FRANCISCO DE SOUZA DE ALMADA naceo a 3. de Outubro de 1676. Em huma Quinta de seus Pays Joaõ de Souza da Sylva Escrivaõ Proprietario da Chancellaria da Casa de Aveiro, e D. Violante de Noronha, e Almada, a qual està situada na Freguezia de Santa Maria Magdalena de Aldeagavinha da Merciana Termo da Villa de Alenquer do Patriarchado de Lisboa. Entre os estudos severos, que frequentou em Universidade de Coimbra sempre conservou innocente cõmercio com as Musas compondo Versos de todo o genero nas linguas Latina, Portugueza, e Castelhana, que mereceo applausos em diversas Academias principalmente em a dos Aplicados que teve seu principio no anno de 1722. devendo-se à sua judiciosa direçaõ o Certame Poetico Eucharistico, que se fez no Convento de Nossa Senhora da Graça dos Eremitas de Santo Agostinho desta Corte em 29. de Junho, e 4. De Julho de 1724. para o qual concorreraõ as Poesias mais elegantes deste Reyno, e de Castella ambiciosas de alcançar o premio prometido. Naõ he menos estimavel o seu talento na Poesia Comica assim profana como sagrada, e ainda na Jocoseria, que nunca degenera em pueril. Tem publicado as obras seguintes

In laudem eximii viri, praeclarissimique Doctoris D. Raphaelis Bluteauii superVocabulario locupletissimo quod in Lusitanorum utilitatem totiusque Orbis miraculum immenso cum studio ac laboris dispendio elaboravit Elogium. He de obra lapidaria. No fim. Labyrinthus Poeticus circumcirca nomen Auctoris concludens, quod maiusculum B. demonstrat. Sahio no principio do Tom. 3. Do Vocabulario Portuguez, e Latino. Coimbra no Real Collegio das Artes da Companhia de JESUS 1713. fol.

Ramilhete Apollineo de varias flores em nove assumptos descubertos no Nacimento do Serenissimo Principe o Senhor D. Jozè. Lisboa por Antonio Pedrozo Galraõ. 1714. 4.

El Triumfo por la discreta. Comedia. Lisboa por Mathias Pereira da Sylva, e Joaõ Antunes Pedrozo. 1719. 4.

Relaçaõ do Certame Poetico Eucharistico, que celebraraõ os Academicos Aplicados no Convento de N. Senhora da Graça nas duas tardes de 29. de Junho, e 4. de Julho do anno de 1724. Lisboa por Pedro Ferreira. 1724. 4.

Suspiros na perda, e alivios na saudade, que esprime a alma pelos actos de suas tres Potencias na morte da Serenissima Senhora D. Francisca Infanta de Portugal divididos em duas Partes. Na primeira se expoem os suspiros, e os alivios na segunda. Lisboa por Antonio Isidoro da Fonseca. 1736. 4.

Thalia Sacra, ou Loas Sacras Litteraes, e Allegoricas de varios Mysterios de Christo N. Senhor, de sua Mãy Santissima, e das Excellencias de alguns Santos. Lisboa na Officina Rita-Cassiana. 1736. 4.

Discurso problematico Jocoserio sobre qual he mais poderosa para atrahir o coraçaõ humano, se a Musica, se a Eloquencia. Lisboa por Miguel Rodrigues Impressor do Senhor Patriarcha. 1736. 4. Sahio com o afectado nome de Affonso Gil da Fonseca.

Dous Sonetos á morte da Serenissima Senhora Infanta D. Francisca. Sahiraõ nos Sentim. Metric. Colleçaõ 4. a pag. 6. Lisboa por Miguel Rodrigues. 1736. 4.

Satyra moral contra os vicios em commum. Lisboa por Miguel Rodrigues 1736 . 4. Sahio com o nome de Franco de Assis Amado, e Luca puro anagrama do seu nome

Critica moral contra os vicios em comum. Parte segunda. Lisboa por Manoel Fernandes da Costa Impressor do Santo Officio.1737. 4.

Thalia Sacra, ou Dramas Sacros de varios Mysterios de Christo Senhor Nosso, da Virgem Santissima, e de alguns Santos em estilo metrico, Allegorico, e Mystico. Lisboa na Officina do Doutor Manoel Alvares Solano do Valle. 1740. 8.

Quatro Sonetos em applauso do Excellentissimo, e Reverendissimo Bispo do Porto D. Fr. Jozè Maria da Fonseca, e Évora. Sahiraõ na Colleçaõ de Applausos com que a Cidade de Lisboa celebrou a chegada deste Prelado. Lisboa na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real 1742. 4. desde pag. 107. atè 110.

Dous Sonetos á morte do Excellentissimo Conde da Ericeira D. Francisco Xavier de Menezes. Sahiraõ no Obsequio Funebre á saudosa memoria do dito Conde. Lisboa por Jozè da Sylva da Natividade. 1744. 4.

 

OBRAS M. S.

Epigrammata varia in quinque libros distributa. Consta de 722. Epigrammas a todos os generos de assumptos com tres differenças de Obras Metametricas, que clausulaõ cada hum dos cinco livros §. Enneaticos Applausos, Encomios Poeticos, que em nove Assumptos com toda a variedade Metrica se offerecem, dedicaõ, e tributaõ ao Excellentissimo Senhor D. Gabriel de Lancastro, setimo Duque de Aveiro, e nono Duque no Estado. Coroa-se a obra com hum Canto Heroico da fundaçaõ da Casa de Aveiro. Esta Obra consta de nove Assumptos, desde que o Duque sahio de Castella atè que se lhe confirmou a sentença, e cada Assumpto consta de nove Metros, com esta ordem, que os tres primeiros, que saõ dous Epigrammas Latinos, e hum Soneto, e os tres ultimos, que saõ dous Sonetos, o primeiro de artificio, o segundo em Labyrintho, e o terceiro em Labyrintho Latino, sempre saõ constantes. E os outros metros, que saõ os tres intermedios sempre saõ varios, de tal sorte, que em toda a Obra nestes intermedios se  naõ repete hum mesmo genero de Poesia, mas sempre vaõ varios. Obra muito laboriosa; cujos Sonetos de Labyrinthos vulgares, e Labyrinthos Latinos tem tantas, e taõ varias transmutaçoens, que pela Arithmetica combinatoria se multiplicaõ em muitas centenas, e milhares de contos. O que se mostra na explicaçaõ das Obras Metametricas, que se faz largamente no principio com toda a exacta, e evidente demonstraçaõ. No quinto Assumpto està hum Soneto Mudo por figuras, a que chamaõ Gryphos. Todos os metros saõ alternados na lingoa Portugueza, e Castelhana, porque o seu objecto he Castelhano pelo Pay, e Portuguez pela Mãy. fol.

Jardim Apollineo, versos sacros, e humanos. em 4.

Passatempo Academico, ou Missellaneas de varias Obras Prozas, e Versos, Obras Latinas, Castelhanas, e Portuguezas. em 4.

Floresta Portugueza, Apotegmas de Authores Portuguezes com varias addiçoens do Author.

Norte Christaõ, e Politico em dez Centurias de Dictames Moraes, Politicos, e Christãos. em 4.

Arte de Prègar construida e fundada pelos exemplos, sentenças, e documentos do Sol dos Prègadores o grande P. Antonio Vieira: em que se descobre todo o artefacto desta nobilissima Arte, para se comporem perfeitamente todos os generos de Sermoens, moftrado tudo nos seus mesmos Discursos. fol.

Apotegmas do mesmo P. Vieira, moralizados, e elucidados. em 4.

Mundo exterior, ou interior, ou Mundo visto por dentro, e por fóra. em 4.

Espelho visivel, e corporeo, da Alma incorporea, e invisivel.

Triumphus Immaculatae Conceptionis. Obra em Verso, e Prosa. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]