P. IERONIMO DE CASTILHO Naceo em Lisboa a 23 de Ianeiro de 1674 sendo filho de Antonio de Macedo, e D. Violante de Castilho descendentes de nobres familias. Na tenra idade de treze annos, e sinco mezes foy admitido à Companhia de IESUS, e nella procedeo com tal pureza de custumes que parece fora mais a ensinar, que a aprender virtudes. Sendo ainda antes de religioso insigne humanista novamente se aplicou às letras humanas em o Collegio de Coimbra, e fez taes progressos a viveza do seu engenho ou fosse metrificando, ou orando, que mereceo as honorificas antonomasias de Virgilio, e Cicero Portuguez. Estudada Filosofia em Coimbra ensinou no Collegio de Santo Antaõ de Lisboa sinco annos Humanidades de cujos preceitos sahiraõ discipulos, que foraõ Mestres. Foy mandado estudar Theologia no Collegio Romano onde com igual aplauzo do seu talento, e da Naçaõ Portugueza defendeo conclusoens Magnas mostrando tanta profundidade naquella sublime Faculdade, que o Reverendissimo Vigario Geral da Companhia Miguel Angelo Tamburino intentou perfilhallo em a Provincia Romana. Restituido a Portugal leu Rhetorica em Coimbra aos seus Collegas, e depois Filosofia. Em a Universidade de Evora regentou a Cadeira de Sagrada Escritura em que dictou o seu David Penitente que deixou imperfeito. Assistio como Confessor, e director dos estudos do Senhor D. Ioze filho do augustissimo Monarcha D. Pedro II. hoje dignissimo Arcebispo Primaz de Braga, cuja incumbencia largou por cauzas urgentes. Como era muito perito na pureza do idioma latino foy eleito entre os sincoenta primeiros Academicos de que se formou a Academia Real da Historia Portugueza em o anno de 1721. para escrever as Memorias do Bispado de Coimbra. Segunda vez partio a Roma com o lugar de Confessor do Emminentissimo Cardial Iozé Pereira de Lacerda quando por morte de Innocencio XIII. hia votar na eleiçaõ do futuro Pontifice, e achou naquella Corte taõ firmes as memorias da estimaçaõ para com a sua pessoa, que pudera o agradecimento para os estranhos disputar com a fidelidade dos naturaes. Depois de voltar para a Patria exercitou o seu talento no ministerio do pulpito em que fazia esquecer pela ventagem, e lembrar pela imitaçaõ os mayores Oradores que lhe precederaõ. Assaltado de huma febre maligna, que se fez invencivel a todos os remedios da Arte conservou entre violentas operaçoens aquella tranquilidade de espirito, de que fora ornado atè que rendida a natureza entregou placidamente a alma nas maõs do seu Criador a 6 de Mayo de 1730 em o Collegio de S. Antaõ quando contava 56 annos tres mezes, e treze dias de idade. A Oraçaõ Latina que na Universidade de Coimbra recitou em aplauzo de S. Izabel Rainha de Portugal mereceo as aclamaçoens de todos os Cathedraticos pela pureza da latinidade, delicadeza de conceitos, e novidade da idea. Deixou excellentes Poezias Latinas, e Sermoens varios dignos da luz publica, e unicamente a logrou.

Epaenotaphion Encomiasticum R. admodum P. Antonii Vieyrae Societ. Jes. Lisboa por Miguel Rodrigues Impressor do Senhor Patriarcha. 1736. 4. Sahio a pag. 249. do livro intitulado Vozes saudozas da Eloquencia que publicou o P. Andre de Barros da Companhia de IESUS. O epitafio he composto em estilo lapidario com elegancia, e subtileza.

Conta dos seus estudos Academicos no Paço a 22 de Outubro de 1729. Sahio no Tom. 9. da Colleç. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa por Iozé Antonio da Silva 1729. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]