Exposição “Os pacotes de açúcar chegaram à Biblioteca” | Biblioteca Municipal D. Dinis, 14 de Janeiro a 22 de Fevereiro

Esta exposição, composta por pacotes de açúcar alusivos à Literatura, aos Escritores e aos seus Livros, visa demonstrar a paixão pelo colecionismo e incentivar à leitura dos autores representados.

Agustina Bessa Luís, Dulce Maria Cardoso, Fernando Pessoa, José Luís Peixoto, José Saramago, Lídia Jorge, Valter Hugo Mãe são alguns dos autores mencionados.

Esta exposição é uma iniciativa da Biblioteca Municipal D. Dinis em colaboração com o CLUPAC – Clube Português de Colecionadores de Pacotes de Açúcar.

Autobiografia, de José Luís Peixoto

Talvez devamos começar pelo jogo de ilusão patente na capa, pois ao título de Autobiografia segue-se a categorização de Romance, sobre um fundo de páginas em branco rasgadas. Não estamos portanto, pensa o leitor, no campo das biografias romanceadas. Talvez seja um daqueles romances em que se cruza a memória e vivência pessoal com a ficção? Mas depara-se o leitor, ao adentrar-se no romance, com uma epígrafe de Saramago em que se salvaguarda que «tudo é autobiografia» para depois, logo na primeira linha, encontrar a frase «Saramago escreveu a última frase do romance.» (p. 9) E, duas páginas depois, quando lemos que a campainha tocou, quem se levanta para abrir a porta é José. José Saramago, portanto, pensa o leitor, apenas para páginas adiante se aperceber que este José fala de um outro José (Saramago), que este José está a tentar escrever o seu segundo livro, e se sente partido em pedaços, enquanto o outro, Saramago, se sente completo, terminado de escrever o seu mais recente romance, intitulado Todos os Nomes, com um protagonista – de seu nome José… José, o deste livro, venceu ainda um prémio com o seu primeiro romance, à semelhança do autor, o verdadeiro, que ganhou o Prémio José Saramago (na sua segunda edição, em 2001, atribuído pela Fundação Círculo de Leitores) por volta da mesma idade do jovem escritor, personagem, com o seu primeiro livro. E este jovem escritor, José, será depois convidado a escrever a biografia do outro José, o Nobel, desdobrando-se este Autobiografia num universo literário de múltiplas realidades paralelas.

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Leitura da Semana: Uma Vida Inteira, de Robert Seethaler

Esta semana, Paulo Serra propõe a leitura de uma obra de Robert Seethaler, que foi Livro do Ano em 2014 na Alemanha onde vendeu mais de um milhão de exemplares, foi finalista do Man Booker International em 2016 e do International Dublin Award em 2017

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Portugal d’agora (1910), de João do Rio LANÇAMENTO | 27 jan. ’20 | 18h30 | BNP, Auditório | Entrada livre

Criada pela Cátedra Infante Dom Henrique (CLEPUL), em parceria com a Editora Unesp Digital, a Coleção Brasil acaba de lançar o seu quinto volume: uma cuidada reedição do Portugal d’agora, de João do Rio – pseudónimo literário do jornalista, teatrólogo e escritor João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881-1921) – acompanhada por vasto conjunto de notas e excelente estudo de Sílvia Maria Azevedo e Tania Regina De Luca.
A sessão conta com a presença das autoras e apresentação da obra por Ernesto Rodrigues e Luís Manuel Crespo de Andrade.
Embora tenha sido elogiosamente acolhido pela crítica e pelo público, quando da sua publicação, pela editora Garnier, em 1911, Portugal d’agora apagou-se na memória cultural do Brasil e de Portugal. Todavia, no cenário das relações luso-brasileiras nos primeiros anos do século XX, João do Rio teve papel de fundamental importância.
Fruto da sua primeira viagem à Europa, em 1908, a obra inaugura a estreita ligação do escritor carioca com a intelectualidade lusa. Produto de impressões colhidas durante as caminhadas de João do Rio por Lisboa e Porto, o livro é composto por crónicas sobre a vida social, o jornalismo, o teatro, a literatura e a política, publicadas, ao longo de 1909, na Gazeta de Notícias e em A Notícia, do Rio de Janeiro.
Organizada em quatro partes – «No mar», que dá conta da viagem de João do Rio para Portugal; «Em Lisboa» e «No Porto», que trazem suas observações sobre as duas cidades; e, fechando o volume «De volta” – a obra é antecedida por um prefácio – «Este livro» – a justificar a empreitada, então desfasada em relação à nova situação política portuguesa. Por se tratar de um projeto de aproximação entre Brasil e Portugal, então afastados por desinteresses e indiferenças de ambos os lados, Portugal d’agora é não apenas testemunho do presente como também aposta no futuro, a culminar, como se sabe, na sonhada Atlântida.
Fonte: BNP