Fr. IOAÕ DE S. FRANCISCO natural de Lisboa filho de Vicente de Faria, e Francisca Thomè. Na idade juvenil deixou o seculo pelo austero instituto do Serafico Patriarcha, que professou solemnemente no Convento de Setubal da Provincia dos Algarves a 23 de Março de 1629. Depois de dictar Filosofia em q teve a gloria de ser seu discipulo aquelle insigne Mestre de espirito o V. P. Fr. Antonio das Chagas, e jubilar na Sagrada Theologia exercitou com grande credito da sua prudencia as Guardianias dos Conventos de S. Francisco de Beja, Monte mòr, e de Santa Maria de Xabregas, e os lugares de Comissario da Corte, e Definidor da Provincia. Teve natural inclinaçaõ para a Poezia metrificando com tanta facilidade, e elegancia, q mereceo a plausivel antonomazia de Poeta. Naõ foy menos celebrado o seu nome pelo exercicio da Oratoria Ecclesiastica em que competia a delicadeza do discurso com a valentia da reprezentaçaõ. Sendo cativo no anno de 1663. e levado a Argel foy restituido à sua liberdade no espaço de desasete allas debaixo da palavra de hum Inglez. Falleceo no Convento de Xabregas em o anno de 1675. Compoz.

Sermaõ pregado na festa do insigne Patriarcha dos pobres S. Francisco em seu proprio dia, e propria Caza de Xabregas anno 1646. Lisboa por Domingos Lopes Rosa. 1646. 4.

Sermaõ do Santo Iubileo da Porciuncula favor especial concedido por Christo Senhor Nosso à Religiaõ dos Menores pregado no seu dia 2 de Agosto no Convento de S. Francisco de Xabregas. Lisboa na Officina Crasbeeckiana. 1649. 4.

Sermaõ nas Exequias do Reverendissimo Padre Fr. Ioaõ Pereira Comissario Geral Apostolico da Ordem dos frades Menores no Reyno de Portugal no Convento de S. Francisco de Xabregas no anno de 1659. a 15. de Dezembro. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1660.

Sermaõ do Mandato pregado na Santa Sè de Lisboa. Lisboa por Antonio Craesbeeck de Mello. 1666. 4.

Sermaõ na festa da Beatificaçaõ da gloriosa Virgem Santa Roza pregado no terceiro dia do seu Outavario solemne no Convento Real de S. Domingos de Lisboa. Lisboa por Joaõ da Costa. 1669. 4.

Sermaõ no triumfo do altissimo Misterio do Divino Sacramento, e desagravo do impio, e detestavel furto, que se fez na Igreja Parochial do lugar de Odivellas pregado na Igreta Parochial de S. Nicolao nesta Corte, e Real Cidade de Lisboa. Lisboa por Domingos Carneiro. 1671. 4.

Sermaõ do Sagrado Descendimento de Christo Senhor Nosso. Coimbra por Jozé Ferreira Impressor da Universidade 1696. 4.

Festas Annuaes nas mayores solemnidades dos Sagrados Mysterios de nossa Fé, de Christo Senhor nosso, de sua Santissima Mãy, e dos Santos principaes, que a Igreja solemniza. Primeira Parte. Lisboa por Domingos Carneiro. 1671. fol.

Primavera Sagrada ordenada em flores espirituaes de doutrina Catholica repartida pelos Domingos de Quaresma em menhaãs, tardes, e Mysterios da Semana Santa até dia de Paschoa. Lisboa pelo dito Impressor. 1675. fol. No prologo prometia hum Tomo de Sermoens das Ferias, e a 2. Parte das Festas Annuaes.

No 2. Tomo da Laurea Lusitana impressa Madrid por Andre Garcia de la Iglesia. 1679. 4. estaõ traduzidos em Castelhano por D. Estevan de Aguilar y Zuniga o Sermaõ da Purificaçaõ. Sermaõ do Jubileo da Porciuncula.

Sermaõ da 1. Dominga de Quaresma. Sinco Sermoens das Tardes da Quaresma sobre sinco banquetes da Sagrada Escritura. Dos quais o 1. está nas Festas Annuaes, e os 6 ultimos na Primavera Sagrada; e o do Iubileo da Porciuncula sahio avulso como está assima escrito.

Poema heroico, victorioso sucesso, e gloriosa vitoria do exercito de Portugal sobre a hostilidade da Cidade de Evora no anno 1663. Lisboa por Antonio Craesbeeck de Mello. 1663. 4. Consta de 116 Outavas excellentes pelas quais lhe fez este metrico encomio o P. Antonio dos Reys Enthus. Poet. n. 105.

……………………………………fusa per agros

Agmina cantabat, Caetu reticente canoro

Utraque Ioannes velatus tempora serto

Quod propriis manibus contexuit Ebora dives.

Imposuitque comis.

Memoria, instituiçaõ, e noticia especial da antiga, e regular administraçaõ da Provincia dos Algarves, e breve Cathalogo dos Religiosos notaveis em letras, e virtudes que nella floreceraõ, e couzas memoraveis que muito a illustraõ. Esta obra foy composta o anno de 1647. por ordem do Provincial Fr. Diogo Cezar como escreve o Licenciado Iorge Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 2. pag. 751. no Commentario de 28 de Abril letr. H. e Tom. 3. p. 333. No Commentario de 20 de Mayo letr. A.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]