Poesia Com(n)Vida”, 5ªfeira, 21/3/2019, 17h-18h45, FNAC Colombo

Tertúlia celebrando a Poesia em língua portuguesa, com a leitura de poemas, apontamentos sobre a sua projecção através da tradução e a apresentação de um portal dedicado às Literaturas Lusófonas.

Com a coordenação de Annabela Rita, Renato Epifânio, Maria José Leal e a participação de Ernesto Rodrigues, Alexandre Honrado, Cristiana Lucas, Diógenes Pereira da Silva, Sofia Santos, Júlio Vaqueiro e outros investigadores.

Pensar fora da caixa

Um colega e amigo pergunta-me porque fui a Paris ver e ouvir os coletes amarelos e se não houve nisso uma certa soberba, um desafiar da sorte, um tirar apontamentos para aplicá-los mais tarde numa experiência que surja mais perto de mim.

Depois de pensar um bocado – muito rápido, por sinal – disse-lhe que esta aparente curiosidade se resumia numa resposta breve: fui lá porque eles estavam lá.

Quando Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da  psicologia analítica propôs e desenvolveu os conceitos de personalidade extrovertida e introvertida, arquétipo e inconsciente coletivo, não o fez para traduzir grupos sociais mas indivíduos. Pegando nesta matriz, no entanto, transpondo-a para os universos culturais em que nos representamos e fazemos representar, notamos que há dois tipos de personalidade de grupo: a extrovertida e a introvertida.

Os coletes amarelos pertencem à segunda. Como os pequenos grupos de arruaceiros que queimam caixotes de lixo e automóveis pela calada da noite, ou os que danificam bens públicos a coberto das sombras.

Essa introversão nota-se bem no modo como se mobilizam – normalmente pelas redes sociais que permitem a convergência de muitos num único local de encontro num lapso de tempo muito breve e que transformam a notícia falsa num divertimento ocasional e mobilizador -, na forma como se apresentam – normalmente encapuzados, de rosto encoberto, num anonimato desejado –  e sobretudo na mais frugal das ideologias que os suportam: não brandem muitas ideias, não apresentam alternativas ao sufocante e impiedoso mundo em que vivemos, tomam por alvos os que mais frágeis possam surgir à sua frente e sucumbir depressa, e deitam mão dos recursos mais à vista, das pedras aos sprays, dos palavrões ao confronto físico.

Ir lá por estarem lá, não foi mais do que uma forma de extroversão.

Aliás, havendo causas, ideias, alternativas, estava já a ver-me de colete, eu que nem gosto de amarelo (e, já o escrevi, afinal são verdes, apesar do daltonismo noticioso que os promoveu).

Estas manifestações de rebeldia urbana são o oposto das revoluções que mudam a vida das urbes. São produto de introvertidos, a desafiarem o poder sem perceberem bem como o poderiam fazer com uma mobilização efetiva das capacidades de extroversão que os povos têm, motivadas pelo sentido de justiça e equidade, pela defesa das liberdades e dos seus diretos, pela reivindicação dura dos deveres daqueles que nos representam.

Fui lá porque estavam lá, e precisava disso na minha mundividência, na minha necessidade de entender o outro, no meu modo de celebrar os valores culturais dos extrovertidos que me deram lições de vida que não esquecerei. Alexandre Honrado

Gaspar de Faria Severim

GASPAR DE FARIA SEVERIM Comendador de Mora em a Ordem de Aviz teve por patria a Cidade de Evora, e por progenitores a Francisco de Faria Severim Executor mór do Reyno, e Escrivaõ da Fazenda Real, e a sua mulher D. Joanna da Fonceca filha de Rodrigo Sanches Commendador de Viana em a Ordem de Christo, e de sua primeira mulher D. Luiza da Fonceca. A boa indole, que desde os primeiros annos mostrou para o estudo das letras humanas, e historia secular o fez digno de que em os mayores chegasse a ser Secretario das Merces delRey D. Joaõ o IV. e do seu Conselho cujo ministerio politico administrou no reynado delRey D. Affonso VI. Entre as continuas ocupaçoens do seu Officio nunca se abstinha da aplicaçaõ dos livros, de tal sorte, que como afirma D. Francisco Manoel de Mello na carta escrita ao Doutor Manoel Themudo da Fonceca que he a 1. da 4. Cent. das suas Cartas Famil. o seu descanso era escrever em obzequio, e honra da Patria. Foy Poeta elegante, e Genealogico erudito como herdeiro, e emulo do talento de seus doutissimos Antepassados. Acrecentou com hum grande numero de livros a selectissima Bibliotheca que herdou de seu Tio o celebre Antiquario Manoel Severim de Faria Chantre da Cathedral de Evora. Cazou com D. Mariana de Noronha filha de D. Francisco de Noronha Commendador de S. Martinho de Frazaõ de quem teve a Francisca Maria de Menezes que cazou com D. Diogo de Faro 7. Senhor da Villa de Vimieiro, Alcoentre, e Tagarro dos quais naceo D. Sancho de Faro 2. Conde de Vimieiro. Compoz em muitos volumes.

Familias do Reyno de Portugal. fol. M. S.

Saõ dispostas por boa ordem, e doutamente historiadas com as allegaçoens dos livros, e authores que fallaõ em cada huma, e com os epitafios de diversas pessoas. Dellas conserua alguns volumes Originaes o Padre D. Antonio Caetano de Souza como escreve no Apparat. da Histor. Gen. da Caz. Real. pag. 115. §. 124.

 

Colleçaõ de Memorias extrahidas da Torre do Tombo 3. Vol. Estaõ em poder do referido Padre.

Obras Poeticas. 4. M. S. Na Bibliotheca do Excellentissimo Conde de Vimieiro.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]