FRANCISCO COELHO natural da Cidade de Viseu, filho de Joaõ Coelho, e Catherina Lourenço de Andrade, Licenciado na faculdade de Direito Canonico, e famoso Letrado, o qual sendo Dezembargador dos Aggravos o mandou ler a Cadeira de Prima de Canones ElRey D. Joaõ o III. em quanto naõ chegava de Espanha o Doutor Martim Aspilcueta Navarro, a cuja leitura deu principio em 2. De Mayo de 1537. e por ordem do mesmo Principe exercitou o lugar de Vice-Reytor da Universidade a 29. de Mayo de 1538. Acabado este magisterio, passou a Lisboa continuar no ministerio de Dezembargador, e de Promotor do Santo Officio, de que tomou posse a 18. de Agosto de 1540. Foy Cõmendador da Ordem de S. Tiago, e percebia metade dos frutos, que rendia a Igreja de Castro Dayro, Chanceller do Mestrado da mesma Ordem, e Dezembargador do Paço. Em todos os lugares, que servio sempre foy muito observante da justiça com tanta inteireza, e liberdade, que reparando D. Joaõ o III. faltar em huma Consulta o Voto de hum Ministro de quem se fiava, e mandando que votasse elle, respondeo. Senhor os Ministros, que servimos a V.A. no cargo que eu ocupo o fazemos com toda a verdade, amor, e zelo do serviço de V.A. parece o naõ entende assim V.A. pois se naõ se satisfaz se naõ com o voto de N. elle pode bastar a V.A. que eu me vou para huma quinta que tenho. Atendendo a Rainha D. Catherina aos seus merecimentos o nomeou Chanceller mòr por morte de Gaspar de Carvalho em o anno de 1558. cuja nomeaçaõ naõ teve effeito por nelle fallecer. Foy cazado com D. Anna do Olival de quem procedem os Napoles, e Loureiros de Viseu. Por ordem delRey D. Joaõ o III. Compoz

Annotaçoens ás Ordenaçoens do Reyno contrarias á jurisdição, e liberdade Ecclesiastica. Obra igualmente douta que laboriosa dividida em 3. partes, que se conserva no Archivo Real. A 3. parte verteu em Latim Idibus Januarii 1600. Luiz da Sylva de Brito por insinuaçaõ do Arcebispo de Evora D. Theotonio de Bragança.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]