A inauguração da exposição inclui uma visita guiada pelo comissário Ricardo Marques às 18h00, seguindo-se um beberete oferecido pelo Lisboa Pessoa Hotel, no local onde a revista Orpheu foi impressa (R. da Oliveira ao Carmo, 8, 1200-309 Lisboa), pelas 19h30.

Revistas Modernistas em Portugal: Tradição e Vanguarda (1910-1926) pretende realçar os aspetos gráfico e tipográfico das revistas do primeiro modernismo português, as relações com outras latitudes literárias e o enquadramento histórico-social na emergência de um jornalismo dito cultural.

A exposição vem na esteira de uma reflexão iniciada há dois anos com a comemoração dos 100 anos de Portugal Futurista na BNP, e cujo capítulo seguinte será o centenário da revista ex-libris dos anos 20: Contemporânea.

Entre a publicação de Portugal Futurista (1917), o fim da primeira grande guerra (1918) e a retoma da publicação de Contemporânea (1922) – período para o qual ainda não existe um estudo adequado e multidisciplinar na realidade literária – tudo muda na realidade portuguesa. Nestes cinco anos, acentuam-se as divergências entre os poderes republicanos, intensifica-se o descontentamento social e paira no ar um mal-estar geral que levará eventualmente ao golpe militar de 1926, baliza final desta mostra. A arte produzida em Portugal refletirá este contexto. As revistas em que artistas e literatos participam, criadas em torno de grupos, cidades e ideias, serão os veículos por excelência das suas ideias e das suas estéticas.

Nesta exposição, que se quer antológica e retrospetiva das revistas literárias do primeiro modernismo em Portugal (1910-1926), assumimos como princípios museográficos fundamentais a presença, nestes periódicos, de um novo grafismo, consubstanciado num formato moderno e numa abordagem tipográfica muito importante. Também estarão em foco as relações histórico-literárias, nomeadamente com a Espanha e o Brasil, pelo que se exibirão revistas onde essa relação é primordial.

Porém, e se centramos o nosso estudo nas revistas declaradamente literárias, não deixaremos de equacionar nesta reflexão as revistas que, não deixando de ter uma forte componente literária, convocam nas suas páginas aspetos doutrinários e ideológicos, e que atravessam (ou começam) este período – casos evidentes de A Águia (1910-32) e de Seara Nova, talvez a revista de maior longevidade no século XX português (1921-1984).

A exposição apresentará um catálogo final onde o contexto das revistas literárias da primeira república será abordado nestas múltiplas vertentes, com textos de especialistas nos respetivos domínios.

 

 

Fonte: BNP