O PEN Clube Português recuperou, com a direcção eleita em Fevereiro de 2019, a sua matriz. Integrado no PEN Internacional – «a maior e a mais importante organização mundial de escritores empenhada na defesa da liberdade de expressão, bem como de direitos e valores humanistas», como se lê na Carta fundadora –, propõe-se celebrar a criação literária dos seus membros, em intercâmbio com os 145 centros PEN e intervindo nos quatro comités da instituição: Mulheres Escritoras, Tradução e Direitos Linguísticos, Escritores para a Paz, Escritores na Prisão.

A nova dinâmica, em debate nas redes sociais e em manifestações públicas – caso de um ciclo de Leituras Públicas, na Livraria Ferin, estreado em 30 de Maio e com segunda edição em 26 de Setembro –, conserva do passado a atribuição de quatro prémios literários patrocinados pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, mas não os comportamentos, processos e métodos que afastaram muitos.

O PEN deixou de ser um clube de uma pessoa só e de jantares, como alguns concluíram. As decisões são, agora, colegiais, num máximo de seis anos correspondendo a dois mandatos dos órgãos sociais. Quando perfaz 40 anos de existência em Portugal, a descentralização é efectiva, até às regiões autónomas. Se vícios houve, e erros mais penalizadores da instituição, olhá-los de frente, corrigindo-os, foi já trabalho, silencioso, da actual direcção, enquanto recuperava nomes antigos e acarinhava a entrada de novos membros.

Em 2021, quando o PEN Internacional celebrar o centenário, ter-se-á, assim, uma presença digna do PEN Clube Português. Ernesto Rodrigues