D. FRANCISCO DE CASTRO teve por berço a Cidade de Lisboa, e por Progenitores a D. Alvaro de Castro Senhor de Penedono Cõmendador da Redinha da Ordem de Christo, do Conselho de Estado d’elRey D. Sebastiaõ, seu Vedor da Fazenda, e Embaxador a Roma, e Saboya, e a D. Anna de Attayde filha de D. Luiz de Castro Senhor da Caza de Monsanto. Depois de se instruir na Caza paterna com as primeiras letras em que mostrou igual viveza de engenho à felicidade da memoria se aplicou ao estudo da Sagrada Theologia em a Universidade de Coimbra em cuja faculdade sendo laureado com as insignias Doutoraes foy admitido ao Collegio de S. Pedro a 11. de Mayo de I597. Nesta Cidade que foy o theatro da sua litteratura o foy tambem da sua capacidade no lugar de Deaõ da Cathedral, e de Reytor da Universidade donde passou a Presidente da Meza da Consciencia. A integridade dos costumes unida com a rectidaõ da justiça o elevaraõ aos honorificos lugares de Bispo da Guarda, Inquilidor Geral, e Conselheiro de Estado onde deu claros argumentos da Charidade pastoral, ardente zelo da Religiaõ, e vigilante providencia da Monarchia. A fidelidade que sempre observou incorrupta para com o seu Principe foy rigorosamente examinada pela malevolencia de seus emulos dos quaes sahio triunfante a 5. de Fevereyro de 1643. Cheyo de annos, e cumulado de merecimentos deixou de ser caduco em o primeiro de Janeiro de 1653. quando contava 79. de idade. Jaz na Sumptuosa Capella que mandou edificar no Claustro do Real Convento de S. Domingos de Bemfica para depozito das heroicas cinzas de seu grande Avó D. Joaõ de Castro IV. Vicerey da India, cuja vida escrita pela elegante penna de Jacinto Freyre de Andrade se deve à sua eleiçaõ sendo o mayor credito do talento deste Prelado escolher este Curcio para narrar as façanhas daquelle Alexandre. Foy muito inclinado ao estudo da Genealogia escrevendo com recta intençaõ, e prudente exame muitas Familias deste Reyno sendo a principal obra deste genero hum volume que principia pela explicaçaõ das Regras da Armaria, e depois 550. Escudos das Familias Portuguezas primorosamente illuminados cada hum em sua folha, e com a explicaçaõ de cada brazaõ na parte inferior. Deixou este volume a sua Sobrinha D. Mariana de Noronha, e Castro, e està encadernado em veludo carmesim com chapas de prata dourada, e no meyo as Armas dos Castros. Foy composto em o anno de 1649. e se conserva em Morgado na Caza dos Marquezes de Marialva, o qual vimos como tambem affirma ter visto o Padre D. Antonio

Caetano de Sousa Aparat. à Hist. Gen. da Caz Real Portug. p. 111 §. 119. Publicou

Constituiçoens Synodaes do Bispado da Guarda impressas por ordem do Reverendissimo Senhor D. Francisco de Castro. Lisboa por Pedro Craesbeeck 1621. fol.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]