Palácio Foz, magnífico edifício na  praça dos Restauradores, em Lisboa. A seu lado, o Éden, primitivamente um teatro, “art-nouveau”,  hoje um hotel. Que coisas e pessoas por ali terão passado e o que lá terá acontecido durante   quase dois  séculos? Residência de marqueses e condes, local de festas sumptuosas, transforma-se, no início do séc. XX,  num centro comercial com lojas junto à rua,  um restaurante maçónico na cave,  um cinema, um teatro e até uma pensão; os salões nobres foram utilizados pela legação dos Estados Unidos da América, pela sede do Sporting Club de Portugal e por dois clubs noturnos, o Club Ritz e o Maxim’s, coqueluche da classe endinheirada. O Eden, sempre umbilicalmente ligado ao Palácio, viria a ser construído no terreno do jardim e das cavalariças.

Mais tarde, com o Estado Novo, o Palácio é a sede da propaganda e da censura. Proíbem-se livros, cortam-se notícias  e são banidos ou esquartejados peças de teatro e filmes. Paradoxalmente, lá se instituiu uma cinemateca para preservar filmes e divulgar a arte cinematográfica.  Após a revolução de  25 de Abril de 1974, pelo palácio passam várias fações de militares em luta pelo controlo da comunicação social e os agentes culturais lá encontram também  o local ideal para tentar impor  os seus pontos de vista.

De todos esses acontecimentos e dos seus protagonistas o livro tenta escrever história contando histórias, com o devido enquadramento  político e temporal.