D. IOAÕ MANOEL Alcayde mòr de Santarem, e Camareiro mòr delRey D. Manoel naceo em Lisboa sendo filho de D. Ioaõ Manoel de quem fizemos a memoria precedente que o teve de Iusta Rodrigues Pereira filha de Francisco Rodrigues Pereira, e sua mulher Cecilia Tavares ambos de nobre nacimento. Foy hum dos mais discretos Fidalgos do seu tempo, e taõ versado em todas as sciencias como testemunha Cataldo Siculo em huma Carta que entre sinco, que lhe escreveo he a primeira em que lhe dá os pezames da morte de sua Espoza D. Izabel de Menezes filha de Affonso Tellez de Menezes Alcayde mòr de Campo mayor. Quid profuit tibi tot Authorum volumina à balbutientibus annis summa diligentia evoluisse? Quid Ciceronem? Quid Aristotelem? Quid Senecam? Quid Salomonem excucisse? Omitto Maronem, Flacum, Nasonem, &similes. Quid Augustini, Hyeronimique complura scripta una cum doctissimo Rege tuo, &sibimet, & caeteris audientibus quotidie plane legisse? Declarasseque? ac docuisse? Por ordem delRey D. Manoel a quem era muito afecto, partio a Castella para ratificar em nome deste Principe as condiçoens do tratado matrimonial celebrado com a Rainha D. Izabel filha dos Reys Catholicos, que se concluio em Medina del Campo a 11 de Agosto de 1497. Delle se lembraõ Ioan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. 1. n. 36. Pellicer Comment. do Polif. de D. Luiz de Gong. e Souza Hist. Gen. da Caz. Real Portug. Tom. 3. liv. 4. p. 207. e 223.

Compoz

Obras poeticas. Sahiraõ impressas no Cancion. de Garcia de Resende a fol. 48 até 57. e fol. 143. até 169. que consta de huma Elegia à morte do Principe D. Affonso. Diversas Glossas. Trovas sobre os Pecados mortaes. Reposta a Pedro Homem e

Regra para quem quizer virer em paz. Começa

Ouve, e Calla,

E vivirás vida folgada:

Tua porta cerrarás;

Teu vizinho louvarás;

Quanto podes naõ faràs;

Quanto sabes naõ dirás;

Quanto vès naõ julgarás;

Q uanto ouves nao crerás,

Se queres viver em paz;

Desta obra fez author Nicol. Ant. Bib. Hisp. Vet. Part. 2. lib. 9. cap. 7. a D. Fr. Ioaõ Manoel sendo certamente de seu filho cuja equivocaçaõ seguio Fr. Manoel de Sá Mem. Hist. dos Escrit. do Carm. p. 224. n. 320.

No Cancioneiro Espanhol impresso Anveres. 1570. estaõ obras suas a fol. 212. e 230.

Falla, ou palavras moraes. Começa

Nunca vi antre privados

Amizade verdadeira &c.

Conservase M. S. na Livraria do Excelentissimo Duque de Lafoens que foy do Emminentissimo Cardial de Souza Tio de sua Excellentissima Avó D. Mariana de Souza Marqueza de Arronches.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]