IERONIMO CORTEREAL Senhor do Morgado de Palma filho terceiro de Manoel Cortereal moço fidalgo delRey D. Manoel Capitaõ Donatario das Ilhas Terceira, e de S. Iorge por confirmaçaõ delRey D. Ioaõ o III no anno de 1524. e D. Brites de Mendoça Dama da Rainha D. Catherina filha de Inigo Lopes de Mendoça, e D. Maria de Bassan Dama da Rainha de Castella D. Izabel, filha de Ioaõ de Bassan II Visconde de Valdierma illustrou a nobre qualidade do seu nacimento com os admiraveis progressos que fez na palestra de Minerva, e Bellona. Havendo deixado celebre o seu nome em Africa, e Asia quando foy Capitaõ Mòr de huma Armada em o anno de 1571. em cujos heroicos theatros triunfou sempre a sua espada dos inimigos da Coroa voltou para a patria, e retirado a huma Quinta do seu Morgado junto da Cidade de Evora lhe servia de Museo hum sitio altissimo formado pela natureza de pedras toscas de cuja eminencia se descobriaõ dilatados, e apraziveis campos por onde vagando livremente a fantezia lhe offereciaõ varias imagens para as suas metricas obras pelas quais mereceo ser aplaudido pela augusta Magestade de Filippe II. em huma honorifica carta que lhe escreveo em 8 de Novembro de 1576. por lhe ter dedicado a Austriada dizendolhe en la obra mostraes el ingenio, juizo, y otras buenas partes de que Dios os há dotado. Semelhantes elogios consagraraõ à sua Musa os mayores cisnes do Parnaso Portuguez, como saõ D. Iorge de  Menezes.

Ó clara luz da Lusitana gente

Honraste tua patria, e nossa idade

Celebrandoa, e defendendo altamente

Co a espada, e mais q humana habilidade

O Doutor Antonio Ferreira.

Quem pode ò graõ Ieronimo louvarte

Dos raros dons q os Ceos em ti juntaraõ

No pincel vences natureza, e arte

Na Lyra quantos a melhor tocaraõ:

Na forte espada reprezentas Marte

Nos brandos versos poucos te igualaraõ

Atè no claro sangue, e gentileza

Fortuna, e Ceos roubaste à natureza.

Diogo Bernardes.

Colhey Nymfas do Tejo as mais cheirosas

Flores de quantas rouba o tempo avaro

E dellas, e de louro a Phebo caro

Com roxos lirios, e purpureas rozas.

Tecei alegres já nada envejozas

Das do famoso Pò, e Mincio claro

Capellas a este vosso spirito raro

Que tanto vos honrou Nymfas fermosas Pedro Landim.

Hostes confecit juvenili Hieronimus aevo

Regia cui nomen Curia grande dedit.

Hostes confecit maturo Hyeronimus aevo

Mirificis condens Versibus Historiam

Ingenio sumus, summus quoque viribus unus

Et belli laudes, ingenii que tulit.

O P. Antonio dos Reys Enthus. Poet. n. 45.

Vates quem proprio decoravit nomine Doctor

Maximus ille, ferum miscentem praelia Martem

Fluctibus in mediis, qui carmine pinxit, & urbis

Maenia perpetua globulorum grandine quassa

Sed non fracta Diu: cui tu Sepulveda, paene

Gurgite consumptus misera cum conjuge debes

Totius lacrymas, gemitus, suspiria mundi;

Te siquidem primus cantando sparsit in orbe

Naufragiumque tuum.

Lope da Vega Laurel de Apollo Sylv. 3.

Porque si despertaran

Ya las Cortes Parnassides llenaran

Docto Cortereal tu nombre solo

Aun no quedara con el suyo Apollo.

Pedro Mar. Dial. de Var. Hist. Dial. 5. cap. 10 lhe chama elegantissimo. Fr. Bernard. de Brito Mon. Lusit. Part. 1. liv. 2. cap. 15. insigne Poeta naõ menos por nobreza de sangue, que por felicidade de entendimento, e lib. 4. cap. 8. Celebre nobilissimo Poeta. Maced. Flores de Espan. cap. 14. excel. 2. insigne Poeta e na Lusit. Liber. Proaem. 1. §. 4. n. 11. illlustris Poeta. Faria Prolog. a 2. P. da Fuent. de Aganip. n. 8. sempre estudioso; e no Coment. das Lusiad. Cant. 2. Estanc. 50. Nic. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 438. col. 2. plurium liberalium, atque viro nobili dignarum artium cognitione, et exercitio delectabatur praecipue pangendis versibus. Joan. Soar. de Brit. Theatr. Lusit. Liter. lit. H. n. 16. Cordeiro Hist. Insul. liv. 6. cap. 4. §. 29. Solorzano de Iure Indiar. Tom. 1. lib. 1. cap. 3. n. 48. o moderno addicion. da Bib. Orient. de Antonio de Leaõ Tom. 1. Tit. 3. col. 62. e Tit. 13. col. 437.

Sendo o seu nome taõ celebrado pelo enthusiasmo da Poesia, naõ mereceo menor aplauzo pela sciencia da Musica, e inteligencia da Pintura conservandose para testemunho da valentia do seu pincel hum quadro de S. Miguel em a Capella das Almas da Parochia de S. Antaõ da Cidade de Evora. Falleceo na sua Quinta do Morgado de Palma antes do anno de 1593. Foy cazado com D. Luiza de Vasconcellos filha de Iorge de Vasconcellos Provedor dos Armazens de quem teve huma filha que se despozou com Antonio de Souza. Compoz em verso solto.

Sucesso do segundo Cerco de Diu estando D. Ioaõ Mascarenhas por Capitaõ da Fortaleza anno de 1546. Lisboa por Antonio Gonzalves 1574. 4. Consta de 21. Cantos. Dedicado a ElRey D. Sebastiaõ. Sahio traduzido em Castelhano por Fr. Pedro Padilha Carmelita com este titulo.

La verdadera Historia, y admirable sucesso del segundo cerco de Diu estando D. Juan Mascareñas por Capitan, y Governador de la Fortaleza. Alcala de Henares por Iuan Gracian. 1597. 8.

Felicissima Victoria concedida del cielo al Señor D. Juan de Austria en el golfo de Lepanto de la poderosa armada Othomana en el año de nuestra salvación de 1572. Lisboa por Antonio Ribeiro. 1578. 4. Consta de 15 Cantos em Verso solto na lingua Castelhana da qual foy muito perito como escreve Nicolao Antonio no lugar assima citado.

Naufragio, e lastimoso sucesso da perdiçaõ de Manoel de Souza de Sepulveda, e Dona Lianor de Sá sua mulher, e filhos vindo da India para este Reyno na Não chamada o Galeaõ grande S. Joaõ que se perdeo no Cabo da Boa Esperança na terra do Natal; e a peregrinaçaõ que tiveraõ rodeando terras de Cafres mais de trezentas legoas té sua morte. Lisboa por Simaõ Lopes. 1594. 4. Consta de 17 Cantos. Esta obra, que o author estimava sobre todas as que tinha composto deu à luz seu Genro Antonio de Souza, e a dedicou ao Duque de Bragança D. Theodozio. Foy traduzida em Castelhano em Outava rima por Francisco de Contreras com o nome de Nave Tragica de India de Portugal. Madrid. 1624. 4. Dedicado a Lopo de Vega Carpio.

Epilogo de Capitaens insignes Portuguezes M. S. Desta obra fazem mençaõ Brito Mon. Lusit. Part. 1 . liv. 2. cap. 15. e Macedo Flor. de Espan. cap. 14. excel. 2. e na Lusit. liber. Proaem. 1. §. 4. n. 11.

Elegia a huma Dama illustre natural de Evora. Parte desta obra está impressa na 1. Part. da Mon. Lusit. lib. 4. cap. 8.

Perdiçaõ delRey D. Sebastiaõ em Africa, e das calamidades, que se seguiraõ a este Reyno. M. S. Constava de varios Cantos.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]