Caronte à Espera, de Cláudia Andrade

Cláudia Andrade é a mais recente aposta da Elsinore, editora que discretamente tem vindo a apostar em novas vozes literárias, como João Reis ou Raquel Gaspar Silva, mas  sobretudo em autores que além de inéditos trazem uma nova voz ao panorama literário português, uma assinatura de estilo na sua prosa.

Depois do furor causado pelo seu livro de contos Quartos de Final e Outras Histórias, publicado em Setembro de 2019, considerado um dos melhores livros do ano pela crítica, finalista do Prémio Autores 2020 (Melhor Livro de Ficção Narrativa) da Sociedade Portuguesa de Autores, Cláudia Andrade presenteia-nos agora com o seu primeiro romance, Caronte à Espera, que reafirrma a força da sua voz na literatura portuguesa. (mais…)

Memória do mar, de Manuel Rui

Depois de ter lido o divertido Quem me dera ser onda, que foi aliás agora reeditado em Portugal, sobre os dois meninos que tentam proteger o porco que vive na varanda de um deles de uma matança, tratando-o como a um animal de estimação – é outro livrinho rápido deste autor angolano mas de leitura prazenteira, onde se parece retratar cerca de 500 anos de Angola, como um país ainda perdido e confuso na busca de uma identidade. O livro foi publicado em 1980 e descobri-o por acaso pelo que tive de o ler imediatamente, até porque não é fácil encontrar obras deste senhor. É um livro estranho, que tenta incorrer no fantástico mas mais parece resultar em crítica ou sátira do país. No entanto, não deixa de ter passagens divertidas como esta:

«Ainda a propósito da pastoral de quatro anos depois dos quinhentos, revelou o historiador: chegaram os bispos a lavrar uma acta aditamento. Nela se teciam elogios à senhora de Fátima. Debatia-se a palavra nossa que antecedia senhora e a urgente necessidade de o rosto agora ser pintado de preto, por razões políticas, tendo-se registado também a possível alteração de feições. E, levantada que foi em acta a maka racial, ficou em dúvida se, daí para o futuro, a santa não deveria figurar albina.» (pág. 110) Paulo Serra

 

[texto publicado originalmente, em Outubro de 2016, no blogue Palavras Sublinhadas]

O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa

Narrado por uma osga, sujeita agora a essa “condição” mas que ainda relembra a sua vida anterior – pelo que parece haver um exercício de metempsicose qualquer ou simples reencarnação – o livro centra-se na personagem de Félix, um vendedor de passados albino, alguém que traça genealogias e toda uma história falsa, em suma, para justificar a ambição do sangue novo que grassa em Angola em que toda uma classe parece ter emergido após a guerra e quer ver as suas origens dignificadas ou mitificadas de alguma forma. Até que Félix aceita um trabalho diferente do normal, em que um indivíduo quer todo um passado inventado, o que só pode mostrar que ou não tem história ou tem história demais e quer fugir do que não consegue deixar para trás. No fim interligam-se várias histórias com um volte-face surpreendente e que revela a história de um país que ainda tem muitas cicatrizes por lamber. Dos livros que li de Agualusa fica-me sempre a sensação, no entanto, que há algo forçado na forma como tenta encaixar as peças do puzzle, ao querer interligar histórias distintas. A preparar-me para ver o filme a seguir. Paulo Serra

 

[texto publicado originalmente, em Outubro de 2016, no blogue Palavras Sublinhadas]

Edição facsimilada de «Por Trás-os-Montes: Notícias de uma Excursão», J. Leite de Vasconcelos

No próximo dia 13 de Setembro, na Feira do Livro, pelas 16h, será lançada a edição facsimilada e anotada de «Por Trás-os-Montes. Notícias de uma Excursão», J. Leite de Vasconcelos.

A mesma tem uma introdução de Fernando Brissos sobre “Leite de Vasconcelos e a linguística portuguesa em viagem” e  uma nota sobre José Leite de Vasconcelos, assinada por António Carvalho, Director do MNA e Filomena Barata, Técnica Superior do MNA