P. IACOME GONÇALVES Bramane natural da Ilha de Divar em Goa Capital do Imperio Portuguez Asiatico, filho de Thomaz Gonzalves, e Mariana de Abreu. Estudou a lingua Latina, e Humanidades no Collegio dos Padres Jesuitas de Goa em que sahio muito perito. Sendo Diacono naõ obstantes as repugnancias de seus Pays movido de superior impulso recebeo no anno de 1700. a roupeta de S. Filippe Neri em a Congregaçaõ do Oratorio de Santa Cruz dos milagres de Goa. Ao tempo, que estava para ler o curso de Artes aos seus domesticos foy mandado no anno de 1705. para a Missaõ de Ceylaõ onde pelo espaço de trinta, e tres annos exercitou o ministerio apostolico com tanto zelo, que a mayor parte da Christandade, que florece naquella Ilha, foy fruto da sua evangelica cultura chegando somente o Reyno de Jafana hum dos sete, e o mais pequeno de Ceylaõ a contar desaseis mil almas de confissaõ. Para frutificar taõ vasta sementeira naõ perdoava o seu incansavel disvelo a genero algum de trabalho pois assim com a voz, como com a penna confundia Gentios, refutava Hereges, e gerava filhos para Christo. Na prezença delRey de Candea convenceo hereges Calvenistas, que semeavaõ os seus erros com damno dos Catholicos, de cuja disputa mandou este Principe, que sahissem logo do seu Reyno. Tal era a veneraçaõ, que lhe tinha o mesmo Monarcha, que naõ resolvia negocio algum sem primeiro ser consultado devendo-se à prudencia do seu juizo a pacihcaçaõ celebrada entre o dito Rey, e os Holandezes. Na caza que os Missionarios Congregados tem em Putelaõ introduzio huma forma de vida commum observada na Igreja primitiva. Attenuado com tantos trabalhos contrahio huma tysica que o teve muitos mezes de cama, e conhecendo a gravidade da doença, renunciou o governo da Missaõ em o Padre Martinho Xavier mandado de Goa, e posto que estava agonizando tal foy a alegria, que concebeo o seu espirito com a chegada de seu sucessor, que se levantou da cama para cantar na Igreja o Te Deum Laudamus pela feliz viagem, e boa vinda do P. Xavier. Recebidos os Sacramentos com muita ternura falleceo piamente a 17 de Julho de 1742. na Igreja do Baluarte de q fora Fundador. Foy sepultado a 19 por causa do immenso concurso, que veyo a venerar o seu Cadaver. Compoz grande numero de livros nas linguas Chingala, Tamul, e Portugueza dos quais fez grande despeza nos treslados para que multiplicados, por falta de impressaõ, se espalhassem por terras taõ dilatadas cujos titulos saõ os seguintes.

Cathecismo breve sobre os principaes Mysterios da Fé, Novissimos,Sacramentos com tudo, o que o Christaõ deve saber. Confessionario com declaraçaõ dos peccados, que cada Mandamento inclue. Explicaçaõ das Cerimonas da Missa; huma para os Domingos onde há  Missa; outra breve para quando o Sacerdote diz Missa para explicar ao povo, e outra segundo a ordem da Payxaõ para Quaresma com preparaçaõ, e graças para antes, e depois da Comunhaõ. &c. Composto no anno de 1715. 4.

Chronica da Historia Sagrada em que contem as principaes cousas do Testamento novo, e velho com refutaçaõ do Gentilismo por ordem das sete Idades do mundo. &c. fol. 2. Tom. em o anno de 1725.

Resumo da sobredita Chronica em Dialogo. 4.

Explicaçaõ dos Evangelhos Dominicaes, e Festivaes com exhortaçoens em o anno de 1730. 4.

Sermoens da Payxaõ de nove Passos. 4.

Vida dos Santos. 4. em o anno de 1735.

Itinerario de Milagres. 4. em o anno de 1732.

Espelho de Virtudes em que se explica o modo da Oraçaõ mental, desprezo do mundo, pobreza, humildade, Paciencia, Castidade, e outras virtudes principaes mostrando os fundamentos, e excellencias de cada hnma com vicios contrarios. 4.

Juizo de Deos em que se mostra a terribilidade de fenecer o mundo, ressurreiçaõ dos mortos, acuzaçaõ de todas as criaturas, e miudeza do juizo primeiro em geral pela ley, e exemplos dos Santos, e obras de cada hum; segundo em particular aos infieis. Terceiro em particular aos hereges; quarto em particular aos Christãos pelos beneficios geraes, e particulares. &c. 4.

Medecina para cegueira dos Gentios em que por modo de Dialogo argumentando hum Sacerdote com hum gentio sabio o alumea das dez ignorancias, ou dez cegueiras gentilicas que procedem de naõ conhecer a Deos. &c. 4.

Principios por onde se mostra a origem da ley de Budù, e em que terras corre a sua variaçaõ, e extinçaõ com impossibilidade de se observar. Foy composto este livro à instancia delRey de Candea, que com a sua liçaõ se desenganou da falsidade daquella feyta. Escrito no anno de 1733.

Medecina espiritual dos infermos em que se dá remedio a todas as infermidades dos homens, animaes, e as que vem do demonio, e para bichos de Searas com palavras da Igreja, e de Santos contra as Cerimonias, e superstiçoens gentilicas. 4.

Creaçaõ do mundo até a Resurreiçaõ universal descrita em Versos. 4. No anno de 1725.

Cançoens para todas as Festas de Christo, Senhora, e Apostolos, e para os dias de Sabbado, e Domingo. 8. Escrito no anno de 1730.

Vocabulario Chingala Lusitano no anno de 1730. 4.

Vocabulario Lusitano Chingala. 4.

Vocabulario Lusitano Tamulsio, e Chingala com a declaraçaõ das frazes Chingalas 4.

Eschola Christãa. 4.

Controversia em Dialogo contra Reformados. 4.

Igreja Catholica, e Reformada mostrada por duas partes com declaraçaõ das cauzas, e modos porque se fez a reformaçaõ. 8.

Origem, e refutaçaõ da Seita dos Mouros. 8.

Refutaçaõ do Gentilismo breve, e eficaz. 8.

Refutaçaõ das quatro Seytas Paganismo, Mourismo, Judaismo, e Calvenismo. 4.

Diccionario breve de palavras selectas, e deficeis da Coronica, e Evangelhos. 8.

Alivio da Conciencia na Missaõ. 8.

Demonstraçaõ da Igreja Catholica por sete Notas. 4. Este foy mandado a Portugal em o anno de 1720. para se imprimir.

Controversia breve, e eficaz acomoodada para os Calvenistas de Ceylaõ.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]