Comissariada por Rogério Miguel Puga (CETAPS, NOVA FCSH), esta mostra dá a conhecer as especificidades das traduções e adaptações portuguesas do romance realista Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (1660-1731), bem como as várias representações visuais do herói global ao longo dos tempos.

Assinalam-se este ano os trezentos anos da publicação do romance – 25 de Abril de 1719 -, que rapidamente se tornou um símbolo na cultura popular mundial, inspirando (intersemioticamente) romances, peças de teatro, obras infantis, óperas, filmes, videogames, entre outras formas de arte, sendo reescrito, revisitado transformado e comentado  por autores como Jean-Jacques Rousseau, Robert Louis Stevenson, H. G. wells, E. M. Forster, Virginia Woolf, William Golding, J. G. Ballard, Julio Cortazar, J. M. Coetzee e Michel Tournier, entre outros que obrigam o herói a migrar culturalmente através de várias línguas e culturas, incluindo a portuguesa, como esta mostra revela.

Robinson Crusoe foi um sucesso imediato e teve três edições antes do verão de 1719. As aventuras do herói foram continuadas em mais dois volumes de aventuras, The Farther Adventures of Robinson Crusoe (1719) e Serious Reflections During the Life and

Surprising Adventures of Robinson Crusoe (1720), menos conhecidos. As três obras têm sido objeto de estudo no que diz respeito às mais variadas temáticas e problemáticas: masculinidade, etnia, colonialismo transatlântico, (normalização do) esclavagismo, cultura visual (ilustrações, imagens), literatura como propaganda imperialista, Robinson como (anti-)modelo para jovens, Robinsons alternativos, história do romance inglês, poder social, propriedade, reprodução social, política, história, ecologia, racionalidade, empreendedorismo, individualismo, identidade nacional e até à representação do comércio, das viagens e do império portugueses no século XVIII, pois vários espaços coloniais, personagens, embarcações e interesses lusos marcam presença nos três romances sobre as aventuras de Crusoe, que é, tal como Sexta-feira — que o protagonista inglês, «filho de um estrangeiro de Bremen» ‘coloniza’ — um migrante forçado na ilha, que ele ocupa.

 

Fonte: BNP