IOAÕ DA COSTA natural de Villa-nova de Portimaõ em o Reyno do Algarve, e taõ nobre por geraçaõ como insigne por litteratura. Estudou no Collegio de Santa Barbara de Pariz de que era Reytor o Doutor Diogo de Gouvea, e depois de receber as insignias doutoraes na Faculdade de Direito Cesareo em a Universidade daquella Corte foy chamado pela Magestade delRey D. Ioaõ o III. para Mestre de Humanidades em a Universidade de Coimbra, que transferira de Lisboa, e a dezejava augmentar com insignes talentos. Como era famoso na intelligencia das linguas Latina, Grega, e Hebraica desempenhou o alto conceito, que se fazia da sua vasta erudiçaõ sendo hum dos principaes professores de Letras humanas, que venerou aquella idade. Igual à sciencia era a innocencia dos custumes merecendo por taõ egregios dotes ser consultado por ElRey D. Ioaõ o III. em materias gravissimas, que promptamente resolvia seguindo sempre os dictames da sua conciencia timorata. Falleceo com summa piedade quando era Prior da Igreja Matriz de S. Miguel da Villa de Aveyro pouco antes da fatal batalha de Alcacer sucedida a 4 de Agosto de 1578. Delle faz memoria Mariz Dialog. de Var. Hist. Dialog. 5. cap. 3. e Pedro Sanches Epistol. ad Ignat. Moral. com estas expressoens metricas. Praefuit hic olim juvenis cu praetulit aetas Gymnasiis, docuitque tuos Conimbrica Cives. Ingenuas Artes, Getica procul inde repulsa

Barbarie, quae laeta tuis regnabat in arvis.

Das muitas, e elegantes obras Poeticas que produzio a sua fecunda Musa unicamente se fez publico.

Carmen ad Lusitaniam.

Começa.

Graecia Maeonio celebrata est carmine quondam. &c.

Consta de treze Dystichos. Sahio impresso no principio do livro de Diogo de Teyve

intitulado Commentarius de rebus à Lusitanis in India apud Dium gestis anno

salutis nostrae M. D. XLVI. Conimbricae apud Ioannem Barreira, & Ioannem

Alvares 1548. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]