Conferência Internacional As revoluções liberais de 1820 e o seu impacto na cultura literária

Call for papers até 31 de outubro de 2019

Tirando partido das celebrações dos bicentenários das revoluções liberais, ocorridas no sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia) por volta de 1820, mas influenciando outras regiões e culturas, este congresso internacional pretende constituir-se como um fórum de discussão em torno do impacto que essas revoluções tiveram na cultura literária de vários países. Impulsionada pelos ideais republicanos das Revoluções Francesa e Americana e pelos diversos movimentos independentistas e nacionalistas, a onda liberalista e constitucionalista que percorreu diversas nações europeias (e suas respetivas colónias) nas primeiras décadas do século XIX visava erradicar por completo o absolutismo e o feudalismo que ainda imperavam no seio dessas nações monárquicas, no desfecho das invasões napoleónicas. Interessa-nos, assim, analisar o impacto que estes movimentos e acontecimentos marcantes tiveram na cultura literária do século XIX, nomeadamente nas obras que foram então produzidas em diversos países, mas também nos interessa explorar o papel determinante que muitos escritores (em diversas línguas), alguns dos quais no exílio, tiveram nesses mesmos movimentos e acontecimentos. O objetivo último do congresso será encontrar, nesta convergência de diversas culturas em franca transição, uma corrente ou tradição literária comum de cunho político acentuadamente liberalista.

No contexto deste liberalismo político, e sua respetiva cultura literária, o domínio da tradição constitucional britânica e a sua adaptação republicana pela Revolução Americana têm sido apontados como os motivos principais das revoluções democráticas que aconteceram no mundo atlântico. No entanto, as tradições ibéricas de liberdade – assim como a literatura que as sustenta – são geralmente esquecidas nesse contexto; nomeadamente, a Revolução Portuguesa de 1820 está estranhamente ausente dos relatos históricos e literários existentes. No entanto, se podemos dizer que a posição de Portugal neste mundo atlântico, no início do século XIX, foi central, também podemos afirmar que o mundo atlântico é a principal chave explicativa na compreensão dos motivos da Revolução Portuguesa de 1820. Esta pode ser vista, quer por historiadores quer por escritores, como um processo de independência, como a abolição do Antigo Regime, como a constituição da liberdade, como fundamento de uma tradição constitucional liberal portuguesa. Mas também como uma resposta aos extraordinários desafios internacionais que foram impostos à independência de Portugal – pela França, pela Grã-Bretanha, pela Espanha e pelo Brasil. Em suma, a Revolução Portuguesa de 1820, cujo principal objetivo foi a fundação de um Novo Portugal liberal, combinou o liberalismo e o nacionalismo, da maneira própria das Revoluções Atlânticas; e, de forma mais relevante, com esse objetivo e maneira arrebatou e conquistou muitos criadores literários.

Aceitam-se propostas de comunicação (de 20 minutos) em torno deste tema mais genérico e/ou dos seguintes aspetos em particular:

  • Representações das revoluções liberais na cultura literária do período e em períodos posteriores.
  • O papel das publicações periódicas e da ilustração na representação (criativa) das revoltas liberais.
  • As ligações entre o liberalismo e os movimentos românticos no contexto europeu e não europeu.
  • Questões de liberdade política e de liberdade de criação literária inauguradas pelas revoluções liberais.
  • Os lugares literários do liberalismo europeu e não europeu: génese, memória, recriação.
  • O surgimento das literaturas nacionais e as questões nacionalistas e independentistas no período.
  • Lendas e mitos associados à revolta romântico-liberal, incluindo a figura do herói (revolucionários e mártires).
  • A perspetiva do Outro – as revoltas liberais vistas a partir da cultura literária de outros países.
  • Imagens literárias de refugiados e exilados no contexto das revoluções liberais e/ou de escritores no exílio.
  • Representações literárias de sociedades secretas no contexto das lutas liberais (o exemplo da Carbonária).
  • Liberalismo e género literário: A importância do romance histórico na representação dos conflitos liberais; o papel da lírica e do drama no período
  • A difusão ou expansão da cultura literária no contexto das revoluções liberais; questões de receção e de tradução.

O envio dos resumos (entre 200 e 300 palavras), títulos das comunicações, palavras-chave (5) e notas biobibliográficas (100 palavras) deve ser feito para o seguinte endereço eletrónico: litcehum@ilch.uminho.pt

As línguas de comunicação são as seguintes: Português, Inglês, Espanhol, Francês e Italiano.

As propostas de comunicação serão analisadas e selecionadas pela comissão científica. No final dos trabalhos, a comissão organizadora prevê fazer uma seleção dos textos que foram apresentados para publicação: quer em formato eletrónico quer em formato papel (livro).

DATAS IMPORTANTES:

Submissão de propostas: até 31 de outubro de 2019

Notificação de aceitação: até 31 de dezembro de 2019

Inscrição na conferência (online): até 31 de janeiro de 2020

Divulgação do Programa (online): 31 de março de 2020

Inscrição (assistentes): 31 de maio de 2020

Conferência: 29 e 30 de junho de 2020

 

Website: http://cehum.ilch.uminho.pt/revolutions