IAYME DE MORAES natural de Villaviçosa filho de Doutor Fernando de Moraes, e neto do Doutor Ioaõ Affonso de Moraes. Como estivesse instruido nas letras humanas se aplicou em as Universidades de Salamanca, e Coimbra à Iurisprudencia Canonica, e taes foraõ os progressos, que o seu penetrante engenho fez nesta Faculdade, que depois de levar por opposiçaõ em a Academia Conimbricense huma Cathedrilha a 8 de Iulho de 1553. regentou a Cadeira de Sexto de que tomou posse a 6 de Iunho de 1556. donde passou à de Vespora em 31 de Outubro de 1560. e ultimamente à de Prima a 7 de Dezembro de 1565. Foy Conego Doutoral de Residencia em a Cathedral de Coimbra provido a 9 de Agosto de 1577. Defendeo douta, e acerrimamente o heriditario direito à Coroa de Portugal que tinha a Senhora D. Catherina Duqueza de Bragança compondo. Allegaçaõ de Direito pela Senhora D. Catherina. Desta obra faz elle huma Atestaçaõ, no fim das Allegaçoens de Direito, que se offereceraõ ao muito alto, e poderoso Rey D. Henrique na cauza da Sucessaõ destes Reynos por parte da Senhora D. Catherina sua sobrinha filha do Infante D. Duarte seu irmaõ a 22 de Outubro de 1579. Almeirim por Antonio Ribeiro, e Francisco Correa a 27 de Fevereiro de 1580. donde a p. 126. v.° está a seguinte atestaçaõ de Doutor Iayme de Moraes. Qua potui diligentia perscrutatus sum dubia omnia, quae circa propositam quaestionem occurrere possunt, &tandem conclusi meliorem esse causam dominae Catharinae, quae reliquis omnibus de sucessione contendentibus praeferri debet, & in Scripsi in favorem dictae Dominae Catharinae postquam invictissimus Rex noster Henricus causam inchoari jussit volens, ut cuicumque ex hisque de sucessione contendunt quaesiti possemus de jure respondere: in cujus rei fidem haec scripsi, & subscripsi. Iaimes de Moraes. Esta atestaçaõ se lé a pag. 48. do Jus succedendi in Lusit. Regn. Dominae Catherinae. Parisiis apud Sebastianum Cramoisy. 1641. Ao tempo que era Prior da Parochial Igreja de N. Senhora da Villa de Podentes distante tres legoas de Coimbra foy assaltada a sua caza pelos sequazes do Senhor D. Antonio Prior do Crato, e no violento despojo, que fizeraõ das alfayas se perderaõ com grave detrimento da Republica literaria as suas doutissimas obras juridicas que estava limando para as imprimir, como escreve seu sobrinho Francisco de Moraes Sardinha Parnas. de Villaviç. liv. 2. cap. 52.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]