Lançamento de CD com Recitativos de Salão Luso-Brasileiros dos séculos XIX e XX. Uma edição da Academia dos Renascidos e do MPMP (apoio de CESEM, NOVA, FCT, DgArtes), com voz de Alberto Pacheco e Andréa Luísa Teixeira ao piano.
Numa pesquisa sobre a música vocal no Rio de Janeiro oitocentista, Alberto Pacheco, um dos músicos fundadores do grupo Academia dos Renascidos, encontrou uma série de composições (sub)intituladas como «recitativos». Este género de canção-melodrama luso-brasileira é quase desconhecido pela comunidade musicológica e carateriza-se por um prelúdio instrumental de estilo livre, seguido de uma valsa sobre a qual é declamado um poema em versos decassílabos.
O ator português Furtado Coelho terá sido o precursor dos recitativos de salão em ambos os lados do atlântico. Os recitativos compostos por esta figura incontornável na história do teatro brasileiro parecem ter-se tornado num modelo musical e poético para muitos outros, tendo sido bastante apreciados durante o século XIX e meados do XX, tanto em Portugal como no Brasil. Todavia, o género caiu no esquecimento, sendo muito difícil encontrar registos fonográficos dos recitativos de salão. Este CD é o primeiro dedicado exclusivamente a este género musical, reunindo peças que, na sua maioria, não possuem qualquer gravação anterior.
Fundada em 2011, pelos músicos Alberto Pacheco e Andrea Teixeira, a Academia dos Renascidos é uma homenagem à Academia Brasílica dos Renascidos, criada na cidade de Salvador, em 1759, e que tinha como objetivo fomentar a produção literária daquela cidade. Após anos de investigação, Recitativos de salão luso-brasileiros é o primeiro CD lançado pela Academia dos Renascidos.
Alberto José Vieira Pacheco é professor de canto da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é Doutor pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). Apesar de ter se especializado no repertório do século XVIII e XIX, tem se mostrado um intérprete bastante versátil. Nos últimos anos, tem se apresentando como solista no Brasil e na Europa. Em 2012, colaborou com a gravação do CD 18th century Portuguese Love Songs do grupo inglês L’Avventura London, pelo selo Hyperion, atuando como um especialista em pronúncia e prosódia do Português Cantado. Em 2013, foi o responsável pelo curso de Canto do Atelier du Séminaire «Rythmes Brésiliens», realizado pelo GRMB-OMF, da universidade Paris-Sorbonne. É ainda autor de dois livros, ambos publicados pela editora Annablume. Entre 2007 e 2013, realizou seu pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, CESEM, como bolsista da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal). No CESEM, ele é um dos membros fundadores do Caravelas, Núcleo de Estudos da História da Música Luso-Brasileira.
Andréa Luísa Teixeira é pianista da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás desde 1993. Doutoranda em Ciências Musicais pela UNINOVA de Lisboa. Mestre em Musicologia pelo Conservatório Brasileiro de Música, Rio de Janeiro. Graduada em Piano pela UFG. Trabalhou como investigadora em Música no Instituto do Trópico Subúmido – PUC-Go de 2001 a 2016, onde idealizou o projeto Sons do Cerrado, de mapeamento das manifestações folclóricas do bioma cerrado, e dirigiu o lançamento de 13 volumes de CD´s dessa coleção.  Membro fundadora da Academia dos Renascidos. Lançou o CD Batuques Brasileiros em projeto premiado e financiado pelo Governo do Estado de Goiás. Pela divulgação da cultura brasileira em países das Américas, Europa e Ásia, recebeu a Comenda Anhanguera. Como pianista, ganhou 18 prêmios em concursos nacionais e internacionais de piano, incluindo o primeiro lugar e melhor intérprete de Villa-Lobos em São Paulo e o terceiro lugar no Concurso Maryse Cheillan, categoria Profissional em França. Suas atuações ao piano incluem dentre outros, o  Carnegie Hall (New York USA), Venetian Theater (Macau – China), Teatro Nacional de Sâo Carlos (Lisboa – Portugal), Teatro Nacional de las Artes (Ciudad de Mexico – Mexico). Autora do livro A Densidade do Próprio na Folia de Reis: uma investigação acerca de tempo, mito, memória e sentido (2009).

 

 

Fonte: BNP