Lançamento | Inês de Castro, um tema português na Europa | 28 Out. | 18h00 | BN

Lançamento da obra de Maria Leonor Machado de Sousa, numa edição da editora Caleidoscópio, com apresentação por José Miguel Júdice.
A história dos trágicos amores de D. Pedro I e Inês de Castro, que ao longo dos sete séculos já passados não deixou de inspirar obras de todas as artes, que constantemente se renovam, suscita muitas vezes o espanto de quem avalia a permanência do interesse por ela. O nosso primeiro cronista, Fernão Lopes, terá percebido as razões desse fascínio: «fallamos daquelles amores que se contam e leem nas estorias que seu fundamento teem sobre verdade. Este verdadeiro amor ouve elRei Dom Pedro a Dona Enes».
A imaginação, a contaminação de lendas, um sem número de experiências e variantes foram acrescentando pormenores mais ou menos fantasistas que por vezes acabaram por ser tomados como autênticos. Mas há elementos indesmentíveis: dois registos contemporâneos da data e do modo da morte de Inês, a guerra e o tratado de paz entre D. Pedro e o pai, a trasladação para Alcobaça e a realidade dos túmulos onde finalmente repousaram os dois amantes.
O estudo que agora permitiu uma atualização até 2019 e a recuperação de obras até aqui desconhecidas pôde trazer muitas novidades, de várias épocas, lugares e autores. O objetivo inicialmente tentado de ver como a Europa absorvera esta tragédia amorosa (o episódio mais conhecido da história de Portugal) pôde agora dar a volta ao Mundo. Pensando que a força deste drama continue a atrair os investigadores, é de esperar que estes pormenores venham a ser desenvolvidos e até confirmados na sua realidade.
A história de Pedro e Inês é uma tragédia verdadeira que veio dar força ao mito do amor para além da morte.
Maria Leonor Machado de Sousa, Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1954. Em Fevereiro de 1974 passa a integrar o corpo docente da recém-criada Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em Ciências Literárias. Já como Professora Catedrática, viria a criar o Departamento de Estudos Anglo-Portugueses. Em 1981 criou o Centro de Estudos Anglo-Portugueses, actual CETAPS, que orientou até à sua aposentação em 2001, dirigindo desde o início a Revista de Estudos Anglo-Portugueses. Lançou na Faculdade o Mestrado de Estudos Anglo-Portugueses. É Académica de Número da Academia Portuguesa da História. Foi 2ª Vice-Presidente no triénio 2002-2004. É membro do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Colaborou em várias iniciativas, como formação de intérpretes de conferência (CEE), Ano Propedêutico, IPED, Universidade dos Açores e Aberta. Em 1988 foi nomeada Vice-Reitora da Universidade Aberta, em 1990 Directora da Biblioteca Nacional, lugar de que pediu a demissão em 1996. É vice-presidente da assembleia geral da fundação Inês de Castro desde a sua criação. Manteve uma actividade variada em diversas linhas de pesquisa: estudos comparados, viajantes, mitos portugueses, estudos de cultura e literatura inglesa e portuguesa, Modernismo Português, Fernando Pessoa, Garrett, literatura tradicional, literatura de terror e Romantismo. Desde a década de 1980, tem-se focado essencialmente no estudo da formação e projecção do episódio de Pedro e Inês, tendo organizado várias exposições, feito várias conferências e publicado vários livros e artigos sobre o assunto.

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal

Apresentação dos livros Obra Completa de João José Cochofel e Água Inquieta, João José Cochofel (1919-1982) | sábado, 24 de Outubro| 16h00

No próximo dia 24 de Outubro, pelas 16h00, decorrerá no Museu do Neo-Realismo a apresentação dos livros Obra completa de João José Cochofel e Água Inquieta, João José Cochofel (1919-1982), por José Manuel Mendes e António Pedro Pita.

Obra Completa de João José Cochofel  é um volume único que reúne  Obra PoéticaOpiniões com DataIniciação Estética seguido de Críticas e Crónicas, editado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda no centenário do nascimento do autor, poeta, ensaísta, cronista, crítico literário e musical, e um dos mais importantes escritores do movimento neo-realista português.

Água Inquieta, verso de um poema incluído na Obra Completa, reúne textos de índole diversa e fotografias que evocam João José Cochofel no contexto do centenário do seu nascimento.

Entrada livre. Lugares limitados de acordo com as normas da DGS. Utilização de máscara obrigatória.

 

Fonte: Museu do Neo-Realismo

Mostra | A poesia de Amália | 15 Out. – 15 Dez. | BNP

> A visita à Mostra obriga à desinfeção das mãos à entrada do edifício e ao uso de máscara até à saída das instalações

 

No início de 1959 Amália faz mais uma temporada no Olympia, em Paris, com brilho incontestável de vedeta internacional – a revista Variety considera-a nesse ano uma das quatro maiores cantoras do mundo.

Numa dessas noites apresenta-se nos bastidores um rapaz que lhe oferece uma melodia. Tem trinta anos e chama-se Alain Oulman. Nem ele nem Amália podiam supor que deste encontro nasceria a mais original e profícua relação conhecida entre a poesia clássica e a música popular.

É verdade que Amália já antes tinha cantado alguns poetas portugueses seus contemporâneos, como Pedro Homem de Mello, David Mourão-Ferreira, Luiz de Macedo ou Sidónio Muralha, e que a sua própria maneira de cantar já era uma poética em si – basta para isso ouvir a quase belcantista acentuação que dava à frase ou como nunca repetia um refrão de forma mecânica. Mas nunca um cantor popular conseguiria, como Amália – na maior parte das vezes, com a cumplicidade de Alain Oulman –, uma tão grande democratização dos clássicos da poesia através da música. Em poucos anos, Amália põe um povo inteiro não só a conhecer sonetos de Camões como a emocionar-se com eles, e inclui nos seus discos fados e canções com poemas de Mendinho, Dom Dinis, João Garcia de Guilhade, João Roiz de Castel-Branco, Bernardim Ribeiro…

Através desse arco projetado por Oulman e esculpido por Amália, o grande público descobriu um universo de novo requinte poético, que afinal tanto tinha em comum com o fado tradicional. Era uma forma elevada e intemporal de tratar o mesmo mistério.

Em 1965 era ultraje uma fadista cantar Camões. A polémica foi tal que chegaram a ser publicados na imprensa depoimentos contra e a favor e a montar-se um tribunal fictício na televisão para julgar Amália. Nesse programa, interrogada sobre se também pretenderia cantar o Camões épico responde: “Não sou nada épica. Nem bélica! Se não, acho que já teria batido em alguém.” Quatro anos antes de rebentar o escândalo, Amália tinha já cantado um soneto de Camões na televisão e pressagiado todo o estrondo de 1965. À pergunta sobre de quem eram os versos cantados respondeu apenas: “Estavam num livro…”

A ligação da cantora à poesia contemporânea também se desenvolve com a chegada de Oulman: José Régio, Alexandre O’Neill, Manuel Alegre, Ary dos Santos ou Cecília Meireles. Mas Amália canta mais poetas, muitos mais. Se alguns desses poemas são escritos de propósito para a sua voz, como a “Gaivota”, de Alexandre O’Neill, outros são “roubados” dos livros e até adaptados pela própria Amália, como o “Povo que Lavas no Rio”, de Pedro Homem de Mello. Uma aguda sensibilidade literária que culmina nalguns belíssimos poemas seus, muitos deles também cantados, sobretudo na fase final da carreira.

Outros poetas ficariam na arca dos inéditos da cantora, como Gil Vicente, Almeida Garrett, Mário de Sá-Carneiro, Teresa Rita Lopes ou Armindo Rodrigues.

E como se de poemas para ler se tratasse, Amália reservou muitos destes fados para a intimidade do disco. Na sua grande maioria, este repertório não fazia parte dos recitais ao vivo, que nesta altura aconteciam sobretudo no estrangeiro, com públicos que não entendiam português.

O imenso legado discográfico que nos deixa, testemunho da sua livre atitude poética e do universalismo da sua voz, inicia ainda hoje muitos dos seus admiradores no mundo da poesia portuguesa de qualquer tempo, e para todos os tempos. Frederico Santiago

 

Fonte: BNP

Apresentação do n.º 205 da Colóquio/Letras – Lídia Jorge

No próximo dia 15 de Outubro, pelas 18h30, na Sala 2 da Fundação Calouste Gulbenkian decorrerá a apresentação da Revista Colóquio/Letras, número 205, dedicada a Lídia Jorge.

A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.

A escritora estará presente na sessão que contará com apresentação de Carlos Reis. Participam ainda Guilherme d’Oliveira Martins, Nuno Júdice e Graça Morais.

A sessão será transmitida online em https://youtu.be/aNDvqVhI2vs

 

Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian