Urbanismo e turismo são processos sócio-históricos que se acompanham há quase dois séculos, sendo o último um motivo de alteração e recriação da paisagem urbana das cidades, consagrando uma parte do território para a sua fruição, ou até quase a totalidade, como ocorre com Veneza.

O olhar turístico, the tourist gaze, vem-se formando a partir de uma complexa combinatória de procura do “pitoresco”, do “pristino”, uma vontade de diferenciação, uma necessidade de escapismo, seja do quotidiano, do trabalho, ou de si próprio.

Lisboa povoada de severas, varinas e outros tantos pitorescos, tem alimentado ao longo do século XX as buscas de “pristino” de uns e outros; de ingleses em primeiro lugar, afinal os inventores do turismo, mas depois da nossa entrada na CEE, de franceses, de alemães, os europeus da Europa unida, ou do oriente ou de África.

Na atualidade, a Lisboa turística tornou-se numa das mais-valias da cidade, e a sua intensidade tem sido tal, que coloca em oposição a rentabilidade económica, estimulada pelo turismo – que se alimenta da “autenticidade” dos bairros, do seu pristino – esquecendo valores de urbanidade e equidade.

Durante a viagem, no tempo histórico e no espaço da cidade, a destacar a multiplicidade de pitorescos inventados para alimentar o tourist gaze em Lisboa.