quem vive dos ardis da ilusão
e, assim, se aparta do amigo
poderá encontrar consolação?

Al-Muʿtamid, tr. A. Alves

 

Al-Muʿtamid ibn ʿAbbād (Beja, 1040 – Agmate, 1095), poeta árabe do al-Andalus e rei de Sevilha durante o período islâmico medieval da Península Ibérica, é homenageado nesta mostra, comissariada por Fabrizio Boscaglia, Maria João Cantinho e Hugo Maia, nos 980 anos do seu nascimento.

Pretende-se através da presente iniciativa destacar sobretudo a figura de Al-Muʿtamid enquanto poeta, assim como a sua ligação às cidades de Beja e Silves no ocidente peninsular (em árabe, Gharb al-Andalus), e ainda aspetos da sua receção e interpretação em Portugal e a nível internacional e interdisciplinar.

Os versos de al-Muʿtamid, a sua vida e as suas peripécias ao longo dela – sobretudo com o seu amigo, grão-vizir e poeta de Silves, Ibn ʿAmmār (1031–1086) –, têm inspirado muitos autores, intelectuais, artistas e músicos ao longo dos séculos e nas várias culturas do mundo. Entre eles, a mostra destaca Fernando Pessoa, bem como o intelectual e ativista andaluz Blas Infante Pérez, ambos tendo contribuído, na década de 1920, para a salvaguarda do legado cultural do próprio al-Muʿtamid.

A bibliografia dedicada ao poeta árabe a nível internacional é muito vasta, quer em termos de traduções, quer de estudos, quer ainda de reinterpretações artísticas, refletindo uma personagem histórica e literária de grande importância. No que respeita a Portugal, na presente mostra são ressaltados trabalhos de alguns estudiosos, tradutores, historiadores e arabistas contemporâneos, entre os

quais Garcia Domingues, António Borges Coelho e Adalberto Alves. Do arquivo privado deste último, vem uma parte do material da mostra, a integrar livros e documentos do acervo da Biblioteca Nacional de Portugal.

Esta iniciativa decorre no mesmo período da mostra «Adalberto Alves: 40 anos de vida literária».

Fonte: BNP