Sessão comemorativa do nascimento de Natércia Freire, no dia em que faria cem anos, com leitura de poemas seus por Teresa Lima e evocação por Guilherme d’Oliveira Martins.

Gosto de ler as cartas dos poetas
Algumas dizem pouco. Quase nada…
Um lívido circuito nas rosetas
Das letras…Às vezes sol
Fugindo entre águias pretas
A Dor que se adivinha sob
As unhas rosadas
Que influem no papel e nas canetas

Natércia Freire (poema Colaboradores)

Natércia identificou o Poeta como anjo caído ou triunfador, a quem foi dado o privilégio de habitar o paraíso, mas que também recebeu o benefício de como criança inocente …habitar a terra. Assume que o poeta mal se apercebe nos instantes da criação que foi um instrumento e intermediário entre o mistério e a realidade – e que é através de si que passa a corrente do Eterno. Orgulhosamente reclama, porém, que a Poesia, se nasceu pela graça da Poesia, é pertença de todos… mas apenas o poeta escreve a última palavra do poema…

Natércia Freire começou a publicar poesia muito cedo, sendo vasta a sua obra poética, memorialista e de ficção. Foi uma personalidade isenta no exercício do seu papel de jornalista literária, e de  divulgadora da obra e do mérito dos artistas do seu tempo, tendo dirigido a “Página Literária de Artes e Letras” do Diário de Notícias, durante 20 anos.

O centenário do nascimento de Natércia Freire é celebrado na BNP com uma exposição, patente de 11 de julho a 31 de outubro, comissariada por Teresa Almeida, que documenta a sua poesia, outros escritos (memorialismo, ficção, música) assim como a sua atividade de jornalista literária.

Fonte: BNP