Francisco da Silva

Fr. FRANCISCO DA SILVA naceo no lugar da Telha do Patriarchado de Lisboa no anno de 1583. sendo filho de Pedro Correa da Sylva, e D. Antonia Jozefa de Miranda de igual nobreza à de seu Consorte. Na florente idade da adolescencia deixou as delicias da Casa paterna, e se recolheo ao Claustro do Convento do Carmo cujo Instituto professou a 5. de Outubro de 1603. Sahindo consumado nas sciencias escolasticas as dictou no Collegio de Coimbra, e Convento de Lisboa com grande credito do seu magisterio, e na Universidade de Evora se graduou Doutor naFaculdade Theologica a 19. de Mayo de 1624. sendo o primeiro Regular, que nesta Academia, excetuando os Padres Jesuitas, recebeo as insignias doutoraes. Foy taõ grande Prègador, como profundo Theologo, naõ havendo Junta de Letrados para decisaõ de materias gravissimas à qual naõ fosse chamado por ser sempre o seu voto regulado pelos dictames de huma conciencia timorata. Entre a severidade dos estudos mayores cultivou os Campos do Parnasso sendo hum dos Poetas mais discretos do seu tempo, e como tal o louva Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit.Estanc. 51.

Fray Francisco da Sylva illustre enseña

Quando con pico de oro el gusto amaga

Que a muchos Cisnes con rason desdeña

Si en divinos conceptos nos propaga

Copias de insigne sangre en los cõceptos

Rayo de admiracion para discretos.

Nos lugares, que occupou na Religiaõ deu claros argumentos da prudencia do juizo e magnificencia de animo, pois sendo eleyto Prior do Convento de Lisboa em 2. De Fevereiro de 1625. mandou lagear a Capella mòr, e plantar o jardim, que orna ao Claustro. Em 13. de Mayo de 1628. subio ao lugar de Provincial, e chegando neste tempo a noticia de estar Canonizado pela Santidade de Urbano VIII. Santo Andrè Corsini Bispo de Fesoli a celebrou com as demonstraçoens de pompa da qual ainda permanece a memoria. Quando os seus merecimentos eraõ acredores de grandes dignidades falleceo de huma enfermidade maligna a 12. de Agosto de 1633. Com 49. annos e 8. mezes de idade. Na sua sepultura se lhe gravou este Epitafio

Aqui jaz o M. R. P. M. Fr. Francisco da Sylva Prior, que foy deste Convento, e Provincial desta Provincia, Religioso em seus tempos insigne em Letras, e Pulpito. Falleceo em 12 de Agosto de 1633.

Deixou promptos para a Impressaõ

Sermoens varios. Consta de Domingas do Advento, Quaresma, e outros assumptos Panegyricos. Conservaõ-se na Livraria do Convento de Lisboa.

Delle fazem memoria Carvalho Corog. Portug. Tom. 3. liv. 2. Trat. 8. cap. 47. pag. 632. Fr. Manoel de Sà Mem. Hist. dos Escrit. do Carm da Prov. de Portug. pag. 166. n. 236. até 241.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco de Cerqueira

FRANCISCO DE SERQUEIRA natural da Villa de Amarante Cavalleiro Professo da Ordem Militar de S. Tiago filho de Miguel Correa, e Pay do Doutor Gaspar Serqueira Coelho de quem se fará mençaõ em seu lugar. Estudou as Leys Imperiaes, e os Canones Ecclesiasticos nas celebres Universidades de Salamanca, e Pariz, onde recebeo o grào de Doutor em ambas estas Faculdades. Foy insigne Poeta assim Latino como vulgar, muito inclinado à Musica, que practicou com summa perfeiçaõ, e tocou varios instrumentos com igual destreza, que consonancia. Passou á India, e depois de se distinguir em diversos combates com os inimigos do Estado, morreo deixando do seu nome gloriosa memoria. Compoz, e reduzio a hum volume

Poesias varias. M. S. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Saraiva de Sousa

FRANCISCO SARAIVA DE SOUZA natural da Villa de Trancoso do Bispado de Viseu em a Provincia da Beira. Applicou-se em a Universidade de Coimbra à Faculdade dos Sagrados Canones em que recebeo o grào de Licenciado. A sua Litteratura acompanhada de procedimento inculpavel o fez digno de ser Parocho de N. Senhora dos Martyres de Lisboa, e Confessor das Religiosas do Serafico Convento de Santa Martha da mesma Cidade. Foy muito versado na Theologia Mystica, e na lição dos Santos Padres. Compoz

Baculo Pastoral de flores de exemplos colhidos de varia, e authentica historia espiritual sobre a doutrina Christãa. Dedicado ao Serenissimo Senhor D. Theodosio II. deste nome Duque de Bragança. Lisboa por Pedro Craesbeeck. 1624. 4. & ibi por Henrique Valente de Oliveira. 1657. 4. Acrecentado com o Auto de Contriçaõ composto por Fr. Francisco de Azevedo Cõmissario da Ordem Terceira do Carmo, e com a Historia do Purgatorio de S. Patricio. Lisboa por Antonio Rodrigues de Abreu. 1676. 4. & ibi por Joaõ Galraõ. 1682. 4. & ibi pelo dito Impressor. 1690. 4. & ibi por Antonio Pedrozo Galraõ. 1698. 4. & ibi pelo dito Impressor. 1708. e 1719. 4.

Parte segunda. Lisboa por Antonio Pedrozo Galraõ. 1708. 4.

Soneto em applauso de Gaspar Pinto Correa Author do Livro intitulado Lacrymae Lusitanorum. Impresso no principio desta obra. Ulyssipone apud Petrum Crasbeeck. 1613. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Francisco Saraiva

FRANCISCO SARAIVA natural de Braga, insigne professor de Medicina cuja Arte practicou com grande felicidade, e naõ menor sciencia em a sua Patria. Escreveo

Discurso sobre a incorruptibilidade do corpo do Arcebispo de Braga D. Lourenço Vicente, que morrendo no anno de 1397. foy achado incorrupto a 4. De Julho de 1663.

Desta obra, e seu Author se lembra o Licenciado Jorge Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 3. pag. 542. no Cõment. de 4. de Junho letr. L. onde lhe chama Medico perito.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Sessão III das «Tardes na Academia»: 13 de fevereiro, às 17 horas | Seminário de Jovens Cientistas

No próximo dia 13 de fevereiro (quarta-feira), às 17 horas, decorrerá a terceira sessão das «Tardes na Academia», na Aula Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, uma iniciativa do Seminário de Jovens Cientistas que promove o encontro de gerações de cientistas e investigadores, nos vários domínios da ciência e do saber representados no SJC.

Nesta Sessão III a  ‘Jovem Cientista’ Filipa Araújo e o Prof. Doutor José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra) abordarão “A presença de Camões nas Artes e Letras da atualidade”:

Génio incompreendido, vítima do fado lusitano, Príncipe dos Poetas, arauto das Descobertas, soldado do povo, voz do Império, símbolo da portugalidade, embaixador da lusofonia, património da Humanidade… Muitos são os epítetos atribuídos a Camões ao longo dos séculos, fazendo eco das subjectivas coordenadas espácio-temporais dos seus leitores.

Dando continuidade a uma vasta tradição de estudos que analisam a presença cívico-cultural do mito camoniano no devir da História, propõe-se uma reflexão sobre o aproveitamento da figura de Camões e da sua obra nas Artes e nas Letras das últimas décadas. Pretende-se, assim, selecionar uma amostra significativa de manifestações artísticas provenientes das mais diversas áreas – incluindo várias tipologias literárias, produções musicais, pinturas, versões escultóricas e adaptações performativas, teatrais ou cinematográficas – de modo a evidenciar a forma como dialogam com o Poeta. Neste âmbito, são contemplados exemplos que colheram inspiração num determinado episódio biográfico, que interpretam a obra de Luís Vaz ou que revisitam e modulam temas por ele celebrizados.

Através desta abordagem desenvolvida numa perspectiva interartes, procurar-se-á medir o impacto cultural e simbólico da presença camoniana num momento marcado pela discussão sobre o património e a identidade do nosso país. Qual é, afinal, a memória de Camões que prevalece, quando Portugal se prepara para celebrar 500 anos do seu nascimento?