D. Frei Henrique de Távora

D. Fr. HENRIQUE DE TAVORA naceo na celebre Villa de Santarem sendo fîlho terceiro de Fernaõ Cardoso muito estimado na Corte delRey D. Joaõ o III. pelos seus sentenciosos apothegmas, e D. Filippa de Brito irmãa de Manoel Serraõ de Brito. Por insinuaçaõ do Cardial D. Henrique de quem fora moço da Camara recebeo o illustre habito da Ordem dos Pregadores em o reformado Convento de Bemfica (onde havia dous annos professara o mesmo instituto seu irmaõ mais moço Fr. Fernando de Tavora, que depois foy Bispo do Funchal) a cujo actro assistio aquelle Principe mudando em seu obzequio o nome de Jeronimo, que tinha no Seculo em o de Henrique. Passado o anno do Noviciado com exemplar observancia professou solemnemente a 14 de Agosto de 1557. nas mãos do insigne Varaõ Fr. Bartholameu dos Martyres Prior de Bemfica, e tal foy o afecto, que lhe teve pela religiosa modestia, e summa prudencia de que era ornado, que sendo constrangido aceitar a Mitra Primacial de Braga o elegeo por seu domestico em quem descansava parte dos seus cuidados nastoraes. Com o tempo foy crecendo a estimaçaõ que fazia da sua pessoa querendo, que o acompanhasse ao Concilio Tridentino para onde partio a 24 de Março de 1561. Neste veneravel Congresso conciliou Fr. Henrique geral aclamaçaõ fundada na sua virtuosa vida, e profunda sciencia, da qual deu manifestos argumentos pregando a primeira Dominga da Quaresma, que cahio a 15 de Fevereiro de 1562. na prezença daquella authorizada Assemblea onde reprehendeo com apostolica liberdade os vicios, q manchavaõ o puro ouro do Sanctuario, e de que eraõ escandalozos reos as primeiras pessoas da Jerarchia Ecclesiastica. Restituido ao Reyno foy eleyto Prior do Convento de Evora em cujo governo se habilitou para outro mayor sendo nomeado por ElRey D. Sebastiaõ Bispo da Cathedral de Santa Cruz de Cochim em cuja dignidade o confirmou S. Pio V. a 13 de Janeiro de 1567. donde foy promovido para Arcebispo de Goa Primaz do Oriente por Bulla de Gregorio XIII. a 20 de Janeiro de 1578. Como verdadeiro discipulo do zelo pastoral do Ven. Fr Bartholameu dos Martyres vizitou pessoalmente todas as Igrejas de taõ vasta Diocese reformando costumes, extinguindo abuzos, e plantando virtudes até chegar à Cidade de Chaul distante sessenta legoas de Goa contra o Norte, e como a achasse infecionada de enormes vicios se armou com as obras, e palavras a reduzilla ao caminho da penitencia, porem como desta reduçaõ se offendesse hum dos seus moradores para se vingar do zelozo Prelado lhe deu ocultamente veneno, que o privou da vida a 17 de Mayo de 1581. Jaz sepultado no Cruzeiro do Convento de S. Domingos junto ao Altar da Senhora do Rosario. Delle fazem merecida mençaõ Souza Vid. de D. Fr. Bartholameu dos Martyr. liv. 2. cap. 1. e na Hist. de S. Domingos da Prov. de Portug. Part. 2. liv. 2. cap. 12. Cunha Hist. Eccles. de Brag. Part. 2. cap. 83. n. 10. Fernand. Concert. Praed. ad an. 1573. pag. 279. e na Hist. Ecclesast. liv. 2. cap. 12. Lopes Chron. da Ord. de S. Domingos. 4. P. no fim. Santos Etiop. Orient. liv. 2. cap. 13. Cardozo Agiolog. Lusit. Tom. 3. pag. 296. E 302. no Coment. de 17. de Mayo lit. E. Echard. Script. Ord. Praed. Tom. 2. p. 264. col. 1. & 2. Nic. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 432. col. 1. Ioan. Soar. de Brito. Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 7. & 10. O qual se enganou duplicando em dous, cujo erro seguio Altamura ad ann. 1562. Mont. Claustr. Dom. Tom. 1. pag. 45. n. 32. e pag. 170. n. 5. e Tom. 3. pag. 228. Fontana Monum. Dom. Part. 4. cap. 6. fol. 481. Vasconcel. Hist. de Sant. Edificad. Part. 2. cap. 35. Souza Cathal. dos Bisp. de Cochim. E Arcebispos de Goa. Compoz.

Oratio de Calamitatibus Ecclesiae in Tridentina Synodo habita Dominica prima Quadragessimae 15. Februarii 1562. Brixiae 1562. com todas as Actas do Concilio. Lovanii 1567. fol. a pag. 294. & Parisiis 1672. fol. na ediçaõ de todos os Concilios. Tom. 15. col. 1386. Começa a Oraçaõ. Nemo est SS. PP. qui hujus nostri turbulenti saeculi. Acaba. Divina suppeditante conscientia perfruamur.

Advertencias para o que devem fazer os Confessores. Coimbra. 1560. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Henrique de Sousa de Jesus Maria

Fr. HENRIQUE DE SOUZA DE JESUS MARIA Religioso da Sagrada Ordem do Monte do Carmo da Provincia da Bahia onde exercita com aplauzo o ministerio de Orador Evangelico, publicou.

Sermaõ da Justiça na primeira Outava do Espirito Santo estando presente o Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor Andre de Mello de Castro Conde das Galveas, e Vicerey do Estado do Brazil com toda a Relaçaõ do mesmo Estado pregado no Convento do Carmo da Cidade da Bahia. Lisboa por Domingos Gonsalves. 1745. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Henrique de Sousa

HENRIQUE DE SOUZA natural de Coimbra, e filho do Doutor Joaõ de Mello de Souza Dezembargador dos agravos na Caza da Suplicaçaõ, e nella Chanceller, Fidalgo da Caza Real a quem imitou na sciencia juridica, e afluencia poetica como cantou o insigne Poeta Pedro Sanches na Carta escrita a Ignaciõ de Moraes.

En tibi ni fallor generosa, & vera propago

Praeclari Melli Henricus, qui damna rependit

Etsunt, quod fata mala inflixere Minervae.

Foy Dezembargador da Caza da Supplicaçaõ de que tomou posse no primeiro de Agosto de 1576. Procurador das Ordens Militares, e ultimamente Dezembargador do Paço. Morreo em Lisboa a 15 de Junho de 1605. Compoz.

Decisiones ad Ordines Militares pertinentes. fol. M. S.

Egloga entre Pereiras, e Carvalhos. M. S.

Epigramma in Laudem Lupi Serrani de Senectute scribentis.

Poesias em aplauzo de Santo Antonio de Lisboa. M. S.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Henrique do Quental Vieira

HENRIQUE DO QUENTAL VIEYRA natural da Villa de Santarem filho do Licenciado Rafael do Quental Vieyra, e neto do insigne medico Fernando Alvres  Cabral, e como elle professor da mesma Faculdade em a Academia Conimbricense, onde sahindo nella eminente alcançou as mayores estimaçoens pelo methodo com que triumfava das infermidades mais perigosas. Foy elegante Poeta assim na lingua materna, como Castelhana, Latina, e Italiana sendo as suas composiçoens metricas ouvidas com grande aplauzo na Academia dos Singulares instituida em Lisboa no anno de 1663. do qual era famoso Collega por cuja cauza o numera, e a seu irmaõ entre os milhores alumnos do Parnasso Portuguez, Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit. Estanc. 66.

Puede a los dos Quintales eminente

Tanto el Laurel honrar com fin glorioso

Que jàctando-se en ellos de excellente

Passe a ver graves versos de Viçoso.

Morreo em Lisboa a 16 de Junho de 1664. deixando compostas as obras seguintes. Dous Sonetos hum Castelhano, e outro Portuguez à morte de D. Maria de Atayde. Nas Memor. Funeb. desta Senhora. Lisboa na Officina Craesbeckiana 1650. 4.

Quatorze Epigramas latinos. Huma Elegia Portugueza. Poesia latina   Macaronica ao Carnaval. 4 Sonetos 3 Sylvas. 1. Tercetos. 16 Decimas. 1 Romance. 1 Redondilhas a diversos assumptos sahiraõ impressos na 1. Part. da Academia dos Singulares Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1665. 4. & ibi por Manoel Lopes Ferreira. 1692. 4.

Guia de Sangradores. Lisboa por Joaõ da Costa. 1669. 8. & ibi pelo dito Impressor. 1670. 8.

Disceptationes apologeticae de sanguinis missione, & purgatione speculative, & practice. Tom. 1. M. S. volume grande.

Observationum Medicarum practicarum Tomi duo cum Scholiis. Continent centum quadraginta quinque observationes. M. S. fol.

Dialogus de febre maligna. M. S. 4.

Empyrica, sive Secreta Secretorum omnium infermitatum Corporis humani. Tomus primus. M. S. fol.

Todas estas obras conservava com grande estimaçaõ o Doutor Henrique Moraõ Medico da Camara delRey D. Pedro II.

De pulchritudine. Esta obra vio Joaõ Franco Barreto como afirma na Bib. Portug. M. S.

Tratado do Tabaco. M. S.

Delle fazem memoria D. Francisco Manoel de Mello Carta dos AA. Portuguezes ao Doutor Manoel Themudo da Fonceca, e Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 9.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]

Frei Henrique de Penalva

Fr. HENRIQUE DE PENALVA natural do Conselho do seu appellido situado em a Provincia da Beira do Bispado de Viseu, Monge Cisterciense, e muito perito na erudiçaõ sagrada, e profana. Escreveo.

De Accentibus. M. S. fol. Conservase na Bibliotheca do Real Convento de Alcobaça.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]