IOAÕ AYRES DE MORAES natural da Villa de Abrantes em a Provincia da Beyra, Capellaõ do Hospital Real de todos os Santos de Lisboa, e hum dos celebresalumnos da Academia dos Singulares instituida nesta Corte no anno de 1663. Onde posto, que privado da vista era taõ perspicas o seu talento, ou fosse na eloquencia orando, ou na elegancia metrificando, que merecia aplauzos dos seus Collegas distinguindo-se entre todos o famoso Antonio Marquez Lesbio Mestre da Capella Real com estas vozes metricas.

Ó grande maravilla, ò pasmo raro!

Ser juntos luz y sombra,

Ó rayo, que con fuego màs assombra;

Y sendo escuro es claro;

Ó portentos del Cielo sempre largos,

Pues te vemos Cupido, y nos vès Argos!

Ó nube siempre rara,

Que cubierta de niebla, luz declara;

Ó fatal maravilla jà màs vista,

Pues te falta la vista y nos dàs vista.

Compoz.

Festivos Aplauzos na feliz vitoria das Armas Lusitanas, e memorias funebres no fatal destrago da profia Espanhola na batalha de Montes Claros. Lisboa por Domingos Carneiro. 1665. 4. Consta de huma Sylva.

Tratado da Payxaõ de Christo. Lisboa por Antonio Rodrigues de Abreu. 1675. 4. Consta de vario genero de metros.

Ao Nacimento do Verbo encarnado Egloga. Interlocutores Almeno, Berardo, Lauso, Toribio, e Filena. Lisboa sem anno, e nome do Impressor. 4.

Oraçaõ recitada na Academia dos Singulares a 4 de Novembro de 1663.

Sahio com 8 Sonetos a diversos Assumptos. No 1. Tom. da dita Academia Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1665. 4. & ibi por Manoel Lopes Ferreira. 1692. 4.

Oraçaõ recitada na Academia dos Singulares a 14 de Dezembro de 1664. Sahio com 9 Sonetos, huma Decima, e hum Romance a diversos Assumptos no 2. Tomo da dita Academia Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1668. 4. & ibi por Manoel Lopes Ferreira. 1698. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]