13 FEV
Quinta das 10h às 18h
Entrada livre (sujeita à lotação da sala)
Auditório do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva | mapa

Em Fevereiro de 2017, investigadores dedicados a Fernando Pessoa reuniram-se na Fundação Calouste Gulbenkian para o mais recente Congresso Internacional sobre o escritor. Desde então, anualmente, nessa altura, a Casa Fernando Pessoa procura que se faça um ponto de situação do novo conhecimento nesta área.

Pesquisas recentes, novas leituras, últimas publicações são apresentadas e debatidas, actualizando-se em público a investigação sobre a biografia e a escrita de Pessoa. Antes da reabertura da Casa Fernando Pessoa ao público, fazemos este encontro na vizinhança, no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, no jardim das Amoreiras — a 16 minutos a pé da Rua Coelho da Rocha, onde viveu Pessoa.

Com Rui Sousa, Luís Andrade, Andrea Sanchéz, Pedro Sepúlveda, Luiz Fagundes Duarte, Diego Giménez, Ana Marques, Karen Pellegrini, Teresa Monteiro, Nuno Amado e António Feijó.

 

PROGRAMA
13 de Fevereiro

10.00 – 10.30 | Abertura

Clara Riso 

Teresa Monteiro
Biblioteca Particular de Fernando Pessoa – últimas aquisições

Se alguém pensar que uma biblioteca é algo imóvel e imutável, engana-se redondamente. É assim com todas as bibliotecas, é assim com a biblioteca que foi de Pessoa. Segui-la é seguir a vida do escritor.  Em 1989, a Câmara Municipal de Lisboa adquire boa parte dos livros que a constituem. Por seu lado, em 2015, a família doa à Casa Fernando Pessoa 84 títulos que ainda tinha em sua posse. Ainda em 2015 somos surpreendidos com a doação, por João da Costa Ruas, de um livro inédito. Pessoa emprestara-o a um colega de escritório. O tempo passara e o livro não fora devolvido. Nesse ano regressa a Casa. Em 2019, a Câmara Municipal de Lisboa e a EGEAC adquirem, em leilão, catorze títulos que serão divulgados nesta apresentação.

10.30 – 11.45 | Mesa 1: Filosofia

Diego Giménez 
Problemas de Intertextualidade Filosófica no Livro do Desassossego  

Com o presente trabalho pretende-se, por um lado, mostrar e problematizar a rede intertextual filosófica que nutre o Livro do Desassossego, e, por outro lado, enquadrar esse levantamento com a póiesis sensacionista pessoana. Dita análise deriva tanto do trabalho realizado com as ferramentas de taxonomia e pesquisa que fornece o arquivo digital LdoD do Programa de Doutoramento «Estudos Avançados em Materialidades da Literatura» do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, assim como das consultas efectuadas no catálogo online da Biblioteca Particular, disponibilizado pela Casa Fernando Pessoa.

Karen Pellegrini
Livro do Desassossego: uma arquitetura das sensações

A apresentação baseia-se na pesquisa de doutorado atualmente em desenvolvimento. Longe de esgotar os diversos temas que povoam o Livro do Desassossego, a pesquisa surge no intuito de ser mais um desdobramento do pensamento permitido pela obra, o trabalho das sensações, que a partir da visão de Fernando Pessoa criam uma rachadura no que constitui a realidade. Na sua teoria poética, as sensações tornam-se construtoras de realidades para quem as sente, fazendo do poeta um analisador de sensações capaz de moldar as forças que atravessam o seu corpo, permitindo que o escritor que trabalhe as sensações seja capaz de produzir obras de arte.

Andrea Sanchéz 
Os Provérbios Portugueses de Fernando Pessoa no contexto editorial do século XX

A tradução para o espanhol dos Provérbios Portugueses de Fernando Pessoa (Tragaluz, 2019) é, no fundo, um mapa das ligações entre as tradições paremiológicas lusófonas e hispânicas. Nela identificam-se equivalências das sentenças portuguesas em três clássicos da paremiologia castelhana. O mapa pode-se estender com o estudo das fontes utilizadas por Pessoa na elaboração dos Provérbios, que falam de uma renascença do folclore ibérico no contexto editorial de começos do século XX. Uma vez estabelecidas as caraterísticas destas publicações, analisar-se-á a proposta editorial de Pessoa para a coleção inglesa National Proverbs, com o fim de ver até que ponto adere o auge e a tradição ibéricos ou introduz rasgos da tradição inglesa.

Moderação · Antonio Cardiello 

12.15 – 13.30 | Mesa 2: Crítica

Pedro Sepúlveda  
A crítica pessoana de Eduardo Lourenço revisitada

De uma pesquisa no acervo de Eduardo Lourenço à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal resultou a preparação de uma nova edição dos seus ensaios de crítica pessoana, cujo primeiro volume, Pessoa Revisitado. Crítica Pessoana I (1949-1982), irá ser publicado muito em breve, contemplando tanto publicações anteriores como vários textos inéditos. Extremamente difíceis de catalogar, as leituras de Lourenço caraterizam-se por uma articulação de diversas perspetivas, subordinadas a um foco singular na dimensão textual, literária e filosófica da obra pessoana. Esta apresentação pretende sublinhar alguns dos traços marcantes destas leituras, partindo de um conhecimento mais abrangente dos textos propiciado pela nova edição.

Rui Sousa 
Pessoa lido por Petrus a partir da Colecção de António Júlia Miranda

Na importante colecção particular de António Júlia Miranda, Petrus é um dos mais representados críticos pessoanos. Esta breve síntese propõe-se dar a conhecer o essencial da importância do acervo para o estudo de Pessoa e, sobretudo, assinalar a notável presença do crítico portuense num elenco dos mais importantes livros de e sobre Pessoa, pesquisa dada a conhecer nos dois últimos números da Pessoa Plural. Procuraremos assinalar os mais originais contributos de Petrus no contexto em que esteve integrado e quais os aspectos ainda hoje marcantes nas investigações votadas à galáxia pessoana.

Ana Marques  
Representação e análise da receção crítica do Livro do Desassossego no Arquivo LdoD

O objeto desta comunicação é o trabalho em curso no âmbito doArquivo LdoD: Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego​​, do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. O Arquivo LdoD encontra-se numa segunda fase que inclui, além do desenvolvimento de novas funcionalidades, uma componente dedicada ao levantamento de documentação relativa à receção do Livro do Desassossego e sua integração no Arquivo. Pretende-se dar a ver as relações que se estabelecem entre os documentos autorais, os documentos editoriais e os documentos críticos, bem como descrever e modelar práticas específicas de leitura crítica.

Moderação · Rita Patrício

·  Intervalo para almoço  ·

15.00 – 15.30 | Entrada livre na exposição Arpad Szenes | Obras da colecção

15.30 – 16.45 | Mesa 3: Escrita

Luís Andrade 
Fernando Pessoa no Portal Revistas de Ideias e Cultura

Se Pessoa escreveu, em 1935, que “não foi feliz a estreia que de mim mesmo fiz com um livro”, já outro tanto não podia dizer no que respeita à criação, direcção e publicação nas revistas que o firmaram como poeta e pensador. Esta observação banal remete-nos para o papel das revistas como actores programáticos e gregários num ambiente cultural marcado pelo mérito atribuído às ideias e às sensibilidades decididamente novas. Ora, a publicação em periódicos suscita, em si, um conjunto muito extenso de questões hermenêuticas e epistemológicos. O Portal Revistas de Ideias e Cultura procura equacionar estes problemas e, simultaneamente, ensaiar respostas de acordo com o estado actual das Humanidades Digitais.

Luiz Fagundes Duarte 
Editar a Mensagem, entre outros

Sendo a obra mais conhecida de Fernando Pessoa, e o único livro de poesia em português publicado em vida do autor (1934), a Mensagem tem uma longa história genética (o seu poema mais antigo data de 1913, e vários deles já haviam sido publicados, isoladamente ou em conjuntos, antes de serem integrados no livro), e inclui pelo menos um poema que poderia ser assinado pelo heterónimo Ricardo Reis. A Mensagem é, assim, a obra de uma vida, pelo que faz sentido editá-la em conjunto com os poemas que Pessoa foi publicando dispersamente, com o seu nome, entre 1902 e 1935, incluindo as traduções que fez de poemas de autores de língua inglesa e espanhola. Esta edição é de perfil crítico-genético, e a partir dela será publicada, em breve, uma edição destinada ao grande público

Nuno Amado 
Os Anos da Vida de Ricardo Reis (1887-1936)

O argumento decisivo de Os Anos da Vida de Ricardo Reis (1887-1936) é o de que Reis e Caeiro correspondem ao lado de fora e ao lado de dentro, respectivamente, de uma mesma criatura dual. Entendido como um prolongamento da criatura una que até aí se chamava Alberto Caeiro, Reis é no fundo aquilo que Caeiro passa a ser depois de reparar na fronteira entre o mundo exterior ao alcance dos olhos e a interioridade que se oculta por detrás deles. Não obstante a pouca participação de Álvaro de Campos nesta metamorfose, o drama em gente de Pessoa é assim encarado como uma tentativa insólita de redescrever, usando poetas em vez de frases, a vexata quaestio da aquisição da autoconsciência.

Moderação · Patrícia Soares Martins 

17.00 – 17.30 | Homenagem a George Monteiro

António Feijó 

17.30 – 18.00 | Encerramento

 

Fonte: Casa Fernando Pessoa