Lugar privilegiado onde, desde tempos muito recuados, a Natureza foi entendida como expressão eloquente da divindade, a Arrábida é ainda hoje um dos centros espirituais da Península Ibérica. Nesse território entre o mar e a montanha, culto e cultura encontraram um “deserto” onde é possível ao Homem descobrir a liberdade como essência da vida. Entre 1539 e 1834, a presença dos franciscanos junto do santuário de Santa Maria da Arrábida renovou a leitura desse “paraíso”. Interpretaram a envolvente do convento, descobrindo aí o Criador nas criaturas.

Frei Agostinho da Cruz (1540 – 1619) foi quem melhor exprimiu a essência da serra e do franciscanismo aí vivido. Entendê-lo e entender a sua poesia é compreender melhor a serra, a espiritualidade que encerra e o quanto é actual nos nossos dias e no futuro. Compreender a obra deste poeta não é tarefa que se possa cumprir em pleno sem se entender o contexto em que ela se firmou, sobretudos nos últimos 14 anos da sua vida, nos quais fez vida eremítica na Arrábida. O colóquio interdisciplinar “Frei Agostinho da Cruz e o Convento da Arrábida” pretende contribuir para esse entendimento. Junta vários especialistas que apresentarão estudos sobre a tradição eremítica da Serra, a sua evolução histórica em contexto franciscano, algumas obras de arte que gerou e alberga, bem como as fontes espirituais da poesia do frade menor, o modo como a sua imagem idealizada se estruturou ao longo do tempo e, ainda, as vias através das quais se gravou em duas figuras da poesia portuguesa do século XX, Sebastião da Gama e Daniel Faria.

Trata-se de uma rara ocasião de estudo, debate e contemplação de um património único no nosso país.

PROGRAMA

14 MARÇO | SÁBADO
14.00 | Recepção.
14.15 | Abertura.
14.30 | 1º PAINEL

  • Em busca da solidão e da vida pobre: frades e eremitas nas imediações da Arrábida nos finais da Idade Média
    João Luís Inglês Fontes (NOVA FCSH – IEM / CEHR – UCP)
  • A imagem gótica de Nossa Senhora da Arrábida
    Carla Varela Fernandes (NOVA FCSH/IEM)

  • A Casa de Aveiro e o Convento da Arrábida (1539 – 1759).
    Rui Manuel Mesquita Mendes (Centro Artis / Instituto de História da Arte – FLUL)

16.00 | Debate

16.15 | Pausa para café.

16.40 | 2º PAINEL

  • O painel maneirista de Fernão Gomes (1548 – 1612) em Santa Maria da Arrábida
    Vítor Serrão (Centro Artis / Instituto de História da Arte – FLUL)
  • O azulejo dos séculos XVII e XVIII como elemento decorativo no Convento de Nossa Senhora da Arrábida e nos restantes conventos da sua Província
    Joana Belard Da Fonseca (Fundação Oriente / Museu do Oriente)

17.40 | Debate

15 MARÇO | DOMINGO
9.30 | Reabertura dos trabalhos
9.45 | 3º PAINEL

  • Fontes franciscanas da espiritualidade de Frei Agostinho da Cruz
    Frei Hermínio Araújo ofm (Guardião do Convento de Santo António do Varatojo)
  • A construção de Frei Agostinho da Cruz
    Ruy Ventura (Cátedra Poesia e Transcendência – UCP Porto)

10.45 | Pausa para café.

11.00 | 4º PAINEL

  • Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama
    João Reis Ribeiro (Associação Cultural Sebastião da Gama)
  • Frei Agostinho da Cruz e Daniel Faria
    António Carlos Cortez (CLEPUL – FLUL)

12.00 | Debate
12.15 | Sessão de encerramento.
12.30 | Almoço nas instalações do Convento.
14.30 | Visita ao convento da Arrábida.

As inscrições decorrem entre 10 de Fevereiro e 4 de Março de 2020, estando limitadas à quantidade de lugares sentados no auditório do Convento de Santa Maria da Arrábida.

Inscrição, sem almoço | €10
Inscrição, com almoço e visita ao convento | €40
Inscrição e informações detalhadas |  frei.agostinho.da.cruz@gmail.com

Co-organização | Diocese de Setúbal
Apoio | Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitã

 

Fonte: Fundação Oriente