FRANCISCO RODRIGUES LOBO natural da Cidade de Leiria, onde teve por progenitores a Andrè Lazaro Lobo, e D. Joanna de Brito Gaviaõ igualmente nobres, e opulentos. Foy hum dos mais canoros Cisnes do Parnaso Portuguez, entre os quaes se distinguio com ventagem conhecida em a metrificaçaõ das Eglogas em que a sua Musa representou taõ naturalmente a candura pastoril, que parece se estaõ ouvindo as vozes dos rusticos, e vendo a fertil amenidade dos campos, como a diafana corrente dos rios. A sua vasta erudiçaõ aprendida nas escolas, e nos livros lhe eternizaraõ o nome em a posteridade, ou fosse discorrendo como experimentado Politico, ou doutrinando como Filosofo Moral. Merecendo administrar os lugares mais honorificos para que o habilitavaõ a nobreza do nacimento, e profundidade do talento, sempre viveo retirado da Corte, como quem conhecia ser o seu clima pouco favoravel aos cultores das sciencias. Ao tempo que passava de Santarem para Lisboa embarcado perdeo a vida naufragãte em o Tejo digna certamente de fim mais glorioso, cujo cadaver sahindo à praya, foy honorificamente sepultado na Capella das Queimadas situada no Claustro de S. Francisco da Cidade. Hum discreto engenho lhe poz o seguinte Epitafio neste Apostrophe ao Tejo

Si piedoso supiste e enternecerte

Ó Tajo de Loreno al canto triste,

Quando en tus aguas perecer le viste

Como nò te movio su amarga suerte?

Si en gratificacion de ennoblecerte

Pomposa tumba de cristal le diste;

Quanto en su vida celebre viviste

Vivirás infamado por su muerte.

A quien en sus escritos te dilata

Vida gloriosa tu el vivir limitas;

Infame vive quien ingrato mata:

Mas nobre buelvas lo que infausto quitas

Que son tus olas laminas de prata

Dò sus memorias viviran escritas.

Os mais celebres Poetas exaltaraõ com elegantes elogios o seu nome, como saõ Lopo da Vega Carpio Lavrel de Apolo. Sylv. 3.

Yà Lobo que defiende

A corderillos nuevos

Que presumen de Febos

La entrada del Parnaso,

Y con razon pues tiene al primer passo

Y en las Riberas del ameno Rio

Aquellas dos floridas Primaveras

Que nunca las podrà vencer Estio, &c.

Manoel de Faria, e Souza Fuente de Aganip. Part. 2. Poem. 3. Estanc. 60.

Entre rebaños de torcidos cuernos

Las humildes y rusticas avenas

Suenen con propriedad, que el Pindo estima

Lobo en el Lis, Bernardes en el Lima.

Antonio Figueira Duraõ Laur. Parnas. Ram. 2.

Hunc urbana Lupum decoras facundia tantum,

Tantusque aspergit singula verba lepos

Ut si ipsos superos audiret musa canentes

Istius alloquium crederet esse Lupi.

E mais abaixo

Non illam essigiem taciturna silentia laudent

Quando quidem de me tantum Francisce mereris

Quamquàm alii melius lacrymantia dysticha fundant

Dulcius arma, viros, atque borrida praelia cantent

Tu fari urbano eloquio Francisce memento

Indicat ecce tuos inscriptio docta lepores.

  1. Ant. dos Reys Enthus. Poet. n. 7.

Tuque Lupe insontum quondam celebrator amorum

Quà tenues rivi Lis, Lenaque flumina ducunt

Laurea pro meritis ab Appolline serta tulisti.

Naõ saõ menores os applausos dos Escritores com que celebraraõ a sua memoria. Lourenço Gracian Criticon Part. 3. Crise 12. Este si, que será eterno y mostrò un libro pequeño, miradle y leedle que es la Corte en Aldea del Portuguez Lobo. Macedo Flor. de Espan. cap. 8. Excel. 7. En todas sus obras mostrò muca habilidad. e cap. 22. excel. 6. En la brandura de las Eglogas Francisco Rodrigues Lobo. Faria, e Souza Vida de Camoens impressa no principio do Coment. Das Lusiad. §. 24. Poeta natural, y dulze se hizo entrada en el Parnaso no aviendo escrito pocos Versos mayores con los pequeños y singularmente las Eglogas dignas de toda estima. e na 4. part. da Fuent. de Aganip. Disc. das Eglog. n. 15 . Escriviò muchas Eglogas … y en aquel modo rustico es el mejor de España. e n. 17. Llegando a la propriedad con que deven hablar personas del Campo Theocrito es superior, y con ventaja Francisco Rodrigues Lobo Joan. Soar. de Brito Theat. Lusit. Litter. lit. F. n. 65. Populari eloquentia, facilitateque in carminibus Lusitanis pangendis multò commendatior. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 357. col. 2. amaeno ingenio vir, & Musarum operi quasi natus. D. Francisco Manoel Cart. dos AA. Portug. de veya abundante, e felicissima. Fr. Manoel da Esperança Hist. Seraf. da Prov. de Portug. Part. 1. liv. 2. cap. 23. §. 3. Morreo afogado no Tejo depois de aver bebido na fonte das Musas o espirito poetico. Compoz

Corte na Aldeya, e noutes de inverno. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1630. 4. Foy traduzida em Castelhano por Joaõ Bautista Morales. Montilla. 1632. 8.

Primavera, primeira Parte. Lisboa por Jorge Rodrigues. 1601. 4. Dedicada a D. Juliana de Lara Condeça de Odemira, & ibi por Antonio Alvares 1619. 4. & ibi por Lourenço Craesbeeck. 1633. 16. & ibi por Pedro Craesbeeck. 1635. 32. & ibi por Antonio Alvares. 1650. 8. Foy traduzida em Castelhano por Joaõ Bautista Morales. Montilla 1629. 8.

Pastor Peregrino segunda Parte da Primavera. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1608. 4. & ibi por Antonio Alvares 1618. 4. e 1651. 8.

O Desenganado. Terceira Parte da Primavera. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1614. 4.

O Condestabre de Portugal D. Nuno Alvares Pereira. Offerecido ao Duque D. Theodosio segundo deste nome Duque de Bragança, e de Barcellos. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1610. 4. & ibi por Jorge Rodrigues 1627. 4.  Poema heroico que consta de 20. cantos.

Eglogas pastoris. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1605. 4. 244

Romances primeira, e segunda Parte. Coimbra por Antonio Barreira. 1596. 16. e Lisboa por Manoel da Sylva. 1654. 8.

La Jornada que la Magestad Catholica delRey Felippe Tercero hizo al Reyno de Portugal y el triunfo y pompa con que le recebiò la insigne Ciudad de Lisboa compuesta en varios Romances. Lisboa por Pedro Crasbeeck. 1623. 4.

Todas estas obras sahiraõ correctas, e reimpressas em hum grande Volume de folha. Lisboa na Officina Ferreiriana. 1723.

Canto Elegiaco ao lamentavel successo do Santissimo Sacramento que faltou na Sè do Porto. Lisboa por Antonio Alvares. 1614. 8.

Auto del Nacimiento de Christo, y Edicto del Emperador Augusto Cesar. Lisboa por Domingos Carneiro. 1676. 4.

Historia da Arvore Triste. Consta de 96. Outavas. Sahio no principio do Tom. 4. da Feniz Renacida, ou Obras Poeticas dos melhores engenhos Portugueses. Lisboa por Mathias Pereira da Sylva, e Joaõ Antunes Pedrozo. 1721. 8.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]