Lendo-se no ondular da sensação  ou Uma concepção proustiana de literatura

Lendo-se no ondular da sensação ou Uma concepção proustiana de literatura

Obra póstuma da autoria de Marcel Proust, Contre Sainte-Beuve parece, em boa verdade, ser um original manifesto literário. Por entre as várias páginas desse seu livro, o escritor expõe uma concepção pessoal de literatura, apresentando-a como expressão de um eu que, no âmago da solitude, em toda a sua poesia se desvela. Despojando-se desse outro eu frívolo que nas relações sociais superficialmente se exibe, o artista  trilha um caminho até ao mais íntimo de si mesmo, dando voz, nessa sua travessia, ao que de mais profundo em si repousa. Sibila-nos Proust, por entre o folhear de um dos seus cadernos: (mais…)

Grémio das Nove – Clube de Leitura – África na Literatura Portuguesa, por Carlos Vale Ferraz 12 de Abril, pelas 21h00, na galeria do IAC

Sexta-feira, 12 de Abril, pelas 21h00, o IAC recebe Carlos Vale Ferraz no Grémio das Nove, para uma conversa sobre África na Literatura Portuguesa. Onde o autor tentará responder a diversas questões, relacionadas quer com a representação do continente africano na literatura portuguesa, em particular na ficção, no romance, desde o final do século XIX aos nossos dias, quer com o modo como a questão colonial africana foi tratada pelos escritores portugueses. Questões que incluem o Ultimato Inglês, a Conferência de Berlim e a definição dos espaços coloniais, a passagem da Monarquia para a República, a Grande Guerra, o Estado Novo, a Guerra Colonial e o pós-25 de Abril. Outras questões serão a de saber se existe uma literatura portuguesa de temática colonial, se existe uma geração de escritores da guerra e do colonialismo e, ainda, uma literatura da pós-colonialidade. Bem como a de se tentar perceber qual é o estado actual de África, enquanto tema, na literatura portuguesa e na literatura em português.

Carlos Manuel Serpa de Matos Gomes nasceu em Vila Nova da Barquinha, em 1946) e assina os seus livros com o pseudónimo Carlos Vale Ferraz. Fez os estudos secundários no Colégio Nun’Alvares, em Tomar e ingressou na Academia Militar, em 1963. É licenciado em Ciências Militares, com pós-graduações no Instituto Superior Militar e no Instituto de Defesa Nacional. Cumpriu comissões militares em Moçambique, Angola e Guiné. Pertenceu à primeira comissão coordenadora do Movimento dos Capitães, na Guiné. Participou no 25 de Abril de 1974 e no processo político que se seguiu. Além da carreira militar, desenvolveu intensa actividade como escritor de ficção e dedicou-se à investigação da História Militar contemporânea. É autor de uma vasta obra, de que se destacam os romances “Nó Cego”, considerado hoje um clássico da literatura da época da guerra colonial; “Os Lobos Não Usam Coleira” (adaptado ao cinema por António-Pedro Vasconcelos com o título “Os Imortais”); “Fala-me de África” (que serviu de base à série da RTP “Regresso a Sizalinda”), “Basta-me Viver” e “A Última Viúva de África” (vencedor do Prémio Literário Fernando Namora/2018). Tem publicado também contos em várias colectâneas, nomeadamente “Memórias da Guerra Colonial” e “Uma Terra Prometida”. A sua obra foi tema da tese de doutoramento do Professor Rui Teixeira na Universidade de Colónia.

Autor dos argumentos do filme “Portugal SA”, de Ruy Guerra e da série “Regresso a Sizalinda”, realizada por Jorge Queiroga, colaborou com Maria de Medeiros no guião do filme “Capitães de Abril”, onde foi também actor.

Na área da investigação de História Militar publicou várias obras sobre a guerra colonial e tem publicado artigos sobre africanização, colonização e descolonização na “Revista de Estudos Universitários do CES/Universidade de Coimbra” e “Publicações da Academia Militar”. É conferencista convidado do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

 

Christine de Pizan e outras vozes femininas da Idade Média II SEMINÁRIO PRIMAVERAS MEDIEVAIS | 18 abr. ´19 | 14h00 | Biblioteca Nacional de Portugal, Sala Multimédia | Entrada livre

Segunda edição do seminário internacional Primaveras Medievais, dedicado a Christine de Pizan e outras Vozes Femininas da Idade Média, organizado por Luciana Calado Deplagne, do Grupo Christine de Pizan, e por Isabel Lousada (CICS NOVA e CLEPUL FLUL), com o apoio da Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas.

 

Programa

14h00 | Abertura do Seminário | Isabel Lousada (CICS.NOVA–UNL, CLEPUL-UL)
Vozes de mulheres no manuscrito de Vindel | Ria Lemarie (Université de Poitiers, França)

Apresentação: Luciana Deplagne (UFPB/Grupo Christine de Pizan / DGP/CNPq)

15h30 | Mesa-redonda 1

Vozes de mulheres da Idade Média: perspectivas historiográficas

Cláudia Brochado (UnB), Manuela Santos Silva (Universidade de Lisboa), Paula Rodrigues (Universidade de Lisboa)

Coordenação: Isabel Lousada (CICS.NOVA – UNL,  CLEPUL- FLUL)

 

16h30 | Apresentação cultural
Contos e cantos com as Trovadoras Itinerantes

 

17h00 | Mesa-redonda 2

Vozes de mulheres da Idade Média: perspectivas literárias

Karine Rocha (UFPE), Luciana Calado Deplagne (UFPB), Luciana da Costa Dias (UFOP)

Coordenação: Aldinida Medeiros (UEPB)

 

18h00 | Lançamento de livros

Vozes de mulheres da Idade Média – Org: Cláudia Brochado, Luciana Deplagne
Sobre as doenças das mulheres, Trotula – Org: Karine Simoni, Luciana Deplagne
O pergamiño Vindel e Martin Codax – Org: Alexandre R. Guerra, Xosé Bieito A. Freixedo
Conflitos matrimoniais na Idade Média. Barcelona, século XV – Cláudia Costa Brochado

 

18h30 | Brinde à primavera