Francico de Holanda, Da pintura antiga

O tratado Da pintura antiga, do pintor e arquiteto Francisco de Holanda, é uma referência para a história da arte portuguesa, merecendo, pela sua defesa da antiguidade, pela sua estrutura, pela sua coerência e pela inovação teórica que aduz, lugar cimeiro no âmbito da tratadística nacional. O tratado é fruto da estada do artista em Roma, em 1538-40, e inclui os célebres Diálogos com Francisco de Holanda e outras figuras gradas das artes italianas do tempo. Holanda não se limitou à compilação de receitas para materiais ou técnicas, mas antes compôs uma obra de sentido teórico em torno do conceito da cor, da luz, da sua correta utilização pelos pintores e da supremacia da pintura. Defende em moldes pioneiros e base neoplatónica a valência da ‘ideia’ motriz da criação dos pintores. Não existindo o manuscrito original, contamos com uma cópia coeva em castelhano, de autoria do pintor Manuel Dinis (1563), atualmente na Real Academia de Belas Artes de San Fernando, e ainda com a cópia realizada por Monsenhor Ferreira Gordo, membro da Academia das Ciências, já no século XIX.

 

Giraldo Fernandes do Prado, Tratado de caligrafia

O Tratado de Caligrafia ou Tratado de Letra Latina (1560-1561) é, até ao momento, a obra mais antiga concebida por um autor português e dedicada ao desenho e concepção das letras capitulares. O manuscrito integra, atualmente, a coleção da Rare Book and Manuscript Library da Columbia University, em Nova Iorque (Cód. Plimpton MS 297). O autor do Tratado de Caligrafia foi o pintor Giraldo Fernandes do Prado (c.ª 1530-1592), natural de Guimarães e residente em Almada em finais do século XVI, vindo depois a desenvolver a sua actividade em Vila Viçosa, na corte dos Bragança. Aqui, a 10 de Setembro de 1585, seria nomeado cavaleiro e pintor privativo do duque D. Teodósio II. A nobilitação do pintor prova o alto nível que alcançou em áreas como a pintura, o desenho, a iluminura ou a caligrafia. Com efeito, o Tratado de Caligrafia consagra ao pintor Giraldo Fernandes do Prado um lugar à parte no meio artístico português da época sendo, em paralelo, produto da cultura erudita e humanista vigente na corte dos Bragança.

 

Filipe Nunes, Da pintura simples

Esta obra de carácter manualístico, da autoria do pintor transmontano Filipe Nunes, conheceu grande fortuna histórica nos séculos XVII e XVIII existindo diversas edições e algumas cópias anónimas, manuscritas, tanto parciais como integrais, que passaram a integrar os fundos das bibliotecas de vários conventos. A discussão suscitada pela Arte da pintura no panorama bibliográfico nacional, é prova da sua originalidade e importância, sendo ainda hoje incontornável para qualquer estudo relacionado com a atividade pictórica em Portugal durante a Idade Moderna.

 

Breve tratado de iluminação

A autoria do Breve tratado de iluminação não foi ainda determinada e dificilmente o será, sabendo-se apenas (por indicação do título) que foi redigida por um «religioso da Ordem de Cristo» durante a primeira metade do século XVII. Este manuscrito tem considerável importância no sentido em que permanece praticamente desconhecido dentro do panorama da tratadística portuguesa, distinguindo-se pela sua extensão e coerência, tratando-se de um número considerável de fólios todos eles preenchidos com receitas práticas para pintura. Para além do texto principal, o autor incluiu por todo o manuscrito inúmeras anotações que o enriquecem, fazendo coincidir as receitas com os pintores que as utilizavam, todos eles artistas de destaque que marcaram o contexto artístico português dos séculos XVI e XVII.