D. Pedro, Carta de Bruges

A Carta de Bruges, carta do Infante D. Pedro, duque de Coimbra, enviada de Bruges, na Flandres, ao irmão, D. Duarte, data muito provavelmente de 1426. É um documento notável que, no mesmo olhar, funde a descoberta do que há de exemplar nas sete partidas do mundo europeu por onde viaja com a revisão prudente da experiência vivida na corte e no reino de onde partiu. Nesse olhar, o saber do que existe lá fora desafia e quer reformar práticas instituídas dentro da sociedade a que o infante pertence e de que só temporariamente se encontra afastado. Como texto de «avisamento» de elevado sentido ético e político, está nele patente o compromisso de promover a construção de auspicioso futuro para o país. Ao aprender com a experiência dos reinos da Europa, o infante D. Pedro pretende motivar o irmão para introduzir no reino uma arte de governar que o torne mais europeu. Décadas mais tarde, há de ser Portugal, país dos Descobrimentos, a revelar aos reinos da Europa, a existência de novos mundos e de culturas ignotas.

 

Gomes Eanes de Zurara, Crónica de Guiné

A Crónica da Guiné é o primeiro texto sobre os Descobrimentos, escrito ainda em vida do Infante D. Henrique. Narra os acontecimentos entre 1422 e 1448, sendo o cronista contemporâneo dos factos descritos. Sobressai a figura do infante D. Henrique e o seu papel decisivo para o início da exploração oceânica, para a organização das navegações e para o desenvolvimento dos negócios; a crónica mostra-nos ainda os protagonistas, a sua origem social e geográfica, bem como a sua mentalidade cavaleiresca. Zurara mostra também como todos pressentiram de imediato o carácter revolucionário das Descobertas, o que nos é testemunhado pelo uso repetido da palavra «nunca» e pelas referências ao exótico. «

 

Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia

Um dos companheiros de Vasco da Gama, presumivelmente Álvaro Velho, deixou-nos um relato da viagem da descoberta do caminho marítimo para a Índia que constitui o Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia. A narrativa termina quando a armada está próximo da Guiné, à volta, e não foi retocada. Assim, o texto é, sem dúvida, um excelente testemunho das peripécias da viagem e também das expectativas de Vasco da Gama e dos seus homens. Através deste diário, assistimos ao primeiro contacto direto entre europeus e indianos após muitos séculos de afastamento.

 

Pêro Vaz de Caminha, Carta do achamento do Brasil

O escrivão de Pedro Álvares Cabral registou num texto admirável – Carta do achamento do Brasil – o primeiro desembarque oficial dos portugueses na América do Sul e deixa-nos o primeiro registo de um encontro entre os europeus e os indígenas. É o primeiro texto sobre o Brasil. O homem renascentista maravilha-se com a aparente inocência dos índios e escreve um texto que assume a alteridade – os portugueses acabavam de chegar a um mundo onde nem as regras específicas da Cristandade, nem as mais gerais do mundo euro-asiático eram aplicáveis.