IOAÕ ALVARES DA COSTA Cavalleiro professo da Ordem de Christo, Fidalgo da Caza de Sua Magestade naceo em Lisboa, e na Parochial Igreja de Santa Maria Magdalena recebeo a primeira graça a 21 de Iulho de 1672. sendo filho de Antonio Alvares Lima, e Victoria da Costa. Instruido na patria com os preceitos da lingua Latina, e intelligencia das letras humanas frequentou a Universidade de Coimbra onde aplicado ao estudo da Iurisprudencia Cesarea fez taes progressos a sua grande comprehensaõ, que se distinguio entre todos os seus condiscipulos. Da especulaçaõ daquella faculdade passou à practica em que se fez mais patente a profunda vastidaõ da sua sciencia legal administrando os lugares de Iuiz, e Corregedor do Civel, Dezembargador da Relaçaõ do Porto donde passou para a Caza da Supplicaçaõ a 7 de Ianeiro de 1716. e para Dezembargador de Agravos a 4 de Novembro de 1717. Crecendo com a idade o seu merecimento foy provido em os honorificos lugares de Procurador da Coroa, Iuiz do fisco Real, Deputado da Iunta da Administraçaõ do Tabaco, e Dezembargador do Paço. Attendendo a Magestade delRey D. Ioaõ o V. às suas respeitadas letras o nomeou Conclavista regio do Emminentissimo Cardial Pereira na ocaziaõ em que partio no anno de 1721. para a Curia Romana a votar na eleiçaõ do Summo Pontifice. Neste celebre emporio da Christandade deu a conhecer como Conclavista, lugar, que havia cento, e vinte dous annos naõ tivera outro Portuguez, os dotes de prudencia, e politica de que se ornava o seu eLpirito pelos quais se fez digno das estimaçoens das primeiras pessoas assim, em a dignidade, como em a sciencia. Entre os primeiros sincoenta Academicos de que se formou a Academia Real da Historia Portugueza no anno de 1721. foy eleito para decidir os pontos juridicos que se altercassem na Historia. Do seu grande talento saõ produçoens as obras seguintes.

Aquila Augusta trisulco obarmata fulmine, seu Carolus Tertius Austriacus Rex Hispaniarum assertus, & tribus libris propugnatus. Amstelaedami. Apud Petrum Mortier 1705. fol.

De Togae Origine, antiquitate, nobilitate discursus historicus juridicus, quadantenus tamen politicus. Ulyssipone apud Iosephum Lopes Ferreira Seren. Reg. Typ. 1716. fol.

Discurso sobre a pregunta, que se lhe fez se os Iudeos nos primeiros seculos da Igreja tinhaõ poder para castigar com pena de morte os servos Christaõs, e se os podiaõ ter. Lisboa por Paschoal da Sylva Impressor de S. Magestade 1721. fol. Sahio no 1. Tom. da Colleçaõ dos Document. da Acad. Real. e na Historia da Acad. Real. Lisboa por Iozè Antonio da Sylva Impressor da Acad. Real 1727. 4. desde pag. 247. até 258.

Conta dos seus estudos Academicos em 21 de Iulho de 1729. em que prometeo sincoenta Dissertaçoens pertencentes à Historia de Portugal, que expendeo. Sahio no Tom. 9 da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa por Iozé Antonio da Sylva. 1729. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada na Acad. Real. em 9 de Março de 1730. Sahio no Tom. 10 da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa pelo dito Impressor. 1730. fol. Nesta Conta relatou parte das Dissertaçoens de que devia tratar.

Conta dos seus estudos Academicos recitada no Paço a 7 de Setembro de 1730. Sahio no Tom. 10. da Collec. dos Docum. da Academia.

Conta dos seus estudos Academicos recitada na Academia em 19 de Ianeiro de 1731. Sahio no Tom. 11. da Collec. dos Documentos da Academia Real. Lisboa por Iozé Antonio da Silva. 1731. fol. Nella promete a noticia das Dissertaçoens de que trata pertencentes a Historia de Portugal.

Elogio do Dezembargador Manoel de Azevedo Soares Academico da Academia Real da Historia Portugueza dito em 19 de Ianeiro de 1731. Sahio no Tom. 11. da Collec. dos Docum. da Academia.

Conta dos seus estudos Academicos a 29 de Março de 1732. Sahio no Tom. 11. da Collec. dos Docum. da Academia.

Conta dos seus estudos recitada no Paço a 25 de Outubro de 1732.. Sahio no Tom. 11. da Collec. da Academia.

Conta dos seus estudos em 7 de Março de 1733. Sahio no Tom. 12. da Collec. dos Docum. da Academia. Lisboa por Iozé Antonio da Silva Impressor da Academia Real. 1733. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]