FRANCISCO DE SOUZA COUTINHO naceo na Ilha de S. Miguel onde teve por Pays a Gonçalo Vaz Coutinho Cõmendador de Santa Maria de farinha podre, Governador da Ilha de S. Miguel, e a D. Jeronyma de Moraes filha de Sebastiaõ de Moraes Thesoureiro mòr do Reyno, e por Tio paterno a Fr. Luiz de Souza claro esplendor da Ordem Dominicana chamado no Seculo Manoel de Souza Coutinho. Instruido na primeira idade com a noticia das letras humanas, e preceitos da Poesia, que cultivou com igual elegancia, que facilidade se dedicou em annos mais maduros à liçaõ da Historia sendo versado em todos os idiomas, e erudito em varias faculdades. O seu profundo talento, grande capacidade, e summa prudencia o constituhiraõ hum dos mais celebres Politicos, que respeitou a sua idade tendo por theatros das suas negociaçoens as Cortes de Suecia, Dinamarca, Olanda, França, e Roma onde com o caracter de Embaxador da Magestade delRey D. Joaõ o IV. representou a justiça do seu Soberano novamente elevado ao trono de Portugal, triunfando com artificiosa sagacidade das cavillaçoens dos Olandezes, e concluindo Tratados de que resultou igual gloria, que conservaçaõ a esta Monarchia, em cujo ministerio consumio o largo espaço de quinze annos. Foy Cõmendador de Santa Maria de farinha podre, Alcayde mòr de Souzel, Conselheiro de Estado, e nomeado Governador do Brazil. Cazou em Madrid com D. Maria de Aguila, e Heredia filha de Francisco Gonçalves del Aguila, e de D. Sabina de Heredia de quem teve a D. Joanna Thereza Coutinho, que cazou com D. Diogo Fernandes de Almeida Alcayde mòr de Santarem, Golegãa, e Almeirim Cõmendador de Santo Andre de Villa-Boa de Quires, de quem naõ teve filhos. Falleceo em Lisboa a 22. de Junho de 1660. E jaz sepultado no Convento da Santissima Trindade. O seu nome celebraõ diversos Escritores. Fr. Francisco de Santo Agostinho Macedo Philip. Portug. pag. 197. En quien compite la sangre con el valor, la prudencia con la cortezia, & in Propugn. Lusit. Gall. p. 198. D. Francisco Manoel Carta dos AA. Portug. taõ luzido Escritor, como grave Ministro Joan. Soar. de Brit. Theatr. Lusit. lit. F. n. 74. le Clede Hist. Gen. de Portug. Tom. 2. pag. mihi 434. até 448. 532. 560. 571. 593. Menezes Portug. Rest. Tom. 1. pag. 158. 161. 191. 440. 640. 734. 754. e 885. e Fr. Joan. Giusep. di S. Theres. Istoria del Brasile. Part. 2. pag. 51. e 52. 127. e 162. E seguinte. Publicou o seguinte Manifesto pela liberdade do Senhor Infante D. Duarte apresentado na Dieta de Ratisbona, ao qual chama eloquente, e bem fundado D. Luiz de Menezes Portug. Restaurad. Tom. 1. pag. 191. e sahio com este titulo

Propositio facta Celsis praepotentibus Dominis Ordinis generalibus cõfaederatarum Provinciarum Belgii in consessu publico 16. Augusti 1641. Holmiae 1641. 4. Sahio segunda vez impresso na Hist. di Portugallo composta pelo Doutor Joaõ Bautista Birago liv. 5. pag. mihi 400. até 405. Foy vertido em Portuguez, e impresso em Lisboa por Jorge Rodrigues. 1641. 4. com este titulo

Manifesto, e protestaçaõ feita por Francisco de Souza Coutinho Cõmendador da Ordem de Christo, Alcaide mòr da Villa de Souzel, e do Conselho delRey D. Joaõ o IV. e seu Embaxador às partes Septentrionaes, e Enviado à Dieta de Ratisbona sobre a injusta retençaõ, e liberdade, que requere do Serenissimo Infante D. Duarte Irmaõ do dito Senhor.

Engaños y desengaños de la vida. Sylva moral dedicada a la Señora Luiza Ponce de Leon Dama de la Serenissima Reyna de Portugal. 4. Naõ tem o nome do Author, nem do Impressor, e lugar da ediçaõ mas do caracter se conhece ser feita em Pariz, ou Olanda.

Memorias Historicas das suas Embaxadas. M. S. às quaes chama celebres D. Francisco Manoel de Mello Cart. dos AA. Portuguezes escrita ao Doutor Themudo.

Carta em Verso escrita a D. Francisco Manoel de Mello à qual respondeo com este discreto Soneto que he o 18. da Tuba de Calliope das Obras Metricas.

Senhor a vossa carta he jà de guia

Para mi que perdido ando vivendo

Mais me cativa quando a vou mais lendo

Naõ tem geito de ser a d’alforria.

Serà de marcar á fantezia

Que sem rumos tambem se vay perdendo.

He tudo, mas he mais segundo entendo

A da examinaçaõ da Poesia.

Ouço Plataõ em termos eloquentes

Homero escuto em Versos inauditos

Chore Grecia as Athenas, e as Espartas;

Vivaõ vossos escritos sobre as gentes,

Que emfim quem conhecer vossos escritos

Naõ pòde esperar menos, que estas cartas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]