D. IERONIMO CONTADOR DE ARGOTE Naceo em a deliciosa Villa de Collares do Patriarchado de Lisboa a 8 de Iulho de 1676. Foraõ seus Pays o Doutor Luiz Contador de Argote, que depois de ser Dezembargador na Relaçaõ do Porto, e na Caza da Suplicaçaõ se recolheo à Congregaçaõ do Oratorio desta Cidade onde no estado de Leygo acabou piamente a vida; e D. Maria Iosefa Lobo da Gama de igual nobreza à de seu consorte. Aprendeo os primeiros rudimentos em a Cidade do Porto, e os preceitos da lingua latina em o Collegio de S. Francisco Xavier da Parochia do Paraizo em Lisboa com os Padres Iesuitas Alvaro Machado, e Antonio Vieyra. Na tenra idade de doze annos, e meyo deixando a amavel companhia de seus Pays vestio a roupeta de Clerigo Regular Theatino em a Caza de N. Senhora da Divina Providencia desta Corte a 22 de Ianeiro de 1688. Aplicado aos estudos Escholasticos como fosse ornado de grande comprehensaõ sahio nelles taõ egregiamente instruido, que foy eleito para dictar Filosofia cuja incumbencia interromperaõ as diversas molestias, que o obrigaraõ por preceitos dos Medicos a mudar de clima, e ainda que assistio algum tempo na Provincia de Entre Douro, e Minho, naõ experimentando a melhora, que pertendia voltou para Lisboa no anno de 1715. Depois de alcançar perfeita intelligencia das linguas Latina, Grega, Franceza, e Italiana cultivou com particular disvelo a Historia Sagrada, e profana servindo-lhe de directoras a Chronologia, e Geografia para se instruir em os sucessos acontecidos desde o principio do mundo até o seu tempo reprovando com critica judiciosa tudo quanto julgava apocryfo, e seguindo sem a menor preocupaçaõ as opinioens mais solidas e verdadeiras. Ornado destes scientificos dotes se fez merecedor de ser alumno da Academia Portugueza instituida no Palacio do Excellentissimo Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes onde recitou em diversas conferencias doutissimos Discursos sobre as Fabulas introduzidas na Historia atribuindo-as à ignorancia, malicia, Poezia, e Pintura. Entre os primeiros sincoenta Academicos de que se formou a Academia Real da Historia Portugueza foy nomeado por Sua Magestade para escrever as Memorias Historicas do Arcebispado de Braga, argumento digno dos seus profundos estudos, o qual dezempenhou com admiraçaõ dos seus mesmos Collegas, e de todos os professores da Historia, de que saõ patentes testemunhas as multiplicadas produçoens, que tem publicado o seu fecundo talento cujo Cathalogo he o seguinte.

Dissertaçaõ da vinda de S. Tiago a Hespanha provada, e sustentada com a doutrina do Maximo Doutor S. Jeronimo. fol. Consta de 52 paginas. Sahio impressa na Collec. dos Docum. e Memor. da Acad. Real Portug. do anno de 1722. Lisboa por Paschoal da Sylva Impressor delRey. 1722. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada na Academia Real a 24 de Fevereiro de 1724. Sahio no Tom. 4. da Collec. dos Docum. e Mem. da dita Academia Lisboa por Paschoal da Sylva. 1724. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada no Paço a 7 de Setembro de 1725.

No Tom. 5. da Collec. dos Docum. da Academia. Lisboa pelo dito Impressor. 1725. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada na Academia a 22 de Agosto de 1726. No Tom. 6. da Collec. dos Docum. e Mem. da dita Acad. Lisboa por Iozeph Antonio da Sylva. 1726. fol.

Conta dos seus estudos na Academia a 4 de Janeiro de 1731. Sahio no Tom. II. da Collec. dos Docum. &c. Lisboa pelo dito Impressor. 1731. fol.

Conta dos seus estudos Academicos recitada no Paço a 25 de Outubro de 1732. No Tom. 11. da Colleçaõ dos Documentos &c. Lisboa pelo dito Impressor. 1732. fol.

De Antiquitatibus Conventùs Bracharaugustani libri quattuor vernaculo, latinoque sermone conscripti. Olysipone apud Josephum Antonium da Sylva 1728. fol. Sahio no Tom. 8. da Collec. dos Documentos, e Memor. da Academia Real, Secunda editio quinto libro locupletata. ibi Typis Sylvianis Regalis Academia. 1738. 4. grande.

Memorias para a Historia Ecclesiastica de Braga Primas das Espanhas. Tom. 1. que trata da Geografia do Arcebispado Primaz de Braga, e da Geografia antiga da Provincia Bracharense. Lisboa por Jozeph Antonio da Sylva Impressor da Academia. 1732. 4. grande com estampas. Desta obra faz memoria o addicionador da Bib. Geograf. de Antonio de Leaõ Tom. 3. pag. 615.

Memorias para a Historia Ecclesiastica de Braga Primas das Espanhas Tom. 2. comprehende a Geografia do Arcebispado Primaz de Braga, e a Geografia antiga da Provincia Bracarense. Ibi pelo dito Impressor. 1734. 4. grande.

Memorias para a Historia Ecclesiastica de Braga Primaz das Espanhas. Tom. 3. Lisboa na Officina Sylviana da Academia Real 1744. 4. grande.

Sermaõ da Payxaõ pregado no Convento de Nossa Senhora da Divina Providencia. Lisboa por Antonio Pedrozo Galraõ. 1717. 4. & ibi por Antonio Isidoro da Fonceca. 1735. 4. Com o nome do Padre Caetano Maldonado da Gama.

Regras da lingua Portugueza, espelho da lingua latina, ou disposiçaõ para facilitar o ensino da lingua latina pelas regras da Portugueza. Lisboa por Mathias Pereira da Sylva, e Ioaõ Antunes Pedrozo. 1721. 8. e mais acrecentada, e correcta. Lisboa na Officina da Musica. 1725. 8.

Vida, e milagres de Saõ Caetano Thiene Fundador dos Clerigos Regulares. Lisboa por Paschoal da Sylva Impressor de S. Magestade. 1722. 4. Sahio huma addiçaõ a esta obra pelo mesmo author. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonceca. 1743. 4.

Traduzio da lingua Italiana do Padre Iozè Gentil da Companhia de IESUS em a materna, e dedicou a Serenissima Princeza do Brazil.

Vida da Ven. Madre Rosa Maria Serio de Santo Antonio Carmelita da antigua observancia, e Priora do Mosteiro de S. Jozè de Fazano Baliado da Religiaõ na Provincia de Bari do Reyno de Napoles. Lisboa por Francisco da Sylva. 1744. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]