Fr. IOAÕ DA MADRE DE DEOS natural da Villa de Aldegallega em a Provincia Transtagana. Na tenra idade de quinze annos se resolveo contra a vontade de seus Pays Duarte Rodrigues Pimentel, e Francisca Rodrigues igualmente opulentos que nobres abraçar o austero instituto da Serafica Provincia de Santa Maria da Arrabida ao qual foy admitido em o anno de 1568. pelo Provincial Fr. Damiaõ da Torre. Depois de Professo começou a practicar com tal exaçaõ as virtudes religiosas que servia de exemplar, e estimulo a todos os seus companheiros. Para debilitar o corpo, e fortalecer o espirito naõ comeo carne, nem peixe por toda a vida, alimentandose taõ parcamente das ervas, e legumes que parecia viver independente da natureza. Iejuava a paõ, e agua as Quaresmas, Adventos, Vesperas das Festividades de Maria Santissima, e dos Sagrados Apostolos. Todas as horas, que roubava ao descanso as consumia posto de joolhos escutando no silencio da noute as suaves vozes com que lhe fallava ao coraçaõ o seu Amado. Sendo Mestre dos Noviços os educava mais com as açoens que palavras distribuindo com severa eleyçaõ para si o rigor, e para elles a benevolencia. Exercitou varias Guardianias onde o sacrificio da obediencia lhe fazia toleravel a molestia do governo. Cheyo mais de virtudes, de que annos depois de tentada a sua paciencia com huma dilatada infermidade esperou a morte como se pode conjecturar da sua justificada vida fallecendo no Convento de Santarem a 5. de Iunho de 1625. quando contava 72 annos de idade, e 57. de religioso. Delle se lembra Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 566. col. 2. Fr. Ioan. a D. Ant. Bib. Francisc. Tom. 2. p.189. Fr. Iozé de Ies. Mar. Chron. do Prov. da Arrabid. Tom. 2. liv. 1. cap. 1. n. 4. até 9. Compoz.

Alguns Tratados do Serafico Doutor S. Boaventura em que se contem huma doctrina mui proveitoza, e necessaria a toda a pessoa principalmente religiosa que quizer desarraigar de si os vicios, e plantar as virtudes, e crecer nellas, e darse à Oraçaõ. E alem destes outro Tratado para os Tementes de Deos se saberem confessar, e com pureza de conciencia, e ao fim se poem humas Oraçoens muy devotas para antes, e depois da Sagrada Comunhaõ. Lisboa por Antonio Alvares. 1602 8. O 1. Tratado consta da composiçaõ dos custumes. 2. da reforma da Vida. 3. do  aproveitamento do Estado Espiritual. 4. Ramilhete de exercicios espirituaes. 5. Lembranças para viver Christamente 6. Modo de se confessar com pureza de conciencia.

Concordia Breviarii Romani Pii V. jussu editi cum Breviario a D. Papa Clemente VIII. recognito. Ulyssipone apud Petrum Craesbeeck. 1604 4. Nas aprovaçoens està o nome do Author que naõ tem em o frontispicio.

Processo da Payxaõ de Christo Nosso Redemptor com humas Meditaçoens muy pias, e huma breve, e devota Exposiçaõ dos sete Psalmos Penitenciaes. Lisboa por Antonio Alvares. 1617 8. Desta obra faz memoria Iacob. le Long. Bib. Sacr. pag. mihi 797. col. 2.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]