the narrator’s linguistic habits suggests that the naturalization of women undermines the supposed neutrality of the novel’s realist perspective. Accordingly, this reading of Os Maias contributes to the deconstruction of the patriarchal paradigm by making visible the underlying structures of anthropocentric hierarchy in the novel.

Bio-blurbDiana Simões is a visiting instructor of Portuguese at UMass Lowell. She earned her PhD in Luso-Afro-Brazilian Studies from UMass Dartmouth in 2019. Her research focuses on posthumous narration in twentieth- and twenty-first-century short stories and novels in Portuguese through the lens of postcolonial theory. She has published in several peer-reviewed journals and is currently working on her book manuscript

This is a public event, with registration; all welcome! 

To register, please email Prof. Viktor Mendes at vmendes@umassd.edu

Fonte: Center for Portuguese Studies & Culture, University of Massachusetts – Dartmouth

Ao passar por Lisboa rumo a mim

Era Fernão Lopes, o cronista, quem dizia de Lisboa uma cidade de “desvairadas gentes”, querendo dizer com isto que a capital portuguesa cumpria um destino saudável, o de ser de todos e de cada um, multicultural, atraente, cosmopolita, de feições internacionais – ao contrário de outras, apenas fechadas sobre as suas próprias sombras, cumprindo becos e medos de ruas escuras e desconfiadas. Lisboa que  de outrora aos nossos dias foi ousando a absorção de novos valores, mais jovem, mais massiva e massificada, mais colorida, mais espetáculo e mais circuito cultural. Deixou de ser a cidade irremediável, adiada, presa em masmorras e desamor.

É confrangedor ouvir o coro dos desesperados que só veem a cidade com olhos raiados de miopia, ignorando como é vistosa, paradoxal entre o que nela é passado, nem sempre motivo de orgulho, e o que nela é presente e sobretudo emergente.

Lisboa é de uma estética urbana que poucas rivais encontra pelo mundo. Tradicional e moderna, tatuada e esburacada, milionária e pedinte, com a magnificência do Tejo como guardião. Não é a cidade que foi. Perdeu o ar tristonho, provinciano, rural, nem é o boneco de trapos a fingir-se dama de imperialismo ao gosto do Estado Novo. Dela já não partem vivos-mortos: nem soldados para a frente da Grande Guerra nem para as  armadilhas coloniais. Também já não chegam ao cais os caixões de pinho com os soldados, meninos caídos em combate – alguns anónimos, todos injustiçados.

Há agora outra energia, com carimbos ecológicos, eletrónicos, espetaculares. E alguns dos transeuntes esquecem-se da frase mais carismática que usam enviesada: só neste país! É verdade. Só neste país recebemos visitantes que nos dizem: nem imaginam o que têm aqui!

É que eles vêm de sítios que não têm nada do que temos aqui. E o que aqui temos é, ante de mais, um povo de uma generosidade incomparável.

Gosto de desvairadas gentes. Que falam alto, tatuam a pele e a frontaria da casa, entre o deve e o haver a ver no que isto dá. Desvairadas gentes que exigem direitos e conhecem a força dos deveres.

Lisboa teve uma história triste – 400 anos de amargura, entre o século XVII e 1974, com as maiores adversidades, de guerra civil a terramoto, peste, fome e pé descalço e as barracas que o ditador achava que serviam perfeitamente, a gente sem comida, nem água, nem luz, nem alfabetização, bem melhor para moldar.

É mais fácil uma ditadura – de qualquer imbecil com umas armas a seu serviço se faz um ditador – do que uma terra de liberdade. E mesmo com as ameaças do presente, com os novos candidatos a ditador a mentirem pelas esquinas e os perigos invisíveis que cada vez mais nos ameaçam, esta é uma Lisboa de desvairadas gentes capazes de tudo e do melhor.

Sim, a liberdade é um território sagrado. Alexandre Honrado

 

[texto publicado originalmente no Jornal de Mafra, Notícias do Concelho de Mafra, edição de 2 de Setembro de 2020]

“O Lugar das Coisas Perdidas”, de Susana Piedade

O Lugar das Coisas Perdidas, o segundo romance de Susana Piedade, publicado pela Oficina do Livro, segue-se a As Histórias Que não Se Contam, finalista do Prémio Leya 2015.

Numa vila do Norte, onde há não muitos anos caiu uma ponte, dá-se uma catástrofe que faz o lugar estremecer «como um sismo» (p. 82) quando Alice, com 8 anos, desaparece a caminho da escola. E essa vila sem nome (ainda que a possamos associar a Entre-os-Rios), que «parecia inabalável na sua quietude provinciana» (p. 39), é abalada pelo desaparecimento da menina, tragédia cujo impacto toca todos os vizinhos e revolve até segredos de décadas.

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