D. João de Melo

D. IOAÕ DE MELLO natural de Villaviçosa onde teve por illustres Progenitores a Pedro de Castro de Azevedo Donatario dos Lugares de Ferreira passada, Alcayde mòr de Melgaço, Commendador de Santa Maria de Ansime junto à Villa de Guimaraens, e a D. Brites de Mello filha de Ioaõ de Mello Commendador de Cazavel na Ordem de S. Tiago. Estudou as sciencias severas em a Universidade de Salamanca onde floreceo, e frutificou o seu fecundo engenho com admiraçaõ de todos os Mestres recebendo o gráo de Doutor na Faculdade de Direito Pontificio. Voltando à Cidade de Evora o admitio por seu domestico o Serenissimo Infante D. Affonso Bispo daquella Cathedral venerando na sua pessoa aquella integridade de custumes, q o habilitáraõ para os lugares mais honorificos assim Ecclesiasticos, como seculares. Entre os primeiros Inquizidores de que se formou o Tribunal da Inquiziçaõ de Evora foy nomeado em 10 de Outubro de 1536. pelo Illustrissimo D. Diogo da Sylva primeiro Inquizidor Geral neste Reyno donde passou com o mesmo lugar para a Inquiziçaõ de Lisboa a 16 de Iulho de 1539. Deste Tribunal foy promovido a Deputado da Meza da Conciencia, e Ordens, e depois a Prezidente do Dezembargo do Paço sendo o primeiro, que ocupou este honorifico lugar pois até o seu tempo prezidiraõ nelle os nossos Monarchas. Atendendo aos seus merecimentos ElRey D Ioaõ III. o nomeou em o anno de 1549. Bispo de Sylves em o Reyno do Algarve onde como vigilante Pastor celebrou Synodo Diocesano a 14 de Ianeiro de 1554. No anno seguinte assistio no Concilio Tridentino congregado segunda vez no Pontificado de Julio 11. e em taõ veneravel congresso foy admirada a sua grande litteratura. Restituido ao Reyno foy nomeado Regedor das Justiças de que tomou posse a 17 de Setembro de 1557. devendo-se à direçaõ das suas prudentes maximas, que a justiça se observasse triumfante do respeito dos poderosos, e do soborno dos delinquentes. Constituido pelo Cardial Infante D. Henrique Coadjutor, Provisor, e Vigario Geral do Arcebispado de Evora de que era Pastor, lhe renunciou no anno de 1564. esta grande dignidade sendo o segundo Arcebispo de taõ antigua, como illustre Diocese onde celebrou Synodo em 1565. A que deu principio com huma elegante Oraçaõ o insigne Andre de Rezende. Exercitadas todas as virtudes necessarias para dezempenho da obrigaçaõ pastoral pelo espaço de dez annos deixou a vida caduca pela eterna a 6 de Agosto de 1574. Iaz sepultado em huma das Capelas da Cathedral de Evora da Nave do Lenho, que elle edificou. Fazem memoria deste Prelado Fonceca Evor. Glorios. pag. 301. Fr. Pedro Monteiro Cathal. dos Inquizid. de Evor. e no Cathal. dos Inq. de Lisboa. n. 1. e o Cathalog. dos Bisp. do Algarve pag. 15. n. 36. Souza Agiol. Lusit. Tom. 4. pag. 458. intitulando o Varaõ sabio, prudente, e de santos custumes. Compoz

Constituiçoens do Bispado de Sylves. Lisboa por Germaõ Galhard. 1554. fol.

Constituiçoens do Arcebispado de Evora. Madrid. 1622 fol. Foraõ feitas pelo Infante D. Affonso sendo Arcebispo desta Diocese, innovadas pelo Arcebispo D. Ioaõ de Mello no Synodo celebrado no anno de 1565.

Principios, e fundamentos da Christandade, ou dialogo com hum breve summario de lembranças de que cada hum deve guardar no estado da vida, que tomou. Começa. Porque se achaõ muitas pessoas que variaõ em fazer o sinal da Cruz. Acaba. e Bemaventurança que dura para sempre. Amen. Foy composto quando era Bispo do Algarve, e se imprimio em Lisboa, e depois sendo Arcebispo de Evora o mandou reimprimir nesta Cidade por Andre de Burgos. 1566 12.

Declaraçaõ dos Mysterios da Missa. Evora por Martim de Burgos 16. Consta de 8 folhas. Delle mandou imprimir tres mil o Illustrissimo Arcebispo de Evora D. Theotonio de Bragança para se repartir pelas suas ovelhas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

 

João de Medeiros Correia

IOAÕ DE MEDEYROS CORREA natural de Lisboa filho de Bartholameo de Medeiros Correa, e D. Luiza da Sylva dotada de igual nobreza à de seu consorte. Na adolescencia deu claros argumentos da viveza do engenho, e felicidade da memoria com que na idade adulta conciliou as estimaçoens dos mais famosos eruditos naõ somente pela vasta noticia das letras humanas, Mythologia, Oratoria, e Poetica em que foy insigne, mas pela sciencia practica, e especulativa da Iurisprudencia Canonica, de cuja Faculdade recebeo as insignias doutoraes em a Universidade de Coimbra. Depois de ter servido com igual interesse da Republica, que credito da sua Pessoa os lugares de Iuiz de fóra de Trancoso, e Corregedor da Comarca de Miranda foy nomeado Auditor Geral do Exercito da Provincia da Beyra escrevendo para instruçaõ dos militares posto naõ ser professor das Armas, a seguinte obra.

Perfeito Soldado, e politica militar. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira 1659 4. Dedicado a D. Ieronimo de Atayde Conde da Atouguia General do Exercito da Beyra. Em aplauzo do Author escreveo a discreta Musa do insigne Doutor Antonio Barbosa Bacellar o seguinte Soneto alludindo às palavras do Emperador Iustiniano Imperatoriam majestatem non solùm armis decoratam, sed etiam legibus oportet esse armatam.

Houve até agora Pallas naõ armada,

Havia Pallas armada até agora;

Huma sempre das armas protectora,

Outra sempre nas letras invocada.

Porem depois, que as leys daõ à espada,

E discipulo Marte a Febo adora;

A que preside às letras vencedora,

Essa preside as lides desarmada.

Tu só a Imperatoria Magestade,

De quem sabio Jurista as leys penetras,

Dextro soldado de preceitos armas.

Logrou em fim o Cezar a vontade

Pois lhe ensinas as armas com as letras

Pois lhe adornas as letras com as armas.

Panegyrico a Andre de Alboquerque Ribafria Alcayde mór de Cintra, Mestre de Campo General da Provincia do Alentejo com os Elogios, que à sua morte se fizeraõ. Lisboa por Domingos Carneiro. 1661 4. Alèm do Panegyrico compoz a este argumento Endechas. 3. Sonetos; huma Sylva. e 5. Decimas.

Sylva ao V. Padre Fr. Antonio da Conceiçaõ religioso Trino. Sahio na Fama posthuma deste V. Padre. a pag. 347. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1658 4.

Relaçaõ da Restauraçaõ da Bahia. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1625. 4.

Relaçaõ da Tomada do Recife, Itamaracà, Paraiba &c. Lisboa na Officina Craesbeckiana. 1654. 4. Estas duas Relaçoens sahiraõ sem o seu nome.

Novellas, e Comedias varias com varios generos de Poezia. M. S. 4.

Falleceo em Lisboa, a 15 de Ianeiro de 1671.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei João de Marvila

Fr. IOAÕ DE MARVILLA alumno da illustre Familia da Santissima Trindade taõ perito nas especulaçoens Theologicas como na intelligencia da Sagrada Escritura, e Santos Padres do qual fazem memoria Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 565. col. 1. Altuna Chron. da Relig. da Sant. Trind. p. 630. e Ioaõ Franco Barreto Bib. Portug. M. S.

Compoz.

Documentos espirituaes. 2. Tom. 4. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

João de Matos Fragoso

IOAÕ DE MATTOS FRAGOSO Cavalleiro professo da Ordem de Christo natural da Villa de Alvito da Provincia Transtagana, e filho de Antonio Fragozo de Matos, e de D. Anna de Souza. A natureza o dotou de entendimento perspicaz, memoria feliz, e comprehensaõ sublime por cujos dotes alcançou o respeito dos mayores eruditos do seu tempo. Estudou na Universidade de Evora Filosofia, e como estivesse egregiamente instruido nas letras humanas, Mythologia, Rhetorica, e Poetica se deixou arrebatar desta divina Arte para a qual naturalmente era inclinado, e a cultivou com geral aclamaçaõ na Corte de Madrid onde assistio a mayor parte da sua vida sendo aplaudido pelos mais celebres professores da Poezia Comica admirados do artificio com que compunha as Comedias que se reprezentaraõ em os mayores theatros daquella Corte onde falleceo a 18 de Mayo de 1692. Delle faz honorifica mençaõ o P. Ant. dos Reys Enthus. Poet. n. 159.

Compoz.

Comedias Varias primera Parte. Madrid. por Iulian de Paredes 1658 4.

Sahiraõ junto com outras, ou separadas as seguintes.

Caer para llevantar. Madrid por Miguel Sanches. 1662. 4. com outras.

El Iob de las Mugeres. ibi por Gregorio Rodrigues. 1657 4. com outras

Dè su tiempo el desengaño. Madrid. por Domingos Garcia Morràs 1654. 4. com outras

El segundo Moyses S. Froylano. ibi por Paulo do Val. 1663 4. com outras

El delinquente sin culpa, y bastardo de Aragon.-Poco aprovechan avizos quando ay mala inclinacion.-El galan de su Muger. Estas tres Comedias. Madrid por Domingos Garcia Morrás. 1660 4.

La dicha del Carbonero, y Lourenço me llamo. Madrid. por Francisco Nieto. 1666 4.

Los prodigios de Roma. ibi por Ioze Fernandes de Buendia 1665 4.

El Letrado del Cielo. ibi por Domingos Garcia Morrás. 1666 4.

Los Vandos de Ravena – Instituicion de la Camaldula. – La ocazion haze el ladron. Sahiraõ Madrid por Andre Garcia 1667 4.

La razon vence el poder. Madrid por Iozé Fernandes Buendia 1668 4.

El Bruto de Babilonia – No està en matar el vencer. Madrid por Domingos Garcia Morrás 1668 4.

El sabio en su retiro.

El Fenis de Alemania Santa Christina. Ambas Madrid pelo dito Impressor. 1670 4.

Pocos bastan si son buenos, y Crisol de la lealtad.

La Vengança en el despeño. Ambas Madrid por Iozé Fernandes de Buendia 1670 4.

El nueuo mundo en Castilla.

El mejor cazamiento. Ambas Madrid por Belchior Alegre. 1671 4.

La desdicha por el desprecio.

Estados mudan custumbres. Sahiraõ com outras Madrid por Paulo do Val. 1653. 4.

Amor, Lealtad, y Ventura

El amor haze valientes. Com outras Madrid.

El amor fino en el Valle.

La Boba, y la Discreta.

El Negro de Sevilla.

El Principe prodigioso.

Dexar un Reyno por otro.

S. Francisco de Paula.

El picarillo en España.

  1. Isidoro de Madrid.
  2. Caetano.

La muger contra el Consejó.

Opponerse a las Esrellas.

La misma conciencia acusa.

El negro mas prodigioso.

El Principe Transmontano.

D. Quixote de la Mancha.

La vida de Frislan.

El marido de su madre.

Travessuras son valor.

El amante mudo.

La Dama Capitan.

Offender con el fabor.

El Hercules de Ocaña.

Santa Ollala de Merida.

La Vengança en el desprecio.

Las finezas de Izabella.

Todas estas Comedias sahiraõ impressas sem anno da ediçaõ, nem o nome do Impressor, e das seguintes compoz Ioaõ de Matos Fragozo alguma jornada. La defensa de la Fé, y Principe prodigioso a 1. Parte he sua, e a 2. de Agostinho Moreto Sahio em o livro intitulado El mejor de los mejores libros que han salido de Comedias Madrid por Maria de Quiñones. 1653 4.

La Corte en el Valle. Parte sua, e outra de D. Francisco de Avellaneda, e D. Sabastian de  illaviciosa. Madrid por Andre Garcia de la Iglesia. 1655 4.

El Redemptor cautivo. Com Villavisiosa.

La Virgen de Fuensalida. Com o mesmo, e D. Iuan de Zavaleta. Madrid por Iozé Fernandes Buendia. 1665 4.

Solo el piedoso es mi hijo. A 1. Iornada sua. 2. de Villaviciosa. 3. De Avellaneda. Madrid. por Matheos Fernandes de Espinosa. 1666. 4.

La màs heroica fineza, y fortunas de Nassella. Com D. Iozé, e Diego de Cordova. Madrid. por Domingos Garcia Morràs. 1670 4.

El mejor par de los doze. Parte sua, e de D. Agostinho Moreto.

El Barquero Emperador. 1. Iornada sua. 2. de Ioaõ Baptista Diamante. 3 de D. Andres Gil Henriques. Ambas. Madrid. por Iozé Fernandes de Buendia. 1673 4.

Entremez de las Reverencias

…….. del Galan llevado por mal

……… del Trepado

Bayle del Mellado

Sahiraõ no livro intitulado Tardes apacibles de gustozo entretenimiento. Madrid por Andre Garcia de la Iglesia 1663 8.

El assaetado. Entremez sahio com outros no livro Rasgos del ocio. Madrid por Domingos Garcia Morràs. 1664 8.

Entremez del Matachin.

……….. de D. Terencio.

Sahiraõ no livro Verdores del Parnasso. ibi pelo dito Impressor. 1668 8.

Cançaõ à morte da Rainha de Castella D. Izabel de Borbon. Sahio nas Honras funebres dedicadas a esta Senhora Madrid. 1645. 4.

Soneto, e Romance à morte do D. Ioaõ Peres de Montalvaõ. Sahiraõ a fol. 48.

v°. e 68. das Lagrimas Panegyricas a este assumpto. Madrid. 1639 4.

Outavas em louvor de S. Pedro de Alcantara. Sahiraõ a pag. 60 da Relaçaõ das Festas da Canonizaçaõ do mesmo Santo. Madrid. 1670 4.

Festejo nupcial en las felices bodas de la Magestad de D. Pedro 2. y la muy alta, y soberana Señora D. Maria Sofia Izabella Palatina Reys de Portugal. Madrid. 1687 4. Consta de Outavas.

Accentos Lyricos al feliz nacimiento del esclarecido Principe hijo primogenito de los Señores Reys de Portugal. 4. Sem anno da ediçaõ, e nome do Impressor.

Muestra del Ingenio en la de un Relox. 4. sem anno nem lugar da Impressaõ.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Padre João de Matos

P. IOAÕ DE MATTOS natural de Lisboa, e filho de Juliaõ de Goes, e Appollonia de Mattos. Na idade de 17 annos se alistou na Companhia de JESUS em o Collegio de Coimbra a 9 de Mayo de 1598. Depois de ensinar letras humanas, e Filosofia dictou doze annos a Sagrada Theologia nos Collegios de Coimbra, e Evora onde recebeo o gráo de Doutor a 26 de Julho de 1627. Querendo Filippe IV. que no Collegio Imperial de Madrid se lesse huma Cadeira de Politica o mandou chamar, e lhe cometeo esta incumbencia ideada pelo Conde Duque de Olivares D. Gaspar de Gusmaõ valido daquelle Monarcha, e posto que obedeceo á real insinuaçaõ compondo huns Aforismos politicos extrahidos de Aristoteles, e dos Estadistas modernos naõ teve effeito esta idea. Foy em Roma Assistente do Geral de cujo lugar foy substituto do Padre Nuno Mascarenhas no anno de 1637. Onde esteve até se celebrar a outava Congregaçaõ. Restituido ao Reyno, e à patria com o lugar de Visitador da Provincia falleceo piamente na Caza professa de S. Roque a 7 de Dezembro de 1648. com 67 annos de idade, e 50 de Religiaõ. Delle se lembraõ Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 566. col. 2. Ioan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. 1 n. 54. Bib. Societ. pag. 478. col. 2. Fonceca Evor. Glorios. pag. 433. Franco Imag. da Virt. em o Nov. de Coimb. Tom. 2. pag. 619. e Annal S. J. in Lusit. pag. 295. n. 9. Deixou dous Volumes de Theologia intitulados

De Judiciis Divinis. fol. M. S.

De Judiciis humanis. fol. M. S.

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]