Padre António Cardoso do Amaral

P. ANTONIO CARDOSO DO AMARAL, Presbytero secular, Formado em Canones, e Reitor da Igreja de S. Lourenço da villa de Santarem, de que tomou posse em 1598. – Natural de Ruivães, bispado de Lamego. Não constam as datas do seu nascimento e morte. – E.

500) Devocionario da Virgem Senhora nossa. Soccorro das almas do Purgatorio. Lisboa, 1627. 24.º.

 

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António Cândido Pedroso Gamito

ANTONIO CANDIDO PEDROSO GAMITTO, natural de Setubal, n. em 1806, actualmente Major do Exercito, e Cav. da Ord. de S. Bento de Avis etc. etc. Serviu militarmente por mais de dezesete annos na provincia de Moçambique, para a qual foi despachado Alferes em 1825. Ainda em 1853, sendo Governador da torre do Outão, teve de voltar a Africa, nomeado Governador do districto de Tete, cujo logar exerceu por tempos. – E.

499) O Muata Cazembe, e os povos Maraves, Chevas, Muizas, Muembas, Lundas e outros da Africa austral. Diario da expedição portugueza commandada pelo Major Monteiro (1831 a 1832). Lisboa, na Imp. Nac. 1854. 8.º gr. de XIII‑501 pag. com dezoito estampas e um mappa-itinerario.

Tem publicado varios artigos no Archivo Pittoresco, 1857-1858, fructo das suas observações e da experiencia adquirida durante a sua demorada residencia nos diversos paizes d’Africa oriental.

 

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António Cândido Palhoto

ANTONIO CANDIDO PALHOTO, Bacharel formado em Medicina pela Univ. de Coimbra etc. – N. na villa da Chamusca em 1806.

498) Da influencia das searas d’Arroz na agricultura e na salubridade publica. Lisboa, na Imp. Nacional 1852. 8.º gr. de 27 pag.

«É (na opinião do sr. Rodrigues de Gusmão) uma bella dissertação, escripta com profundo conhecimento da materia, na qual se discute theorica e practicamente esta grave questão de hygiene publica.»

 

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D. António Caetano de Sousa

D. ANTONIO CAETANO DE SOUSA, Clerigo Regular Theatino, duas vezes Preposito na Casa de S. Caetano, Deputado da Junta da Bulla da Cruzada, um dos primeiros cincoenta Academicos da Acad. Real da Historia Portugueza, etc. – N. em Lisboa a 30 de Maio de 1674, e m. na mesma cidade a 5 de Julho de 1759. – V. a sua vida que extensamente escreveu D. Thomás Caetano de Bem, no tomo II das Mem. Hist. e Chron. dos Clerigos Regulares de pag. 174 a 199. – E.

491) (C) Historia Genealogica da Casa Real Portugueza desde a sua origem até o presente, com as familias illustres que procedem dos Reis, e dos Serenissimos Duques de Bragança, justificada com instrumentos e escriptores de inviolavel fé. Lisboa, por José Antonio da Silva 1735 a 1748. 4.º gr. 12 tomos, tendo no primeiro o retrato do auctor, e no quarto as estampas descriptivas dos sellos reaes, e das medalhas e moedas cunhadas em Portugal desde o principio da monarchia. O tomo XII por mui volumoso costuma ser encadernado em duas partes: ao todo XIII volumes, com 14:203 paginas, sem contar os indices, etc.

492) (C) Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza tiradas dos instrumentos do Archivo da Torre do Tombo, da Serenissima Casa de Bragança, de diversas Cathedraes, Mosteiros, e outros particulares d’este reino. Lisboa, na Reg. Off. Silviana 1739 a 1748. 4.º gr. 6 tomos, com 4:580 paginas

Indice geral dos appellidos, nomes proprios, e cousas notaveis que se comprehendem nos treze tomos da Historia Genealogica, e dos documentos comprehendidos nos seis volumes de Provas com que se acha auctorisada a mesma Historia. Ibi, na mesma Off. 1749, 4.º gr. de 435 pag.

Esta obra grandiosa e monumental, dedicada pelo auctor a elrei D. João V, e por este mandada imprimir á sua custa, com quanto pareça pelo seu titulo pertencer só á Casa Real, pode ser verdadeiramente considerada uma historia geral do reino; pois que nas suas vastas dimensões abrange variadissimos assumptos, mais ou menos enlaçados com a genealogia e acções da familia real desde o principio da monarchia.

Quanto ás Provas além dos documentos que encerrarn, e que são de subida importancia para a historia politica, civil e ecclesiastica do reino, alguns dos quaes se procurariam hoje inutilmente em outra parte por se haverem extraviado, ou consumido com o incendio subsequente ao terremoto de 1755 os originaes d’onde foram trasladados, entrando n’esse numero todos os do Archivo da Casa de Bragança; contém egualmente especies de grande valor para os estudiosos da lingua portugueza, e da historia litteraria do nosso paiz. Entre os que se acham n’este caso merecem especial menção: No tomo I a collecção de varias obras miudas d’elrei D. Duarte (embora algumas não sejam mais que trechos ou capitulos soltos do Leal Conselheiro, que hoje gosamos impresso na sua integra: – no tomo II a Doutrina de Lourenço de Caceres ao infante D. Luis: – no tomo III a Oração do Senhor D. Duarte em louvor da philosophia: – no tomo V o Itinerario da jornada que fez D. Afonso Conde de Ourem ao Concilio de Basilea: – no tomo VI a traducção de uma Oração dirigida a elrei D. Affonso V por Vasco Fernandes de Lucena, etc. etc.

É certo que entre tantas joias quantas em si encerra este precioso thesouro, ha algumas de mais inferiores quilates, e nem tudo póde ser indistinctamente julgado por verdadeiro ouro de lei. João Pedro Ribeiro nas Observações Diplomaticas a pag. 69 tractando da obra e do seu auctor, explica‑se em termos severos, e assás desabridos, como era do seu costume, dizendo: «D. Antonio Caetano de Sousa nas Provas que juntou á sua Historia Genealogica semeou tantos erros, e tão grosseiros, que apenas se póde suppor que elle chegasse a ler alguns monumentos que ahi produziu: tendo-se servido de pessoas inteiramente ineptas para lhe tirar as copias.» E em seguida aponta varios exemplos concernentes a comprovar a verdade de suas assersões. Estas censuras porém recahindo sobre pequenas manchas não podem privar a obra do conceito e estima que merece, nem seu auctor da glória que lhe compete por tel-a emprehendido e terminado á custa de porfiado estudo, e das fadigas de tantos annos, com a efficacia e perseverança de que não ha entre nós muitos exemplos.

A Historia Genealogica é geralmente conhecida e apreciada dentro e fóra de Portugal. Ainda no Catalogo da Livraria do finado Lord Stuart que em Londres se imprimia em 1855, vem ella qualificada (sob n.° 3408) de obra rarissima; e no manual de Brunet se fez mencão de alguns exemplares vendidos em tempos modernos por 210 francos, 190 ditos, e até por 13 lb. st. Em Portugal porém, nem gosa d’aquella qualificação, nem os seus preços são hoje tão subidos. Os mais perfeitos e bem acondicionados exemplares não têem excedido, que eu saiba, a 28:800 réis. O preço mais regular é de 19:200 até 24:000 réis; porém não é raro achal-os por menor quantia mormente havendo qualquer defeito attendivel, como a desigualdade nas encadernações, o mau estado d’estas, o demasiado aparo das folhas etc., etc.

493) (C) Serie dos Reis de Portugal, reduzida a taboas genealogicas com uma breve noticia historica etc. – Lisboa, na Reg. Off. Silviana 1743. fol. ou 4.º maximo, de 200 pag., illustrada com os brazões d’armas respectivos ás reaes familias, e gravados com primôr. – Obra incomparavelmente mais rara que a Historia Genealogica, pois d’ella se tiraram apenas vinte e cinco exemplares, segundo affirma D. Thomás Caetano de Bem, que tinha toda a razão para o saber. Falta na maior parte das livrarias, e não sei que desde muitos annos tenham apparecido exemplares no mercado.Teve um Lord Stuard; consta-me que ha outro na Livraria Real das Necessidades; e vi um terceiro na Bibl. Nacional.

494) (C) Memorias historicas e genealogicas dos Grandes de Portugal. Lisboa, por Antonio Isidoro da Fonseca 1739. 8.º sr. – Ibi, pelo mesmo 1742. 8.º gr. – & ibi, na Reg. Off. Silviana 1755. 4.º de XLIV‑715 pag. – Esta edição, que é na realidade a terceira, posto que no frontispicio se declare ser segunda, merece incontestavel preferencia sobre as outras duas pelos augmentos e consideraveis correcções que o auctor lhe fez. Ainda que até ha poucos annos tenham os exemplares d’ella sido cotados nos catalogos a 2:400 réis, vendem-se ordinariamente por menos, e os preços mais communs são entre 960 e 1:600 réis.

495) (C) Agiologio Lusitano dos Sanctos e Varões illustres em virtude do Reino de Portugal e suas conquistas. Tomo IV, que comprehende os mezes de Julho e Agosto, e com seus commentarios. Lisboa, na Reg. Off. Silviana 1744. fol. de XXIV‑728 pag. – É continuação dos tres tomos que do mesmo assumpto deixara impressos Jorge Cardoso, e escripto conservando o mesmo methodo e systema; ainda que com mais alguma critica, e menos credulidade. Os commentarios fornecem abundantes noticias para a historia do paiz, no que diz respeito á sua topographia e antiguidades. (V. Jorge Cardoso.)

Alem das obras que ficam mencionadas, e das que deixou manuscriptas e imperfeitas, sahiram tambem incorporadas na Collecção dos Documentos e Mem. da Acad. Real de Historia as seguintes:

496) Catalogo dos Bispos da igreja do Funchal – Outro dos Arcebispos da Bahia, e mais Bispos seus suffraganeos. – Insertos no tomo I.

497) Catalogo dos Arcebispos de Goa, e dos Bispos de Cochim, Meliapor, China, Japão, Macau, Nankin, Malaca, etc. – Outro dos Bispos de S. Thomé e Angola – E outro dos Bispos da igreja de Angra. – Todos insertos no tomo II.

Nem sempre se deve confiar na exactidão de todos estes catalogos; e o proprio auctor havia ja reconhecido alguns defeitos e erros que n’elles lhe escaparam: veja-se o que diz a este proposito o citado D. Thomás Caetano de Bem na vida do P. Sousa acima apontada.

 

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António Caetano do Rosário Afonso Dantas

ANTONIO CAETANO DO ROSARIO AFFONSO DANTAS, Medico do Hospital militar de Nova Goa, e Membro do Conselho de Saude Militar da mesma provincia, d’onde é natural. – E.

490) Descrpição da mortifera molestia epidernico-spasmodica da choleramorbo, coordenada das observações colhidas do exercicio clinico de 36 annos. Nova Goa, 1850. 8.º.

Ainda não poude ver este opusculo, do qual um exemplar foi pelo auctor offerecido á Acad. R. das Sc. de Lisboa; porém não me foi possivel ahi encontral-o.

 

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