D. IERONIMO OSORIO Naceo em Lisboa no anno de 1506. Sendo filho primogenito de Ioaõ Osorio da Fonceca quarto filho de Alvaro Osorio da Fonceca Senhor das Villas de Figueiró da Granja, e Santa Eufemia, e de Francisca Gil de Gouvea filha de Affonso Gil de Gouvea criado do Infante D. Fernando Pay delRey D. Manoel, e Ouvidor das Terras do mesmo Infante. Pela auzencia do seu Pay, que partira para a India a exercitar a Ouvidoria Geral do Estado acompanhando ao Iazaõ Portuguez o clarissimo Heroe D. Vasco da Gama, conhecendo sua May, a cuja vigilante tutela ficara cometido, a viveza de engenho, que jà descubria na idade de dez annos o mandou instruir em a lingua Latina na qual fez taõ acelerados progressos que delle vaticinou o Mestre a excellencia do seu talento para comprehender os estudos mais severos. Quando cumprio treze annos passou à Universidade de Salamanca onde se aperfeiçoou em o idioma Latino, e aprendeo o Grego no qual traduzio em elegantes Versos as Lamentaçoens de Ieremias. Passados dous annos se restituhio à Patria para com a prezença diminuir as saudades de seu Pay, que tinha chegado da India mais cheyo de fama, que riquezas, e querendo, que fosse herdeiro da sua sciencia juridica lhe ordenou voltasse para Salamanca a estudar Direito Cesareo a cujo preceito obedeceo constrangido por ser a sua natural inclinaçaõ para as armas, de tal sorte, q estava resoluto ostentar os brios do seu coraçaõ professando a Ordem militar de Malta. Na Academia Salmanticense aplicava somente duas horas cada dia ao estudo da Iurisprudencia, e consumia todo o tempo em a liçaõ dos Historiadores Latinos, e Gregos sendo o seu principal cuidado conservar a alma izenta da menor culpa, e para este fim armado de continuo cilicio fez voto solemne de Castidade no dia da triumfal Assumpçaõ de Maria Santissima ao tempo que seu Confessor celebrava o incruento Sacrificio da Missa em o reformado Convento de Santo Estevaõ da Ordem dos. Pregadores. Por morte de seu Pay voltou a Patria donde quando tinha desanove annos foy estudar a Pariz a Dialectica, cujas subtilezas penetrou taõ profundamente, que mereceo as aclamaçoens de consumado Filosofo. Nesta florentissima Universidade contrahio cordial amizade com Santo Ignacio de Loyola, e seus insignes companheiros sendo hum dos principaes authores para que ElRey D. Ioaõ o III. admitisse ao seu Reyno o instituto da Companhia de JESUS. Restituido terceira vez a Portugal depois de concluir alguns negocios pretencentes à sua Pessoa passou a Bolonha em cuja Universidade se aplicou ao estudo da Sagrada Theologia, e à intelligencia da lingua Santa escrevendo quando contava trinta annos os livros de Nobilitate Civili, & Christiana, que dedicou ao Infante D. Luis de quem era summamente favorecido. Querendo a Magestade delRey D. Ioaõ o III. authorizar com o seu magisterio a Academia Conimbricense, que magnificamente restaurara, o mandou chamar de Bolonha, e na Cadeira da Escritura explicou com emolumento dos discipulos, e assombro dos Cathedraticos o livro de Isaias, e a Epistola de S. Paulo aos Romanos. Considerando com madura reflexaõ a irreparavel perda, que padecia a Republica litteraria com a falta dos livros de Gloria; de Republica, e de Consolatione, que compuzera o Principe da eloquencia Latina emprendeo restaurallos, cuja idea felismente conseguio escrevendo o Tratado de Gloria com estilo taõ semelhante ao de Cicero, que muitos julgavaõ ser parto da penna deste eloquentissimo Orador. Depois compoz em contraposiçaõ do Tratado de Republica o de Regis Institutione; e ultimamente para substituir a falta do Tratado de Consolatione fez huma douta parafrase sobre o livro de Iob como eficaz lenitivo para tolerar as molestias, e tribulaçoens do Mundo. O Serenissimo Infante D. Luiz de quem fora muitos annos Secretario como conhecesse a profundidade da sua sciencia, e a integridade dos seus custumes o nomeou Prior das Igrejas de Santa Maria do Castello de Tavares, e S. Salvador de Travanca em o mesmo Conselho de Tavares do Bispado de Viseu, e lhe cometeo a educaçaõ de seu filho o Senhor D. Antonio cuja incumbencia conservou até a morte daquelle Principe, por cuja cauza partio para a sua Igreja onde residia com vigilancia de perfeito Pastor. Increpado por alguns amigos do retiro que fizera da Corte, respondeo que a fé, e verdade que sempre professara naõ podiaõ habitar onde somente dominavaõ o engano, e a adulaçaõ. Naõ foy poderosa a austeridade do seu genio para naõ ser chamado ao lugar donde fugira merecendo distintas estimaçoens dos Serenissimos Monarchas D. Ioaõ o III. e D. Catherina, e do Cardial D. Henrique que o nomeou por renuncia do Mestre Gaspar de Leaõ depois Arcebispo de Goa, Arcediago do bago da Cathedral de Evora de que tomou posse em 30 de Março de 1560. e por sua insinuaçaõ escreveo aquella erudita Carta à Rainha Izabel de Inglaterra onde lhe persuadia com rezoens concludentes que abjurados os erros hereticos abraçasse os dogmas da Igreja Romana. Para defender a impiedade desta nova Iezabel tomou a penna seu Ministro Gualter Haddon contra o qual vibrou Osorio como fulminante rayo a sua convencendo com tanta evidencia os sofismas do seu Antigonista que confuso se naõ atreveo a entrar em segundo conflicto. Como os seus merecimentos se augmentassem com os annos o nomeou ElRey D. Sebastiaõ Bispo da Cidade de Sylves em o Reyno do Algarve, e posto que protestou a sua incapacidade para taõ alta Prelazia constrangido a aceitou no anno de 1564. cuja Cathedral passados 17 annos se transferio em seu tempo para a Cidade de Faro em 30 de Março de 1577. onde agora permanece. Todas as virtudes que fizeraõ veneraveis os Prelados da primitiva Igreja copiou taõ fielmente no seu peito, que de muitos foy glorioso excesso. Quotidianamente se levantava da cama antes de amanhecer, e posto de joolhos aprendia na escola da Oraçaõ mental os documentos conduzentes ao serviço de Deos, e do proximo; como tambem a intelligencia de algum lugar dificil da Escritura, e passadas duas horas celebrava o incruento Sacrificio do Altar. Para que os seus Familiares evitassem a ociosidade fecunda mãy de todos os vicios, sustentava com largos estipendios em o seu Palacio homens eruditos para lhes ensinar as artes dignas do seu estado, aos quais muitas vezes instruia com os preceitos da lingua Grega, e Geometria de Euclides. A meza era commua como as iguarias onde havia continua liçaõ de varios authores sendo para o seu palato a mais diliciosa alguma obra do Melifluo Doutor S. Bernardo, satisfazendo a todas as duvidas, que eraõ propostas pelos circunstantes. Para instruçaõ universal do seu rebanho mandou com grande dispendio abrir escolas de latim em Lagos, e Villa nova de Portimaõ; e de Theologia Moral em Faro, Tavira, e Loulè. Exhortava aquelles, que pelo seu talento se distinguiaõ, a frequentar as Universidades socorrendo generosamente aos que a pobreza dificultava este exercicio, e remunerando com lugares honorificos, e rendosos a todos que tinhaõ feito mayores progressos nos estudos. Tanta era a promptidaõ com que dezejava remediar aos pobres que trazia sempre cheya a bolça de dinheiro para escuzar a providencia do seu Esmoller, em cuja despeza gastava a mayor parte das rendas Episcopaes. Toda a quantia, que se cobrava em a Chancellaria das condenaçoens se aplicava para beneficio dos Hospitaes, e Cazas da Misericordia, uzando da mesma comiseraçaõ com os Conventos mais reformados dandolhe todo o genero de remedios para cura dos infermos. Sempre estava patente a porta do seu Palacio a qualquer pessoa que o buscava, e sucedendo que o porteiro em certa ocasiaõ dificultou a entrada a hum pobre, o reprehendeo severamente naõ permitindo que houvesse tal lugar em sua caza. Vizitando a sua Diocese inquiria prudentemente dos criminosos, e sendo chamados à sua prezença os exhortava pastoralmente à reforma das suas vidas de cujas saudaveis admoestaçoens se admiraraõ transformaçoens repentinas. Foy acerrimo defensor da sua dignidade punindo severamente aos violadores da jurisdiçaõ Ecclesiastica que se valiaõ da authoridade real para livremente cometer enormes insultos. Nas Cortes celebradas em Lisboa a 20 de Ianeiro de 1568. onde tomou as redeas do Governo ElRey D. Sebastiaõ assistio com os Prelados das outras Dioceses, e como o Cardial D. Henrique conhecia a sua grande prudencia intentou que fosse hum dos directores do novo Monarcha em a regencia do Reyno, porem com o pretexto da obrigaçaõ pastoral se retirou ao Algarve, e chegando a noticia da precipitada resoluçaõ com que elRey arrebatado do seu inquieto espirito queria passar a Africa lhe escreveo huma Carta na qual com zelosa fidelidade lhe expunha ser conveniente à estabilidade da Monarchia, que sua Alteza cazasse antes de executar os designios que meditava. Com outra Carta cheya de documentos politicos, e desenganos catholicos persuadio ao mesmo Principe se restituisse ao Reyno depois de ter imprudentemente executado a primeira expediçaõ de Africa. Estes maduros conselhos que deviaõ ser summamente estimados foraõ motivo de varias calumnias maquinadas pelo odio dos seus emulos, e receando que fossem benevolamente aceitas a ElRey se retirou de Portugal com o pretexto da vizita ad limina Apostolorum. Da Cidade de Sevilha pedio por huma Carta o beneplacito real para esta jornada, e entrando em Parma em o anno de 1576. foy tratado com summa benevolencia pela Serenissima Princeza D. Maria Neta DelRey D. Manoel onde para naõ passar ociosamente o tempo que naquella Cidade assistio, compoz em obzequio daquella Princeza a Parafrase sobre os Psalmos. De Parma passou a Roma, e depois de venerar com summa piedade as sepulturas dos Principes do Apostolado foy benevolamente recebido pelo Summo Pontifice Gregorio XIII. de cuja pastoral liberalidade recebeo particulares privilegios para a Sua Igreja. Obrigado das Cartas delRey D. Sebastiaõ, e do Cardial D. Henrique para voltar ao Reyno como tambem do escrupulo de estar auzente hum anno do seu rebanho, e evitar o rumor popular de que a sua demora na Curia era com intento de vestir a Purpura Romana, pensamento que tivera Marcello II. partio de Roma onde deixou impressas saudosas memorias da sua grande capacidade, e exemplar vida. Ao tempo que chegou a Portugal se estava preparando com o mayor aparato militar ElRey D. Sebastiaõ para a infeliz expediçaõ de Africa, e valendose da authoridade da pessoa, e eficacia da eloquencia exhortou a este Principe que naõ executasse a temeraria resoluçaõ com que precipitadamente corria à ultima perdiçaõ. Recebida a infausta noticia de que nos Campos de Alcacer agonizara a 4 de Agosto de 1578. A Monarchia Portugueza com o author de taõ deploravel derrota, concebeo taõ profundo pezar o seu coraçaõ, que sendo naturalmente robusto lhe faltaraõ forças para resistir a taõ fatal calamidade. Querendo pacificar os tumultos, que havia em Tavira procedidos deste infausto sucesso partio em huma liteira, e parecendo-lhe, que a menor demora augmentaria o furor dos tumultuosos montou em huma mula para mais brevemente chegar àquella Cidade onde como o tempo fosse muito calmoso, e contrahisse huma chaga na perna direita foy obrigado a recolherse ao Convento dos Religiosos de S. Francisco. Acometido de huma ardente febre que durou pelo espaço de vinte dias, sendo avizado de que certamente morria recebeo com semblante alegre este anuncio levantando os olhos, e maõs ao Ceo. Posto que tinha faculdade de Gregorio XIII. para testar de vinte mil cruzados somente dispoz de mil, e quinhentos que tinha hum Conego seu familiar, os quais ordenou se repartissem pelos criados da sua caza satisfazendolhe os estipendios annuaes ainda que os naõ tivessem vencidos. Depois de receber com ternissima piedade o sagrado Viatico, e a Extrema unçaõ expirou abraçado com hum Crucifixo a 20 de Agosto de 1580 quando contava 74 annos de idade. Foy sepultado na Capella mór do Convento de S. Francisco de Tavira como ordenara para ser transferido para a sua Cathedral. Foy verdadeiramente Varaõ ornado de profundas letras, e singulares virtudes pelas quais mereceo as estimaçoens dos Summos Pontifices Marcello II. E Gregorio XIII. dos Reys de Portugal D. Joaõ o III. D. Sebastiaõ, e D. Henrique, de Estevaõ Battorio Rey de Polonia que pelo seu Chanceller Ioaõ Zamoischio o mandou visitar a Roma confessando com honorificas expressoens a utilidade, que colhera com a liçaõ das suas obras; dos insignes Cardeaes Estanislao Osio, e Guilherme Sirleto. Fallou a lingua Latina como se nacera no seculo do Augusto chegando a imitar com cores taõ vivas a Cicero, que se equivocava a copia com o Original. Foy eloquentissimo Orador, profundissimo Theologo, doutissimo Escriturario, e excellente Historiador elegendo para assumpto da sua penna as incritas acçoens delRey D. Manoel, que por ser o segundo Alexandre Conquistador do Oriente as narrou com o estilo de Quinto Curcio Chronista das façanhas do primeiro. O seu nome he celebrado pelas vozes de insignes Escritores, como saõ D. Manoel de Almada Bispo de Angra in princip.Epist. ad Guaterem Haddonem. Vir non tantum utraque (quod aiunt) Minerua Graeca simul, & Latina, sed etiam assiduis Sacrarum litterarum studiis praeditus, qui per multos annorum retro actorum vigilias evasit doctissimus, cujus scripta ut pia, fructosa, & Christianam redolentia pietatem Principes Christiani, & proceres Ecclesiae Catholicae recipiunt, omnesque doctissimi nostri temporis viri magnifaciunt. Jacob. August. Tuan. Hist. sui Tempor. Part. 3. lib. 72. Tùm Scriptis quae multa, & varia puriori, ac florido stylo exarata dum vixit, passim dedit, tùm vitae sanctioris exemplo non solùm suis; sed toto Christiano orbi utilis. Lelong. Bib. Sacr. pag. mihi 888. col. 2. Latine, & Graece doctus. Faria Europ. Portug. Tom. 3. P. 1. cap. 4. n. 3. Excellentissimo Escritor. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 23. Vir ingenio, judicio que magno, eá verò eloquentia, quae suo saeculo parem vix habuit. Papadópoli Hist. Gymnas. Patavin. lib. 2. cap. 28. §. 128. Nemo sua aetate in Lusitania clarior fuit, sive spendorem generis spectes, sive decus cùm Sapientiae, tum pietatis qua praestitisse illum ad exemplar priscorum Patrum absolutissimum constat. Hyeron. Blancas Aragonens. rerum Comment. pag. 301. Sapientisimum & eloquentissimum cui videntur in cunis dormienti tamquam alteri Platoni in labellis apes consedisse. Walchio Hist. Crit. ling. Latin. cap. 11. pag. 444. Hominem laudibus eloquentiae ornatissimum. Beyerlinck Opus Chronolog. ad ann. 1567. perpetuis eruditae laudis honoribus efferendus est. Daça Chron. de S. Franc. Part. 1 . liv. 1. cap. 50. diligente y fidelissimo Historiador. Arnold. Myllius Epist. Ad Ioan. Metel. que sahio no principio da Parafrase de Isaias do mesmo Osorio Vir est longe doctissimus, & rara pietate, morumque gravitate multò clarissimus. Souza Flor. de Espan. Excel. de Portug. cap. 23. Excel. 23. §. 10. por los excellentes livros, que compuso ganò tal fama, que de Inglaterra, Alemania, y otras partes venian solo a verle muchas gentes como a otro Titolivio. Marangoni Thezaur. Paroch. Tom. 2. pag. 68. §. 34. Doctrina, religione in Deum, & Regem clarissimus. Telles Chron. da Comp. de Jes. da Prov. de Portug. Tom. 2. liv. 5. cap. 28. §. 10. Varaõ eloquentissimo. Capassi Hist. Philosoph. lib. 4. cap. 14. Cicero Lusitanus. Franckenau Bib. Hisp. Gen. Herald. p. 178. n. 259. vir ob erudita, ac eleganti scripta eloquio varii argumenti opera notissimus. Teisser Elog. des Hom. Savans. Tom. 3. pag. 187. personage d’une naissance nobre, d’une profonde erudition, d’une rare eloquence, e d’une sincere pietè. Gil Gonzalves de Avila Theatr. de las Grand. de Madrid pag. 506. aquel varon tan señalado, y famoso digno de toda memoria, el Cicero Christiano D. Geronimo Osorio, que honrò su patria con sus escritos, y pluma. Toscano Paralel. de Var. Illustr. cap. 129. Foy igual a Cicero na eloquencia, estilo, e frase, e finalmente ate hoje o que mais o imitou, seguio, e igualou nesta materia pelo qual conseguio, e dignamente mereceo o titulo, e sobre nome tambem de Principe da Lingua Latina, e no cap. 130. Naõ só foy muy louvado, e estimado de seus naturaes, mas das naçoens estranhas. Maris Dialog. de Var. Hist. Dialog. 4. cap. 13. Principe dos Oradores. Hollander de Nobilitat. pag. 65. Oratorum hujus saeculi omnium eloquentissimus. Fonceca. Evor. Glorios. pag. 301. insigne Historiador, e Letrado. Brito Mon. Lusit. Part. 1. liv. 2. cap. 12. eloquentissimo. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 449. col. 2. Plane in hoc viro quid quid praestantis, &eximii natura concedere, studiaque litterarum conferre solent cumulatum meritò dixeris. Nam praeter innocentissimos mores, ductamque ad unguem Pontificiae vitae formam, sic in eo resplenduit sapientia, eloquentiae conjuncta, ut nescias quid in ejus doctissimis, &elegantissimis  lucubrationibus solidissimae ne, ac vere Christianae Philosophiae documeta, & illustres undique cogitationes quibus Platonem, an excellentia Latinae loquutionis, qua Tullium Ciceronem ad Ecclesiae Castra deducere voluisse videtur celebritate mayori, & laude dignum sit. Dupin Hist. de l’Eglise, e des Aytheurs. Eccles. Secle XVI. pag. mihi 419. C‘ est à bon droit qu’on appelle Osorius le Ciceron Portugais car il est un des plus grands imitateurs de Ciceron qu’ il y ait eu soit pour le stile, soit pour le choix qu’il fait des sujets, soit pour la maniere de les traiter. Possevin. Apparat. Sac. pag. 743. Vir nobilis, doctus, eloquens, castus. Andre Scoto  Hisp. Bib. pag. 551. ob egregia ingenii monumenta nulla unquam aetas de ejus laudibus conticescet: teretur illorum manibus qui sapientiam recta cum eloquentia conjungendam existimarint. Franco Imag. da Virtud. em o Nov. de Evor. liv. 1. cap. 5. excellente Historiador. Koning. Bib. Vet. & Nov. pag. 594. col. 1. Souza Agiol. Lusit. Tom. 4. pag. 606. Grande zelador da honra de Deos, acerrimo defensor da Religiaõ Chritãa, insigne Theologo, versado em todo o genero de erudiçaõ. Niceron Memoir. des Hom. Illustr. Tom. 11. pag. 202. e seguintes. Conrado Gesnero in Append. Biblioth. fol. 520. Reynerio Mathisio em a seguinte  ode impressa no livro de Rebus Emman. Regis da ediçaõ de Colonia.

Vis Lusitanae Gentis, in India

Res Scire gestas, bellaque barbaris

Illata regnis; & subactos

In Lybicá Regione Mauros:

Vi et repertas navibus insulas:

Et scire mores juraque gentium

Doctos deserti lector Osorii

Evolve libros assidua manu;

Ex hoc amaeno fonte summa

Utilitas fluet, & voluptas.

Hinc multa disces, quae neqae saeculis

Unquam fuerunt nota prioribus

Nec Visa. Miras longus artes

Reperit, & meditatur usus….

Haec persequetur doctus Osorius:

Hùc huc ades tandem juventus

Pieriis operata Musis:

Haec Tullianis plena leporibus

Sunt, atque cedro digna volumina

Utaris hác noctes, dies que

Historiá studiose lector.

As obras deste insigne Prelado, que corriaõ dispersas em diversos tomos, e impressas em varias partes as collegio com grande disvelo seu sobrinho Ieronimo Osorio Conego da Cathedral de Evora quando assistio em Roma, e sahiraõ comprehendidas em quatro Tomos de folha. Romae apud Bartholamaeum Bonfadini. 1692. No primeiro Tomo estaõ as seguintes.

De Nobilitate Civili libri II.

De Nobililitate Christiana. libri III.

Estes dous tratados, que muito louvaõ dous Oraculos da Jurisprudencia Andre Tiraquello Tract. de Nobilit. cap. 1. e Ioaõ Solorzano de Jure Ind. Tom. 1. liv. 1. cap. 3. n. 48. foraõ dedicados ao Serenissimo Infante D. Luiz. Olyssipone apud Ludovicum Rodriguez. 1542. 4. Florentiae apud Torrentium 1552. 8. Basileae apud Petrum Pernam 1571. 8. Coloniae apud Cholinum. 1591. 12. Parisiis apud Isaiam le Preux 1606. 8. Sahio traduzido em Frances por Monsiur de Guillotiere. Pariz ches Iaquez Kerner. 1549. 4. Rogerio Ascanio Varaõ summamente erudito remeteo esta obra ao Cardial Reginaldo Polo com huma elegante carta, que he a primeira entre as de Osorio exaltando seu Author com o seguinte Elogio. In tractanda vero hac tam praeclara materia eam eloquentiae facultatem adhibet, qua pauci quidem mea certa opinione post illa Augusti tempora aut puriore, aut praestantiore usi sunt. Est enim in uerbis deligendis tam peritus; in sententiis continuandis tam politus, ita proprietate castus, ita perspicuitate illustris; ita aptus, &verecundus in translatis; suavis ubique sine fastidio; gravis semper sine molestia; sic fluens, ut nunquam turgescat;sic omnibus perfectus numeris, ut nec addi aliquid, nec demi ei quidquam mea opinione possit. Immo tam praestans artifex est, ut nec Italia in Sadoleto, nec Gallia in Longolio plus quam nunc Hispania in Osorio gloriari debeat. O mesmo conceito fez desta obra Ieronimo Cardoso em huma carta que he a 6 entre as impressas. Videbar mihi in Ciceronis de Philosophiae libris summa cum voluptate versari. Nec mirum cum eadem ubertas, & gravitas, eadem sermonis puritas, & orationis concinnitas, idemque denique lepos passim eluceret. De Gloria libri V. Dedicado a ElRey D. Ioaõ o III. Olyssipone apud Franciscum Correa 1549. 4. Sahio juntamente com o tratado de Nobilit. Christiana. Florentiae apud Laurentium Torrentium 1552. Basileae 1556. 8. Compluti apud Andream Angulo. 1568. 12. Coloniae 1577. Bilbao apud Mathiam Mares 1578. Basileae 1584. Coloniae. 1594. 12. Parisii apud Isaiam le Preux 1608. 8. Rhotomagi 1616. Antuerpiae 1635. 12. Desta obra como da precedente faz este elogio Afonso Garcia Matamoros de Acad. et docti vir Hisp Suavi Simul, et artificiosa verborum structura citra versum conscripsit. Sono, et numero Orationis leviter demulcet aures, ut hac unà possit singulari virtute cum Lactantio, & Christophoro Longolio, et quovis alio Ciceroniano non injuria certare. Aristotelica tamen quadam disserendi ratione, et copia sic est usus, ut non ad voluptatem aurium, quae summa est, sicuti ego aestimo, in hoc authore, sed ad judiciorum certamen scripsissevideatur.

De Regis Institutione, & disciplina libri VIII. ad Sebastianum primum  Portugalliae Regem. Olyssipone apud Ioannem Hispan. 1572. 4. Coloniae apud haeredes Birckmani. 1574. 8. Parisiis apud Petrum Huillier 1583. fol. por deligencia de Pedro Brisson irmaõ do Prezidente Barnabe Brisson; et Coloniae apud haeredes Arnoldi Birckmani. 1614. 8.

De rebus Emmanuelis Regis Lusitaniae virtute, et auspicio gestis libri duo decim. Olyssipone apud Antonium Gondissalvum 1571. fol. Coloniae apud haeredes Birckmanni 1597. 8. com huma douta prefaçaõ de Ioaõ Matallio Metello Sequano Iurisconsulto escrita ao sapientissimo Varaõ D. Antonio Agostinho Arcebispo de Tarragona. Sahio traduzido em Frances por Simaõ Goulard com o titulo seguinte. Histoire de Portugal contenant, les entrepreses, navegations, et gestes memorables des Portugaloes tant en la conquéte des Indes Orientales qu’aux guerres de Afrique &c. Pariz par François Estiene 1581. fol. & ibi chez Abel 1’Angelier 1587. 8. & ibi par Samuel Crespin 1610. 8. 2. Tom. Manoel de Faria, e Souza nas Advert. ao primeiro Tom. da Asia Portugueza faz o seguinte elogio a esta obra sin algun discrimen es la màs felis despues de la de Titulivio. En la latinidad todos le conceden facilmente la palma de ser el mejor Ciceroniano: en la orden es singular, en el juizio es claro; en los reparos es agudo, en la gala es grave, e en todo es perfecto, e o Padre Niceron Memoir. des Hommes IIIustr. Tom. 11. pag. 208. Est recommandable par le soin qu’il apris de s’informer de la verite des faits, e de les raconter sans deguisement; il ècrit avec brievetè, avec clartè e avec neteté. Il sonde les conseils, e les fundamens des deliberations, donne su jugement sur les actions des Grands, e des Rois, e condamne avec libertè leurs defauts sans èpargner ceux de sa Nation.

Defensio sui Nominis. He huma erudita apologia em que mostra contra seus emulos as rezoens que o moveraõ para afirmar que devia suceder nesta Coroa Filippe Prudente por morte do Cardial D. Henrique.

Epistolae. Hannoviae. 12.

O segundo Tomo comprehende as seguintes obras.

Epistola ad Serenissimam Elisabetham Angliae Reginam. Olyssipone apud Ioannem Blavium. 1562. 4. & Venetiis apud Ioannem Ziletum 1563. Olyssipone apud Antonium Riberium. 1575. 4. Foy vertida na lingua Franceza. Pariz chez Niculao Chesnau. 1565. 8. e na Ingleza como escreve Niceron Mem. des Hom. Illustr. Tom. 11. pag. 209.

In Gualterum Haddonem Magistrum libellorum suplicum apud clarissimam Principem Elisabetham Angliae, Franciae, Hiberniae Reginam libri III. Olyssipone apud Franciscum Correa 1567. 4. Dilingae 1569. 8. & ibi 1576. com huma Oraçaõ de Iacobo Longolio sobre o mesmo argumento. Treveris apud Edmundum Hatot. 1585. 12.

De Justitia libri X. in quibus explicantur omnia quae de Fide, & actionibus, Meritis, & Gratia, libera hominis voluntate & Praesensione, atque praescriptione divina ad hanc diem disceptata sunt, & falsis opinionibus evulsis omnes ad pie credendum, & bene vivendum instituuntur. Coloniae apud haeredes Birckmanni 1574. 8. e 1581. 8.

De Vera Sapientia libri V. ad Gregorium XIII. P. M. Olyssipone apud Franciscum Correa. 1578. 4. Coloniae. 1579. 8. et ibi ex Officina Birckmannica. 1582. 8.

In Epistolam PauIi ad Romanos.

No terceiro Tomo estaõ as obras seguintes.

Paraphrasis in Iob. 1ibri III.

Paraphrasis in Psalmos.

Commentaria in Parabolas Salomonis.

In Sapientiam Salomonis. Antuerpiae. 1596. 12.

No Quarto Tomo.

Paraphrasis in Isaiam ad Henricum Regis Emmanuelis filium S. R. E. Tit. Sanctorum Coronatorum Cardinalem libri V. Coloniae apud Alexandrum Bonatium 1578. & ibi apud haeredes Arnoldi Birckmanni 1579. 4.

In Oseam Prophetam Commentaria.

In Zachariam Prophetam Commentaria. Colonioe 1584. 8.

In Laudem D. Ae Catherinae Oratio.

In Ioannis Evangelium Orationes XXI. Coloniae. 1584. 8.

Carmen in diem Natalem D. N. J. Christi. Consta este Poema de 80. Versos heroicos.

Alem destas obras comprehendidas nos quatro Tomos impressos em Roma. Compoz.

Traduçaõ Latina das Meditaçoens do Cardial D. Henrique sobre a Oraçaõ do P. Nosso. Lisboa por Francisco Correa. 1576. 12.

Epistola ad Hyeronimum Cardosum. He a 10 entre as do mesmo Cardoso que sahiraõ. Olyssipone apud Ioannem Barrerium Typ. Reg. 1556. 8.

Commentaria in Psalmum Miserere mei Deus. M. S.

Tratado do Reyno do Algarve. He allegado por Fr. Bernardo de Brito Mon. Lusit. P. 1. liv. 2. cap. 13.

Oraçaõ funebre nas Exequias delRey D. Ioaõ o III. celebradas em Coimbra. M. S.

Decretos do Concilio Tridentino traduzidos em Portuguez. M. S.

Carta escrita de Villa nova de Portimaõ a 12. de Outubro de 1570. a ElRey D. Sebastiaõ em que lhe persuade que se caze. M. S.

Carta escrita de Lisboa a 20 de Outubro de 1574. ao mesmo Principe. He larga, e discreta. M. S.

Duas cartas escritas ao mesmo Principe contra Maximo Dias de Lemos por se oppor à Iurisdiçaõ Eclesiastica. M. S.

Carta à Rainha D. Catherina despresuadindoa que naõ parta para Castella M. S.

Carta ao Cardial D. Henrique sobre a sucessaõ desta Coroa. M. S.

Excellentissimo Domino Alphonso Portugalensi Comiti do Vimioso Epistola cujo original vimos, e se conserva no Archivo desta Excellentissima Caza da qual faz memoria o P. D. Antonio Caetano de Souz. Hist. Genealog. da Caza Real Portug. Tom. 10. cap. 5. pag. 689.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]